Produção industrial surpreende e cresce; Ibovespa Futuro sobe e dólar cai

Pré-market repercute aprovação da DRU e indicadores acima do esperado na economia brasileira e na zona do euro

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta quinta-feira (2), apesar do movimento errático dos futuros das bolsas norte-americanas. Por aqui, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a DRU (Desvinculação das Receitas da União) em primeiro turno, mas ao mesmo tempo, a aprovação do reajuste do Judiciário, com aval de Temer, prejudica o ajuste fiscal e dá sinais confusos para o mercado. O contrato futuro do Ibovespa também ganha força do crescimento surpreendente da produção industrial. Lá fora, o BCE (Banco Central Europeu) anuncia novo estímulo e anima as bolsas.  

Às 9h07 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para junho subia 0,54%, a 49.355 pontos. Já o dólar futuro para julho cai 0,37% a R$ 3,625. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera estável a 13,61%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 5 pontos-base a 12,75%. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve queda de 0,45% a US$ 48,18 a tonelada seca. 

Produção industrial
Hoje saiu a Produção Industrial medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que cresceu 0,1% em abril. A expectativa mediana dos economistas era de um recuo de 0,9% na atividade do setor na comparação mensal, contra o avanço de 1,4% registrado em março. O número, que faz parte da Pesquisa Industrial Mensal, saiu às 9h. Na comparação anual, a produção industrial caiu 7,2%, ante a expectativa mediana de queda de 8,7%.  

Entre os setores, os principais impactos positivos foram em produtos alimentícios (4,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4,0%), com o primeiro apontando a segunda alta consecutiva e acumulando nesse período crescimento de 10,9%; e o último eliminado parte do recuo de 6,7% verificado em março. Nesses ramos, o resultado desse mês foi influenciado, em grande parte, pela antecipação da moagem da cana-de-açúcar. Outras contribuições positivas importantes vieram de indústrias extrativas (1,3%), de celulose, papel e produtos de papel (2,7%), de máquinas e equipamentos (2,0%), de bebidas (2,4%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,9%).

Votação da DRU e cenário político
Em uma vitória para o governo interino de Michel Temer, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno, na madrugada de hoje, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 31 de dezembro de 2023. Foram 334 votos a favor, 90 contrários e duas abstenções. A PEC eleva de 20% para 30% o percentual que pode ser remanejado da receita de todos os impostos e contribuições sociais federais. Também cria mecanismo semelhante para estados, municípios e o Distrito Federal.

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Além disso, a Câmara aprovou aumento para 16 categorias do funcionalismo federal, com impacto de R$ 58 bilhões até 2019. No cenário político, os jornais de hoje apontam que os senadores estão reavaliando seus votos pelo impeachment e que a presidente Dilma Rousseff, caso consiga barrar sua saída, proporá novas eleições. Saiba mais clicando aqui. 

BCE
O BCE (Banco Central Europeu), decidiu manter as taxas de juros básicas em 0% na reunião desta quinta-feira. Já a taxa de depósitos ficou em -0,4%, em linha com a expectativa mediana dos economistas. A terceira taxa, de empréstimo marginal, também foi mantida, em 0,25%. Outra medida anunciada hoje é o início das compras de títulos corporativos a partir do dia 8 de junho. 

Fala de Meirelles
O ministro da Fazenda Henrique Meirelles, foi convidado para falar hoje às 9h30 na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviço na Câmara dos Deputados. A audiência pública será realizada para debater sobre a conjuntura econômica, em especial sobre a crise fiscal e financeira sobre as perspectivas da economia nacional. 

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Cenário externo
Na Europa, após abrir em baixa, os principais índices do continente registram leve alta, com o FTSE subindo 0,45%, o DAX em alta de 0,12% e o CAC 40 registrando valorização de 0,04%, de olho no BCE e na reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) nesta quinta-feira. 

O dia foi de leve alta para as bolsas chinesas, com o Hang Seng em alta de 0,47% e Xangai subindo 0,40%; contudo, a preocupação com a atividade econômica limitou os ganhos, uma vez que os últimos PMIs do setor industrial mostraram que a atividade mostrou estabilização, mas a um patamar baixo em meio à fraca demanda doméstica e externa. Já o japonês Nikkei teve forte baixa de 2,32% após o dólar atingir mínima de duas semanas contra o iene. Isso ocorreu primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciar oficialmente o esperado adiamento da alta de imposto sobre vendas, elevando as indicações de fraqueza econômica. 

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.