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A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, na quarta-feira (9), têm gerado discussões entre analistas e bancos sobre possíveis efeitos nas empresas do setor de petróleo e gás. Embora a medida ainda careça de definição sobre quais itens serão atingidos, o mercado já começa a mensurar consequências tanto no comércio direto quanto em reações indiretas.
Para o Bradesco BBI, a maior parte das companhias brasileiras do setor sob sua cobertura não deve sofrer impactos diretos relevantes, devido à baixa dependência das exportações para os Estados Unidos. A exceção seria a PRIO (PRIO3), que obtém cerca de 13% de sua receita do mercado norte-americano. Ainda assim, a dúvida permanece se o petróleo bruto estará incluído na lista de produtos atingidos.
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Como o insumo ficou de fora do anúncio recente de Trump no dia 2 de abril conhecido como Liberation Day, existe a possibilidade de que continue isento. Caso contrário, a empresa poderia redirecionar parte da produção a outros mercados, embora com eventuais concessões de preço.
O banco também avalia que os efeitos indiretos podem ser mais relevantes, especialmente se houver retaliação do Brasil. Um aumento de tarifas sobre produtos norte-americanos poderia pressionar os índices de inflação interna, o que afetaria a curva de juros. Isso tende a afetar companhias expostas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), como Cosan (CSAN3) e Vibra (VBBR3) cujos custos financeiros seriam influenciados por mudanças nas taxas de juros.
A XP Investimentos compartilha a avaliação de que os efeitos diretos tendem a ser limitados. Segundo os analistas, ainda que as exportações de petróleo para os Estados Unidos representem cerca de 13% do total brasileiro, o setor pode se adaptar com certa facilidade por se tratar de uma commodity global e líquida.
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A redistribuição dos fluxos de exportação para outros mercados seria viável, mesmo que com algum ajuste de preços realizados em relação à referência internacional Brent. Isso afetaria principalmente empresas independentes, como PRIO e PetroRecôncavo (RECV3). No caso da Petrobras (PETR4), a principal demanda externa já vem da China, especialmente para os volumes oriundos do pré-sal, o que limita a exposição à medida dos Estados Unidos.
A XP também observa possíveis efeitos indiretos no comércio com os Estados Unidos, principalmente nas importações de insumos como derivados de petróleo, gás natural e produtos químicos.
Nessa linha, a corretora diz que a Braskem (BRKM5) poderia até se beneficiar com eventual imposição de tarifas, ganhando espaço no mercado interno de resinas plásticas como o polietileno, por meio de preços mais altos e maior participação. Mesmo assim, os analistas chamam atenção para a necessidade de ajustes na cadeia de suprimentos da empresa, já que parte de sua produção depende da importação de nafta.
Em relação às distribuidoras de combustíveis, a XP avalia que, caso o diesel e a gasolina dos Estados Unidos sejam tarifados, o Brasil teria de buscar alternativas, como importações de diesel de origem russa. Esse processo, afirmam os estrategistas, exigiria reorganização logística e contratos de fornecimento, mas não representa, no momento, uma barreira operacional intransponível.