Primeiras leituras: Sovada, Marina não para de crescer

O Ibope de hoje vai trazer Marina na frente de Dilma, apesar da candidata do PSB ter virado alvo preferido dos adversários. A campanha de Dilma elevou o tom e até compara a adversária a Jânio e Collor e reforça o discurso do medo. Entre os marinistas, a certeza de vitória é quase absoluta.

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Marina Silva vai aparecer hoje na pesquisa do Ibope, como se especulava desde ontem com segurança nos meios políticos e econômicos, na frente de Dilma Rousseff na corrida presidencial, com possibilidade até de vitória já no primeiro turno.

A dúvida sobre a sondagem a sair logo mais é apenas saber se a ambientalista se descolou de vez da petista, acima de margem de erro admitida pelo instituto neste tipo de sondagem, de dois pontos de percentagem para cima ou para baixo. O mais provável é que sim, o que aumenta os temores entre os aliados do PT (e mais ainda nos tucanos) de uma vitória de Marina logo no dia 5 de outubro.

Sobre a segunda rodada, a jornalista Rosângela Bittar apresenta em sua coluna de hoje no “Valor Econômico” um curioso cálculo que está circulando em Brasília: “Acompanhamentos feitos pelo PT, os “trackings”, já apontam uma diferença de cinco pontos a favor de Marina, que até sexta estava empatada com Dilma. Se Dilma cair aos 29%, o candidato do PSDB, Aécio Neves, encolher para 10%, o que não seria surpresa com a pressão pelo voto útil, bastaria a Marina atingir 40%, ou pouco mais, para vencer no primeiro turno.”

Esta interpretação ainda é um pouco complicada, embora já se possa dizer que a “onda Marina” ainda não atingiu o seu ápice. Dois fatos mostram que os passos de Marina estão cada vez mais largos:

Na televisão ontem, destaque nas notícias da sucessão em todos os jornais, o PT procura comparar Dilma a Jânio Quadros e Fernando Collor, dois presidentes que não terminaram seus mandatos e que tiveram dificuldades de relacionamento com os partidos e o Congresso. Embora nenhum dois tenha caído do poder exclusivamente – nem principalmente – por isso, a insinuação é que o destino de Marina pode ser o mesmo.

É difícil que algo assim cole. São mínimos os eleitores hoje que conhecem o tragicômico Jânio e poucos os que têm na memória o histriônico Collor presidente. Além do mais, o PT está falando de espeto de pau em casa de ferreiro: Collor agora é aliado do petismo.

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Metamorfose ambulante

 Lula, ao lado de Dilma em São Bernardo, também aderiu ao discurso, porém, cauteloso, não citou nominalmente sua ex-ministra do Meio Ambiente. A presidente insistiu que a adversária, com a política industrial que está propondo, vai criar recessão e desemprego, e vai gerir um “governo instável”. Guido Mantega diz que ela vai paralisar a economia. E o líder petista no Senado, Humberto Costa, chamou-a de “FHC de saias”.

Interessante é que o PT e Dilma resolveram deixar de bater em Aécio, que era o alvo preferencial da campanha petista até dois dias atrás, apesar já da ascensão de Marina. Eles finalmente se deram conta de que os votos do candidato tucano nunca irão para a presidente – nem no primeiro nem no segundo turno. O que sai de Aécio vai direto para Marina ou, no máximo, para o “não voto”.

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Tudo parece indicar que está baixando o desespero na campanha da presidente, que deve saber bem o que está apertando o seu sapato a partir das pesquisas diárias pelo telefone realizadas sobre o comando do marqueteiro João Santana. Diz o “Valor” que o PT já detectou que Marina está invadindo também as cidades com até 50 mil habitantes, um celeiro até agora quase exclusivo de Dilma.

Aécio, mais encalacrado que Dilma, procura aparentar serenidade e não elevar demais o tom contra Marina, talvez para se diferenciar dos petistas e ainda na esperança não se vislumbra de quê. Limita-se, como ontem, a apontar suas contradições e vai e vens, chamando, por exemplo, de “metamorfose ambulante” e apontando falhas ou cópias em seu programa – no caso, o capítulo dos direitos humanos, segundo ele ola do de Fernando Henrique.

Marina, olimpicamente, ignora os adversários e cuida de se explicar e se reescrever. Parece muito segura e agora com um tom de ironia até então desconhecido de público, para rebater as críticas mais pesadas. A expressão “sonháticos” na sumiu do vocabulário da candidata e dos assessores. No mundo marinista, a certeza da vitória é quase absoluta.

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Mais coisas da eleição: o jornal “O Globo” traz reportagem sobre a demora do governo em divulgar os resultados do Ideb, principal indicador da qualidade de ensino no país, realizado a cada dois anos. Os dados já estão prontos, e revisados e já foram para as mãos da Casa Civil fazem cerca de 30 dias.

Quando começaram a circular boatos sobre as intenções do governo de segurar os resultados, porque eles seriam negativos, as autoridades informaram que os dados sairiam em poucos dias. Isto já faz mais de um mês. Agora, o MEC informou ao jornal que a divulgação será “logo”. A suspeita é que só sairá de fato depois da eleição para não complicar mais a campanha da presidente Dilma Rousseff.

As perguntas para Dilma

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 A presidente, como já havia sido anunciado, não compareceu mesmo à entrevista marcada para ontem no Jornal da Globo, depois dos acertos iniciais indicarem sua presença.

A emissora, porém, divulgou no ar, com o jornalista William Waak, as perguntas básicas que seriam feitas a ela:

A economia, as eleições e as pressões sobre o BC

 Com um crescimento de 0,7% em julho, o setor industrial trouxe ontem uma boa notícia na área econômica que o governo tanto esperava depois de uma saraivada de péssimas informações nas últimas semanas.

Embora uma parte dos analistas ainda acredite que esse crescimento é inconsistente, não representa uma tendência, a boa notícia foi o bastante para o ministro Guido Mantega trombetear, no cumprimento de suas obrigações e de uma determinação da presidente Dilma Rousseff de defender a política econômica, que o resultado é a prova de que o Brasil não estão em recessão.

Por razões (diga-se) técnicas, de quebrar as expectativas negativas de empresas e do mundo financeiro, e político-eleitorais, de reverter o baixo astral dos eleitores, o governo precisa criar alentos na área econômica, encadear uma série de boas notícias e demonstrar, como Dilma tem dito na tevê e em comícios, que não há crise na economia brasileira.

E nessa linha é que há discretíssima campanha para o Banco Central “colaborar”. Hoje é dia do BC divulgar a nova taxa básica de juros – e ninguém em sã consciência imagina que o Copom mexerá nos 11% atuais.

Mas aos olhos do universo político da campanha de Dilma, não custa tentar “comover” os membros do Copom. Com argumentos, em tese, técnicos. É assim que está sendo interpretado um documento, cujo teor está divulgado hoje com exclusividade pelo jornalista Valdo Cruz na “Folha de S. Paulo”, no qual o Ministério da Fazenda diz que a alta dos juros foi o fato que mais derrubou o PIB.

O PIB teria perdido um ponto percentual por causa disso e o estudo questiona se o ciclo de alta dos juros, que dizem ter sido necessário e bem-sucedido, não foi numa dose exagerada para combater uma inflação concentrada em alimentos, por causa da seca.

Já no início do ano, lembra a reportagem, setores do governo defendiam que o BC suspendesse o ciclo de alta de juros, por temer um freio exagerado na economia. Lembra-se anda que a queda do PIB, no entanto, não foi suficiente para derrubar a inflação.

Com a avalanche Marina vão aumentar as pressões para que o lado econômico gere boas notícias para alimentar o discurso da presidente-candidata.

Outras notícias dos jornais do dia

 

LEITURAS SUGERIDAS

  1. Elio Gaspari – “O velho na novidade de Marina” – Folha
     
  2. Editorial – “Sem ter o que prometer” – Estadão
     
  3. José Roberto de Toledo – “‘Geraldina’ é o voto mais popular em São Paulo” – Estadão
     
  4. Maurício Canedo Pinheiro – “Ainda não dá para comemorar” – Estadão
     
  5. Miriam Leitão – “O mundo não tem culpa” – Globo
     
  6. Cristiano Romero – “Política Econômica: sem margem de manobra” – Valor
     
  7. Rosângela Bittar – “Lula em inferno astral” – Valor 

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