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SÃO PAULO – O Brasil poderá ter problemas com o abastecimento de arroz e feijão dentro dos próximos três anos. Isso porque o crescimento da economia, aliado ao aumento de empregos e ao sucesso de programas sociais do governo aumentam a renda e consequentemente o consumo desses itens básicos.
Hoje, o consumo médio de arroz é de 13 milhões de toneladas e o do feijão, 3,2 milhões de toneladas. A projeção para os próximos três anos é que eles cresçam 7,69% e 25%, respectivamente.
Ou seja, as demandas que já são maiores que as produções nacionais, passarão para 14 milhões de toneladas de arroz e 4 milhões de feijão, segundo previsões do analista de mercado Vlamir Brendalizze, da Brandalizze Consulting.
Projeção futura, problema atual
A alta da demanda e dos preços não é uma questão somente de longo prazo. Hoje, a defasagem entre consumo e produção já é um problema que altera preços e influi no abastecimento.
Apesar de, nos últimos meses, o preço do feijão e do arroz nos supermercados ter recuado, a tendência é que em agosto ele volte a subir, impulsionado pelo crescimento da demanda.
Em junho, o valor do arroz estava entre R$ 10 e R$ 15, e recuou no mês de julho, devido à baixa demanda, por conta das férias, chegando a ficar entre R$ 7,5 e R$ 12. Já o valor do feijão, atualmente, está em torno de R$ 4 por quilograma e deve ter um aumento de 5% a 10% em agosto.
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Alternativa interna
O governo está atento a esses problemas e no lançamento do pacote agrícola desta próxima safra aumentou o preço mínimo do feijão de R$ 48,42 para R$ 80, de forma a estimular o produtor. Já o do arroz, até teve um aumento, de R$ 22 passou para R$ 25,80, mas de acordo com Brandalizze, isso não é significativo para o produtor se sentir incentivado.
Como as primeiras lavouras de feijão são plantadas na primeira quinzena de julho, no sul de São Paulo, esses novos produtos devem chegar ao mercado entre outubro e novembro.
“O governo tem que estar atento para não desestimular o produtor com uma queda do preço, pois se isso ocorrer, ele reduzirá o plantio da segunda safra entre janeiro e fevereiro, o que causará uma crise de abastecimento, pois essa safra atende ao período mais crítico, que ocorre entre março e agosto”, alerta o analista.
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Importações complicadas
De acordo com o especialista, o governo tem de ficar atento e tomar cuidados especiais para elevar as produções desses dois produtos básicos da alimentação do brasileiro, pois a busca externa é difícil.
Primeiramente, os principais fornecedores do arroz, Argentina e Uruguai, estão buscando novas alternativas de vendas, pois esse produto está valorizado no mercado internacional. Eles visam locais que pagam mais, como Oriente Médio e Iraque, onde há auxílio, por conta da alta do petróleo, bem como países africanos, cuja economia cresce em ritmo acelerado.
Além disso, se o Brasil fosse importar de outros locais, como a Ásia, isso encareceria muito o valor do arroz no mercado nacional, influenciando também a inflação.
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No caso do feijão, o único mercado fornecedor seria o argentino, porém o item importado é o preto, e não o carioquinha, mais consumido. Assim, essa alternativa serve apenas como paliativo, já que a quantidade importada, próxima das 70 mil toneladas, corresponde somente ao volume consumido em uma semana.
Estoques
Já os estoques governamentais de feijão são de 4 mil toneladas. Considerando que o consumo subirá em agosto, chegando perto de 350 mil toneladas, o governo possui uma quantidade ínfima estocada.
No caso do arroz, o estoque do governo é de 1,1 milhão de tonelada equivalente ao consumo médio mensal de agosto, previsto para beirar 1,2 milhão toneladas.