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As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no Congresso Nacional entraram definitivamente nos programas de campanha à Presidência da República.
Os candidatos de oposição, mais o do PSDB do que o do PSB, exploram o quanto podem as suspeitas envolvendo a CPI do Senado, com novas informações desgastantes para o governo surgindo todos os dias.
Hoje, por exemplo, diz a “Folha”, “ que a açao na CPI foi combinada com assessores do Planalto”. E cita nominalmente o secretário Executivo do Ministério das Relações Institucionais, Luiz Azevedo, como tendo ajudado “a elaborar o plano de trabalho apresentado pela comissão em maio, que incluía um roteiro para a investigação e sugestões de perguntas”.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, mandou abrir sindicância para apurar o caso. O presidente da CPI do Senado (e também da CPI Mista), Vital Rego, pediu investigação da Polícia Federal.
A interpretação em Brasília é que foram pedidos pró-forma, para inglês ver. Nenhum dos dois tem interesse em se indispor com o PT e o Palácio do Planalto. Rego, candidato ao governo da Paraíba pelo PMDB, tem todo o interesse no apoio de Dilma e Lula. O mesmo vale para Renan, cujo filho, do mesmo nome, disputa o governo de Alagoas.
O troco do PT vem hoje: vai ser instalada, depois de algum tempo no estaleiro, a CPI Mista convocada para investigar o cartel de empresas acusado de fraudar licitações do Metrô de São Paulo, denúncias que envolvem diretamente governos tucanos no Estado, onde eles estão no poder vai fazer 20 anos.
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O barulho no Congresso, porém, tende a amainar. Os parlamentares deixam Brasília amanhã, para as campanhas nos Estados e somente voltam a Brasília antes da eleição – se voltarem, na Câmara nem está previsto – mais dois dias em setembro para novo “esforço concentrado”. O bumbo vai vser batido através da mídia.
O papel de Lula
na campanha de Dilma
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Reportagem hoje em “O Estado de S. Paulo” retoma o tema abordado terça-feira pelo repórter Raymundo Costa, no “Valor” (em “Leituras Sugeridas” de ontem) sobre as dúvidas, no Palácio do Planalto, a respeito de qual deve ser a intensidade da participação direta do ex-presidente na campanha da presidente Dilma Rousseff.
Relatam os repórteres Vera Rosa, Ricardo Della Coletta e Ricardo Brito que esse papel é motivo de divergências entre o Palácio do Planalto e o comando do PT. Dilma, para firmar sua própria imagem e acabar com a de “criatura” (referência que o próprio Lula fez a ela em sua discurso na sua presença) estaria resistindo a ter o ex-presidente como uma espécie de âncora de sua campanha.
Para Dilma ele deve ser um coadjuvante, não o ator principal, dividindo igualmente o palco com ela.
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No comentário do “Valor” cita-se um graduado palaciano dizendo que Dilma não depende mais de Dilma para se reeleger.
A cúpula do PT, óbvio, pensa diferente: com base em análises de dados de pesquisas acha que a presidente deverá se colar mais em Lula para se reeleger.
O fato é que o ex-presidente ainda não mergulhou fundo na face pública da campanha da sucessora. Nem está percorrendo o país, “no Norte quando ela estiver no Sul, no Sul quando ele estiver no Norte”, como foi inicialmente anunciado, nem tem aparecido em eventos importantes de campanha com ela, como segunda-feira em Guarulhos e ontem em Belo Monte.
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Os dois eventos vão para o programa eleitoral do PT. Há previsão de que Lula ainda estará esta semana em dois atos públicos com a presidente, ambos em SP, o primeiro amanhã com as centrais sindicais.
Em “O Globo” há a informação que Lula e Dilma aparecerão dialogando no programa eletrônico a partir do dia 19. Mas nada disso foi gravado até agora.
Há também quem diga que Lula está na muda, observando o ambiente – e principalmente os ventos soprados pelas pesquisas – para medir o tamanho do seu envolvimento público na campanha.
Não há dúvidas de que se bate pela reeleição. Mas, diz esta interpretação, Lula não pode ser sócio de um “fracasso”, ou seja, de uma derrota de Dilma em grande estilo. Dependendo de como isto acontecer, se acontecer, pode até comprometer os planos do ex-presidente para 2018. E Lula precisa se presevar.
O “Globo” também registra a preocupação do presidente nacional do PT com eventual possibilidade de candidatos petistas aos governos estaduais tentarem dissociar sua imagem da presidente. Cita o caso de Minas Gerais, onde apareceram alguns movimentos de um “pimentécio”, de Fernando Pimentel (candidato do PT ao Palácio da Liberdade) e Aécio. Pimentel é amigo de Dilma e a coordenação de sua campanha nega responsabilidade sobre isto.
O contra-ataque ao
pessimismo
As campanhas dos dois outros candidatos, pelo noticiário dos jornais, parecem internamente um pouco mais amenas. O espaço dado a eles e a seus partidos, compreensivelmente, até agora têm sido menores que os dedicados a Dilma.
Mas mais “neutros”. Eles estão na fase de divulgar propostas e promessas, as últimas à vezes sem muito cuidado. E de críticas às políticas oficiais.
