Produção da Vale assusta em alguns pontos, prova de que cenário ainda é bem adverso

Por outro lado, mineradora está se mexendo com uma estratégia minimizadora de custos; aposta é de recuperação, aos poucos

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SÃO PAULO – No primeiro trimestre, a produção da Vale apresentou queda em praticamente todos os produtos. Algumas variações chegam a assustar, mas nada fora do atual contexto do mercado, uma vez que a mineradora vem adaptando sua produção às novas condições de demanda. Por outro lado, prova que o cenário é mesmo muito adverso.

Para se ter uma ideia, a produção de minério de ferro, principal fonte de receitas da companhia, recuou 37,1% no primeiro trimestre. Comparando a produção de pelotas, por exemplo, com os dados de um ano antes, nota-se volume de produção 73,4% inferior. Em resposta, as ações (VALE3, VALE5) da mineradora contrariaram a estabilidade do Ibovespa e fecharam a terça-feira com queda.

“O relatório mostrou que a situação da Vale é realmente bem ruim, os níveis de produção de 2008 demorarão a ser alcançados novamente”, afirma a Link Investimentos. Para lidar com retrações em torno de 44% na produção de aço europeia e 52% na produção siderúrgica da América do Norte, a companhia ajusta o ritmo de suas operações.

Estratégia de minimizar custos

Se por um lado o cenário preocupa, de outro a mineradora mostra-se disposta a enfrentá-lo. “A empresa está se mexendo, cortando produção, cancelando contratos de compra de minério ferro”, destaca a Link, lembrando o acordo firmado recentemente com a CSN.

Contra a instabilidade, a estratégia da Vale é minimizar custos. A companhia visa paralisar seus projetos de menor qualidade e estrutura de custos mais elevados. Pudera, é reconhecida no mercado como produtora de minério de alta qualidade e baixos custos.

“Esta política deverá apresentar seus primeiros resultados neste primeiro trimestre, apesar de ter sido implementada ainda no quarto trimestre do ano passado”, aposta Rodrigo Ferraz, da Brascan Corretora, em relatório.

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Recuperação para quando?

Pontuando o desempenho do setor com as novidades recentes, a aposta que fica é de recuperação. Ainda assim, há divergências quanto ao prazo de espera pela virada do setor.

“Não acreditamos em uma melhora deste cenário no médio prazo (leia-se segundo ou terceiro trimestres de 2009), uma vez que não há sinais claros de recuperação da atividade industrial mundial, o que levaria naturalmente a um aumento na demanda por matérias-primas”, avalia a Brascan.

Por outro lado, “esperamos que a indústria siderúrgica mundial comece a apresentar alguma recuperação nos próximos trimestres, o que irá aumentar a demanda pela maioria dos produtos da Vale, favorecendo a retomada da produção aos poucos”, pondera a Link Investimentos.