Processo de transição no Egito será longo e confuso, diz Barclays Capital

Para o banco, volatilidade sobre a libra egípcia só diminuirá a quando a situação política do país der sinais de melhoria

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SÃO PAULO – A abertura de negociações entre o governo egípcio e as lideranças oposicionistas traz esperanças de resolução do impasse político no país, após as disputas que resultaram não apenas na morte de vários civis e na demissão de todos os ministros, como também nos cortes de rating realizados pelas três principais agências de classificação de risco do mundo.

No entanto, ainda não há motivos para muito otimismo, acredita a equipe do Barclays Capital. Segundo os analistas Alia el-Moubayed e George Christou, que assinam o relatório do banco, as diversas mudanças exigidas pela oposição mostram que a transição política no país provavelmente será longa e confusa. Além da resistência do governo de Hosni Mubarak em ceder a essas exigências, os partidos de oposição são muito divididos e as coalizações parecem ser diluídas, diz a dupla.

Enquanto esse cenário incerto prevalecer no Egito, Moubayed e Christou acreditam que a libra egípcia (EGP, na sigla em inglês) continuará a registrar desvalorização nas próximas sessões, à medida que operações de carry trade continuem a se desenrolar. Retomando suas negociações no último domingo (6), após ter ficado desde 30 de janeiro paralisado, a divisa local registrou desvalorização de 1,3%, valendo a 5,93 por dólar.

“Acho que teremos um longo período de negociações até que as várias facções encontrem um terreno comum para o futuro. Entretanto, nós pensamos que a Irmandade Muçulmana vai buscar consolidar a sua posição dentro da oposição, o que ajudaria a desempenhar um papel importante na formulação do processo de transição”, acreditam Moubayed e Christou.

Novas intervenções cambiais poderão vir
Diante disso, os dois analistas esperam que o Banco Central egípcio anuncie novas intervenções nos próximos dias para conter uma depreciação mais significativa da moeda no curto prazo. Vale lembrar que na última sexta-feira (4) o governo local estipulou limites para os saques em libras egípcias ou dólares, com o intuito de inibir uma maior fuga de capitais durante a reabertura dos bancos locais, realizada no último domingo.

Essas medidas recentes, na visão de Moubayed e Christou, deverão diminuir a “dolarização” dos depósitos locais e, caso as perspectivas sobre a política interna consigam emitir rapidamente sinais de melhoria, os investidores internacionais podem voltar a aplicar em ativos egípcios. “Acreditamos que as reservas de proteção do BC são grandes o suficientes para cobrir por completa a posição montada pelos investidores internacionais”, afirmam.

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Apesar do tom otimista em suas palavras, os dois analistas deixam claro que, no curto prazo, a expectativa maior é de que as incertezas permaneçam na política local, o que deverá manter essa fuga de capital ativa no país. “Tendo em vista esses riscos e a continuidade das incertezas no front político, continuamos a esperar maior volatilidade e pressão negativa na libra egípcia”, conclui a dupla do Barclays.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers