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Marina Silva vai aparecer hoje na pesquisa do Ibope, como se especulava desde ontem com segurança nos meios políticos e econômicos, na frente de Dilma Rousseff na corrida presidencial, com possibilidade até de vitória já no primeiro turno.
A dúvida sobre a sondagem a sair logo mais é apenas saber se a ambientalista se descolou de vez da petista, acima de margem de erro admitida pelo instituto neste tipo de sondagem, de dois pontos de percentagem para cima ou para baixo. O mais provável é que sim, o que aumenta os temores entre os aliados do PT (e mais ainda nos tucanos) de uma vitória de Marina logo no dia 5 de outubro.
Sobre a segunda rodada, a jornalista Rosângela Bittar apresenta em sua coluna de hoje no “Valor Econômico” um curioso cálculo que está circulando em Brasília: “Acompanhamentos feitos pelo PT, os “trackings”, já apontam uma diferença de cinco pontos a favor de Marina, que até sexta estava empatada com Dilma. Se Dilma cair aos 29%, o candidato do PSDB, Aécio Neves, encolher para 10%, o que não seria surpresa com a pressão pelo voto útil, bastaria a Marina atingir 40%, ou pouco mais, para vencer no primeiro turno.”
Esta interpretação ainda é um pouco complicada, embora já se possa dizer que a “onda Marina” ainda não atingiu o seu ápice. Dois fatos mostram que os passos de Marina estão cada vez mais largos:
- As pesquisas sobre a intenção de votos para a Presidência, em São Paulo e no Rio de Janeiro, divulgadas ontem, juntamente com as para os governos desses dois Estados, já dão vantagem folgada para Marina: são 16 pontos em São Paulo (39% a 23%) e 6 no Rio (38% a 32%, contra 38% a 30% para Dilma uma semana atrás).
SP e RJ somam pouco mais de 30% do eleitorado, portanto, com peso elevado no cômputo final de qualquer eleição. Dilma teria de estar muito bem nos outros Estados para compensar esta desvantagem, nada provável pelas indicações anteriores tanto do Ibope quanto do DataFolha. Em Minas Gerais, por exemplo, o segundo eleitorado brasileiro, Marina já tinha superioridade sobre Dilma.
Este quadro desenha uma situação desesperadora para Aécio, nas circunstâncias atuais: a aposta dos tucanos, antes do tsunami Marina, era tirar grande vantagem sobre a presidente para garantir sua ida para o segundo turno. Agora, está ameaçado de ser ultrapassado por Marina em seu território e já ocupa o terceiro lugar em São Paulo e no Rio.
- A forma como o PT e Dilma passaram a atacar Marina, num tom agora que, como se diz popularmente, chamando a ambientalista “pra briga”. O discurso petista, que prometia ser crítico, mas elevado, foi virado de cabeça para baixo e adotou a tal “estratégia do medo”, da qual o próprio PT já foi vítima no passado.
Na televisão ontem, destaque nas notícias da sucessão em todos os jornais, o PT procura comparar Dilma a Jânio Quadros e Fernando Collor, dois presidentes que não terminaram seus mandatos e que tiveram dificuldades de relacionamento com os partidos e o Congresso. Embora nenhum dois tenha caído do poder exclusivamente – nem principalmente – por isso, a insinuação é que o destino de Marina pode ser o mesmo.
É difícil que algo assim cole. São mínimos os eleitores hoje que conhecem o tragicômico Jânio e poucos os que têm na memória o histriônico Collor presidente. Além do mais, o PT está falando de espeto de pau em casa de ferreiro: Collor agora é aliado do petismo.
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Metamorfose ambulante
Lula, ao lado de Dilma em São Bernardo, também aderiu ao discurso, porém, cauteloso, não citou nominalmente sua ex-ministra do Meio Ambiente. A presidente insistiu que a adversária, com a política industrial que está propondo, vai criar recessão e desemprego, e vai gerir um “governo instável”. Guido Mantega diz que ela vai paralisar a economia. E o líder petista no Senado, Humberto Costa, chamou-a de “FHC de saias”.
Interessante é que o PT e Dilma resolveram deixar de bater em Aécio, que era o alvo preferencial da campanha petista até dois dias atrás, apesar já da ascensão de Marina. Eles finalmente se deram conta de que os votos do candidato tucano nunca irão para a presidente – nem no primeiro nem no segundo turno. O que sai de Aécio vai direto para Marina ou, no máximo, para o “não voto”.
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Tudo parece indicar que está baixando o desespero na campanha da presidente, que deve saber bem o que está apertando o seu sapato a partir das pesquisas diárias pelo telefone realizadas sobre o comando do marqueteiro João Santana. Diz o “Valor” que o PT já detectou que Marina está invadindo também as cidades com até 50 mil habitantes, um celeiro até agora quase exclusivo de Dilma.
Aécio, mais encalacrado que Dilma, procura aparentar serenidade e não elevar demais o tom contra Marina, talvez para se diferenciar dos petistas e ainda na esperança não se vislumbra de quê. Limita-se, como ontem, a apontar suas contradições e vai e vens, chamando, por exemplo, de “metamorfose ambulante” e apontando falhas ou cópias em seu programa – no caso, o capítulo dos direitos humanos, segundo ele ola do de Fernando Henrique.
Marina, olimpicamente, ignora os adversários e cuida de se explicar e se reescrever. Parece muito segura e agora com um tom de ironia até então desconhecido de público, para rebater as críticas mais pesadas. A expressão “sonháticos” na sumiu do vocabulário da candidata e dos assessores. No mundo marinista, a certeza da vitória é quase absoluta.
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Mais coisas da eleição: o jornal “O Globo” traz reportagem sobre a demora do governo em divulgar os resultados do Ideb, principal indicador da qualidade de ensino no país, realizado a cada dois anos. Os dados já estão prontos, e revisados e já foram para as mãos da Casa Civil fazem cerca de 30 dias.
Quando começaram a circular boatos sobre as intenções do governo de segurar os resultados, porque eles seriam negativos, as autoridades informaram que os dados sairiam em poucos dias. Isto já faz mais de um mês. Agora, o MEC informou ao jornal que a divulgação será “logo”. A suspeita é que só sairá de fato depois da eleição para não complicar mais a campanha da presidente Dilma Rousseff.
As perguntas para Dilma
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A presidente, como já havia sido anunciado, não compareceu mesmo à entrevista marcada para ontem no Jornal da Globo, depois dos acertos iniciais indicarem sua presença.
A emissora, porém, divulgou no ar, com o jornalista William Waak, as perguntas básicas que seriam feitas a ela:
- Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?
- A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?
- A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil, no seu governo, tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?
- A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?
- Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?
- A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre, um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?
A economia, as eleições e as pressões sobre o BC
Com um crescimento de 0,7% em julho, o setor industrial trouxe ontem uma boa notícia na área econômica que o governo tanto esperava depois de uma saraivada de péssimas informações nas últimas semanas.
Embora uma parte dos analistas ainda acredite que esse crescimento é inconsistente, não representa uma tendência, a boa notícia foi o bastante para o ministro Guido Mantega trombetear, no cumprimento de suas obrigações e de uma determinação da presidente Dilma Rousseff de defender a política econômica, que o resultado é a prova de que o Brasil não estão em recessão.
Por razões (diga-se) técnicas, de quebrar as expectativas negativas de empresas e do mundo financeiro, e político-eleitorais, de reverter o baixo astral dos eleitores, o governo precisa criar alentos na área econômica, encadear uma série de boas notícias e demonstrar, como Dilma tem dito na tevê e em comícios, que não há crise na economia brasileira.
E nessa linha é que há discretíssima campanha para o Banco Central “colaborar”. Hoje é dia do BC divulgar a nova taxa básica de juros – e ninguém em sã consciência imagina que o Copom mexerá nos 11% atuais.
Mas aos olhos do universo político da campanha de Dilma, não custa tentar “comover” os membros do Copom. Com argumentos, em tese, técnicos. É assim que está sendo interpretado um documento, cujo teor está divulgado hoje com exclusividade pelo jornalista Valdo Cruz na “Folha de S. Paulo”, no qual o Ministério da Fazenda diz que a alta dos juros foi o fato que mais derrubou o PIB.
O PIB teria perdido um ponto percentual por causa disso e o estudo questiona se o ciclo de alta dos juros, que dizem ter sido necessário e bem-sucedido, não foi numa dose exagerada para combater uma inflação concentrada em alimentos, por causa da seca.
Já no início do ano, lembra a reportagem, setores do governo defendiam que o BC suspendesse o ciclo de alta de juros, por temer um freio exagerado na economia. Lembra-se anda que a queda do PIB, no entanto, não foi suficiente para derrubar a inflação.
Com a avalanche Marina vão aumentar as pressões para que o lado econômico gere boas notícias para alimentar o discurso da presidente-candidata.
Outras notícias dos jornais do dia
- CONTAS PÚBLICAS – No “Valor”: o resultado das contas públicas em agosto será reforçado pelo pagamento de R$ 5,138 bilhões em dividendos pelos bancos estatais. A Caixa Econômica Federal transferiu R$ 2,144 bilhões ao Tesouro Nacional na sexta-feira, último dia útil do mês, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) outros R$ 2,994 bilhões, na mesma data. De acordo com dados do Tesouro, o pagamento de dividendos pelas estatais aumentou 35,2% em relação ao período janeiro-julho do ano passado. No mesmo período em 2013, os dividendos haviam somado R$ 7,7 bilhões, enquanto neste ano já somam R$ 10,5 bilhões. O BNDES continua sendo a estatal que mais paga dividendos ao Tesouro, mas o crescimento em 2014 é resultado principal da elevação no resultado da Petrobras.
- ATIVIDADE ECONÔMICA – Segundo ainda o “Valor”, o presidente da Volkswagen no Brasil, Thomas Schmall, traçou um cenário nada animador para o setor automobilístico do país nos próximos meses e em 2015. Neste ano, o executivo já fala em tomar mais medidas para ajustar os estoques. No ano que vem, a companhia deve registrar números de vendas semelhantes aos de 2014 e pode encarar o desafio de evitar o prejuízo das operações, segundo ele. Apesar da preocupação com 2015, ele vê o mercado brasileiro com potencial no longo prazo. Schmall adianta que o mecanismo de suspensão temporária de contratos de trabalho nas fábricas (conhecido como “layoff”), em execução desde maio no caso da empresa, não deve ser suficiente para ajustar os estoques e propõe que o esquema que evita demissões seja ampliado.
- ENERGIA ELÉTRICA – O governo levou para depois das eleições o maior leilão de geração de energia elétrica deste ano. A data do leilão A-5, para entrega de energia partir de 2019, foi alterada de 30 de setembro – cinco dias antes do primeiro turno – para 28 de novembro. Segundo nota divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, “a alteração foi motivada pela previsão de conclusão de licenciamento prévio de usinas hidrelétricas totalizando mais de 460 MW de potência bem como pelo interesse da fonte eólica por essa oportunidade de comercialização de energia a partir de 2019, reforçando o objetivo de manutenção de uma matriz elétrica limpa e renovável”.
Segundo o “Globo”. com a perspectiva de poucas chuvas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) autorizou o acionamento das usinas térmicas para geração de até 18.090 MW médios, segundo informações do relatório semanal do órgão. O volume é o maior já registrado, superando em muito as cargas liberadas no mesmo período em 2013 (10.217 MWmed) e em 2012 (8.176 MWmed). A quantidade de energia autorizada tem subido nas últimas semanas. Nos primeiros sete dias de agosto, o ONS autorizou a geração de 16.754 MWmed. Na semana passada, elevou para 17.714 MWmed.
- USINA DE SANTO ANTONIO – Informa a “Folha” que os acionistas da usina hidrelétrica no rio Madeira, em Porto Velho (RO), vão investir na companhia R$ 1,95 bilhão para o pagamento de dívidas com o mercado de curto prazo e com o consórcio construtor. Se um depósito de R$ 860 milhões não for feito na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) até a próxima terça (9), a empresa poderá perder a licença de operação da usina. Os sócios devem investir valor correspondente à sua participação. Segundo essa lógica, a Furnas contribuiria com 39% do valor total, a Odebrecht, com 28,7%, a Andrade Gutierrez, com 12,4%, a Cemig, com 10%, e o FI-FGTS, com os 9,9% restantes. O Sindicato dos Trabalhou confirmou que o consórcio já está fazendo demissões. A Aneel, segundo o “Estadão” ameaça multar o consórcio caso a obra seja paralisada.
- COMPETITIVIDADE – O Brasil perdeu quatro posições no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial entre 2011 e 2014. O Relatório de Competitividade Global divulgado ontem avalia os principais pilares das economias mundiais, como estabilidade macroeconômica, educação e solidez das instituições públicas, e os traduz num índice. Segundo o Fórum, apesar de o indicador do Brasil ter avançado de 4,32 para 4,34 nos últimos quatro anos, outras economias avançaram mais. Com isso, o país passou da 53ª posição entre os mais competitivos, em 2011, para a 57ª em 2014. Em relação ao ano passado, dos 12 quesitos avaliados para compor o indicador, o Brasil só melhorou em dois: Educação Superior, ao passar da 72ª posição para 41ª; e Saúde e Educação Primária, saindo de 89ª para 77ª.
- TELEFONIA 4G – Três das quatro principais operadoras de telecomunicações do país pediram ontem impugnação ou mudanças no edital do leilão da faixa de 700 MHz da Internet móvel de quarta geração (4G). Não está claro até o momento se isso implicará em atraso da licitação, marcada para 30 de setembro. O governo espera o dinheiro da venda das licenças em 2014 para compor o superávit primário A Telefônica e a Claro querem a impugnação do certame, enquanto a TIM Participações pede alterações no edital. O preço mínimo total das seis licenças no leilão é de R$ 7,7 bilhões. O edital prevê ainda desembolso adicional por outorgas de até cerca de R$ 560 mi se as vencedoras forem empresas que já têm licença na frequência de 2,5 GHz, na qual o serviço 4G é atualmente é operado. As vencedoras também arcarão com cerca de R$ 3,6 bi em custos da “limpeza” da faixa de 700 MHz, atualmente ocupada pela radiodifusão analógica. As concessionárias estão querendo o adiamento porque só poderão vender o serviço na faixa dos 700 MHz a partir de 2016, mas terão de desembolsar elevado capital de giro antes, mesmo com prometido financiamento do BNDES para todos os gastos – compra de outorga e investimentos.
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