Procuradora do caso Eike vê possível fuga de acusados do Brasil

"Basta ver na nossa história penal quantos fugiram. Em especial aqueles que têm dupla nacionalidade. Para que isso não ocorra, é necessário uma Justiça ágil. Estamos falando de gente que tem suporte financeiro", afirmou à Folha

Publicidade

SÃO PAULO – A procuradora Karen Kahn, do Ministério Público Federal em São Paulo, que apresentou duas denúncias contra o empresário Eike Batista, seis ex-diretores e um diretor da antiga OGX Petróleo (OGXP3), atual OGPar, acredita que os denunciados do caso podem fugir do Brasil, segundo a Folha de S. Paulo.

“Basta ver na nossa história penal quantos fugiram. Em especial aqueles que têm dupla nacionalidade. Para que isso não ocorra, é necessário uma Justiça ágil. Estamos falando de gente que tem suporte financeiro”, afirmou.

Eike é filho de alemã e há até mesmo rumores de que ele pode ter sua prisão preventiva decretada. Mas, de acordo com a fala do advogado de Eike Batista, Sérgio Bermudes, não há motivo para pressupor que Eike fuja, já que ele tem saído do País e voltado com frequência. 

 “Não existe medida neste sentido, mas sempre estudamos todas as possibilidades”, disse a procuradora, referindo-se a um possível pedido para a Justiça de uma medida para evitar a fuga, como requisição do passaporte de acusados ou a prisão preventiva. 

Ela aponta a gravidade do caso para justiçar eventual pedido, depois de dizer que há juízes que não consideram tão grave crimes contra sistema financeiro: “Mas a gente acha muito grave. São pessoas de elevado nível cultural, econômico, com articulação em níveis nacional e internacional, vários níveis de governo e elevado grau de persuasão. Você tem diversos elementos que demonstram periculosidade dos agentes envolvidos, até maior do que em outros crimes com violência”. As penas previstas no processo podem chegar a 13 anos na primeira denúncia e a 14 anos na segunda.

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.