O negócio de Dilma é discutir realizações, mostrar obras. Esta é a tônica, que, em princípio, deve ir até o fim.
O papel de rebater com mais argumentos as críticas à política econômica, exorcizar “o pessimismo” está ficando com os auxiliares da presidente.
Ontem, por exemplo, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em depoimento no Senado, procurou mostrar que não existe a “crise” que a oposição está pintando. Ele disse que o Brasil não está em estagflação Tombini destacou também progressos no combate à inflação e confirmou que os juros não devem ser reduzidos tão cedo.
“Que crise é essa em que estamos com o menor nível de desemprego de todos os tempos? Que crise é essa em que a inflação está sob controle?” – perguntou o presidente do Banco Central.
Tombini falou para o “mercado”, mas com ecos no público em geral.
Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos participarão hoje – novamente em horários separados – de sabatinas na Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Outros destaques
dos jornais do dia
– SETOR ELÉTRICO – A segunda rodada de empréstimos para socorrer as distribuidoras de energia elétrica deve contar com a participação de oito bancos, dois a menos que na primeira operação, e com taxas de juros mais elevadas.
A parcela maior caberá aos bancos públicos – BNDES, Caixa e BB. Serão dois empréstimos distintos segundo Lauro Jardim no site de “Veja” – R$ 6,5 bilhões para as distribuidoras e R$ 6,5 bi para a Eletrobrás (neste caso apenas os bancos oficiais). Se esse dinheiro não der para pagar as despesas extras das distribuidoras até o fim do ano o Tesouro completará o que faltar.
A estatal elétrica precisa quitar débitos com a Petrobrás. Por causa desses atrasos, a estatal petrolífera suspendeu sexta-feira a entrega de combustível para térmicas que fornecem energia no Amazonas, com riscos de começar a faltar eletricidade na região em uma semana. O fornecimento foi restabelecido ontem.
A Aneel aprovou o aumento da energia, em média superior a 20%, nos Estados de Santa Catarina, Pará e Espírito. Agora são 24 empresas que tiveram reajustes autorizados este ano.
– NOVOS MUNICÍPIOS – O Senado aprovou um projeto que abre caminho para a criação de mais de 200 municípios. Apesar de a proposta estabelecer regras mais rígidas para que as cidades sejam criadas, o texto estimula fusões e incorporações ao permitir que municípios que se aglutinarem recebam valores do Fundo de Participação dos Municípios.
Esta proposta foi patrocinada pelo governo, como compensação pela presidente Dilma Roussef ter vetado, meses atrás, proposta idêntica de iniciativa do parlamento, bem mais generosa e que poderia propiciar o nascimento de mais de 500 novas prefeituras.
Cada município novo que surge é um acréscimo de despesas no orçamento público. E normalmente transforma uma prefeitura já praticamente insustentável em duas prefeituras absolutamente sem condições de viverem por conta própria.
– CONTAS PÚBLICAS – Havia um acordo informal entre o Ministério da Fazenda e a Caixa Econômica de que o banco oficial reduziria este ano o repasse de dividendos que tem feito ao Tesouro Nacional para poder continuar ampliando a oferta de créditos, alguns destinados a programas prioritários do governo.
Agora com a queda da arrecadação tributária, informa o “Estadão”, a CEF está sendo pressionada a transferir a totalidade dos dividendos sobre seu lucro líquido de 2014, algo em torno de R$ 5 bilhões. Com isso, o aumento do crédito da entidade, de 38% em 2013, ficaria em 25% este ano.
– SETOR INDÚSTRIAL – Área de caminhões e ônibus começa a ajustar a produção: Iveco dá férias coletivas, Man coloca 100 trabalhadores em lay-off em Rezende (por cinco meses) e a Mercedes faz o mesmo com 158 empregados em Juiz de Fora (com retorno em janeiro). Diz o “Valor” que cerca de 2,9 mil trabalhadores do setor serão afastados, em licença, nos próximos dias (não se prevê demissões em grande escala).
Segundo a CNI, a uso da capacidade instalada da indústria em junho chegou em junho em 80,1, mesmo nível de maio de 2009 o auge da crise. O faturamento recuou 5,7% em relação a maio e o número de horas trabalhadas caiu 3%.
– CRÉDITO – Informa “O Globo” que o ministro Guido Mantega reuniu-se com dirigentes de cinco dos principais bancos do país para sondar o que eles acharam da medida que liberou mais R$ 40 bilhões para o crédito e incentivar as instituições a abrirem mais seus cofres.
Diz o “Valor” que os banqueiros fizeram algumas sugestões ao ministro, sendo que a principal foi de que o governo ouse mais na redução de requerimentos de capital das instituições financeiras para fazer frente a operações de crédito.
LEITURAS SUGERIDAS
1. Delfim Neto – “Voltar ao normal” (sobre a necessidade de mudar a política econômica) – Folha
2. Editorial – “Tombini açucarou a crise” – Estadão
3. Ângela Bittencourt – “A moderação de Tombini” – Valor
4. Celso Ming – “Prostração da indústria” – Estadão
5. Cristiano Romero – “Juro baixo nos EUA facilita ajuste do Brasil” – Valor