Primeiras leituras: para Dilma, pesquisa boa e PNAD ruim

No novo DataFolha a presidente se distancia no primeiro turno de Marina Silva e tem empate técnico no segundo turno. Os melhores sinais são para Aécio. Mas o IBGE, tema de campanha, mostra que a desigualdade de renda no país parou de cair e houve mais desemprego em 2013.

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A presidente Dilma Rousseff acordou ontem com uma má notícia, a segunda que recebe em menos de um mês do IBGE: a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) de 2013 mostra que o processo de distribuição de renda no Brasil estagnou. E que o desemprego que estava em 6,1% em 2012 terminou 2013 em 6,5%, o maior índice desde 2009.

A primeira má notícia foio do fim do mês passado, o PIB negativo dois trimestres seguidos.

A presidente, naturalmente, reagiu com seu otimismo habitual: considerou que esse índice de desemprego não tem significação, que não pode haver desemprego elevado num país que está criando mais de 700 mil empregos formais. Dilma disse também que há uma flutuação normal na estagnação da queda da desigualdade.

Ministros foram escalados para reforçar os aspectos positivos da sondagem.

O PNAD é um excelente retrato da situação sócio-econômica do país e, visto no longo prazo, mostra uma evolução geral positiva do Brasil. Mas esses dados de 2013, segundo alguns analistas, são a indicação clara do esgotamento da atual política econômica, do baixo crescimento dos últimos anos e da inflação persistentemente elevada.

A preocupação do governo, óbvio, é com a exploração desses números na campanha eleitoral, que já começou ontem mesmo. Mas o governo poderá também mostrar alguns dados positivos, como o crescimento da renda média, de 5,7%.

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O conjunto dos dados, porém, dá uma boa indicação para as dificuldades eleitorais que a presidente vem enfrentando. A sensação de bem estar já não é a mesma de 2010.

Em compensação, se acordou mal, Dilma foi dormir com uma boa notícia, com os números da pesquisa DataFolha que estão nos jornais de hoje e já circulavam em áreas bem informadas ontem à noite.

Sua vantagem sobre Marina Silva no primeiro turno está agora em sete pontos, portanto já fora da margem de erro. E a diferença de Marina para ela no segundo turno diminuiu para dois pontos, em situação de empate técnico.

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A sondagem, na realidade, traz um conjunto de más notícias é para a candidata do PSB. A mais impressionante delas é que a rejeição da ambientalista já é maior que a de Aécio – 22% a 21% – e dobrou em mês (tinha 11% quando iniciou a corrida).

Marina perdeu votos em áreas estratégicas, inclusive entre os eleitores de renda de até cinco salários mínimos, onde se situa o grosso do eleitorado.

Pelos novos dados, é possível ver que o intenso tiroteio ao qual a ex-ministra do Meio Ambiente foi submetida, desde que se apresentou como uma ameaça séria à reeleição de Dilma, surtiu algum efeito. Primeiro, contendo seu rápido crescimento e agora ampliando o número de eleitores que dizem que não votariam nela de jeito nenhum (a campeã nesse item ainda é Dilma).

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Como na pesquisa do Ibope do início da semana, as notícias mais alvissareiras deste DataFolha estão para Aécio Neves – confirmam o início de sua recuperação, embora ainda dentro da margem de erro, com a subida de dois pontos. Pelo Ibope ele subiu quatro pontos. Todavia, o tempo, repita-se, parece curto para uma recuperação que leve o tucano ao segundo turno, embora a diferença entre ele e Marina esteja agora em 13 pontos, já tendo chegado a mais de 20.

A política econômica

do Dilma II

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Se a presidente Dilma Rousseff for reeleita, as diretrizes da política econômica serão mantidas no próximo ano. Quem garante é o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista exclusiva ao jornal “O Estado de S. Paulo”. Mantega, que já se sabe não permanecerá no ministério em 2015, tornou-se, desde que Dilma o “demitiu”, o principal porta-voz da economia na campanha da reeleição. Autorizado pela presidente.

O ministro disse que as medidas anticíclicas adotadas desde 2008 estão terminando e que “então será preciso recuperar a arrecadação para aumentar o esforço fiscal e, assim, abrir espaço para a flexibilização da política monetária, que está muito apertada”. Para Mantega, a reversão da atual política monetária vai reativar o crédito. A expressão “aumentar a arrecadação” não é das mais bem vindas em época de campanha ainda mais que o ministro não disse como será feita. Faz pensar em aumento de impostos.

Segundo ainda o “Estadão”, citando um assessor econômico de Marina – José Antonio Sant’Ana –, a candidata do PSB pensa em taxar fortunas. Sant’Ana afirmou ainda que haverá incentivos do governo para estimular os bancos privados a terem maior participação no financiamento de grandes sociais e de infraestrutura: “O crédito público para empresas deve ser complementar e não inibidor do setor privado”.

Por sua vez, um dos assessores econômicos de Aécio, Mansueto Almeida, admitiu que o candidato tucano poderá rever mecanismo do fator previdenciário, para torná-lo mais justo sem, contudo, prejudicar a Previdência Social. O fim do fator é defendido por todas as centrais sindicais e é um tabu para os candidatos.

Outros destaques

dos jornais do dia

– ATIVIDADE ECONÔMICA – A queda da produção da indústria brasileira se acentuou em agosto, na comparação com julho, mas apesar disso, o excesso de estoques no setor é o maior em mais de dois anos, de acordo com sondagem mensal da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Medida em pontos, a produção caiu para 48,2 em agosto, de 48,8 registrados em julho. Números abaixo de 50 significam retração. O recuo foi puxado pela indústria extrativa (52,8 para 50,5 pontos). O setor de transformação permaneceu em 47,1 pontos. O volume de estoque acima do planejado, ou indesejado, já estava em alta e subiu ainda mais, de 51,5 para 52,2 pontos. É o maior nível desde junho de 2012. Esse aumento foi provocado pela indústria de transformação, onde os estoques não desejados subiram de 50,6 para 51,7 pontos. Na extrativa eles caíram de 48 para 46,5 pontos.

. Diante de um cenário de juros elevados, alto endividamento das famílias e taxa de inflação pressionada, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou para baixo, pela sétima vez consecutiva, a projeção de aumento no volume de vendas do comércio varejista restrito para este ano, agora de 4% para 3,7%. Caso se confirme a estimativa da CNC, o comércio brasileiro terá o resultado mais fraco desde 2003, quando encerrou o ano com queda de 3,7% no volume de vendas – sendo que, no ano passado, as vendas do varejo subiram 4,3%, quase a metade do observado em 2012 (8,4%).

– OPERAÇÃO LAVA-JATO – No “Valor”: As empreiteiras OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e UTC/Constran serão formalmente responsabilizadas por lavagem de dinheiro pelo uso de empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef para realizar pagamentos, afirmaram ao Valor Pro investigadores da operação Lava-Jato.”Temos provas de que as maiores empreiteiras do país usaram as empresas de fachada de Youssef para lavar dinheiro de procedência ilícita”, afirma um investigador. Ele esclarece: “Não há razão para uma empreiteira ou para um consórcio como o Rnest [da obra da refinaria Abreu e Lima] ou o CNCC [Consórcio CNCC] pagarem por um serviço que de fato não existe. Por que as empreiteiras compravam notas da Rigidez e da MO Laudos? Para dar aspecto de licitude a uma operação completamente ilegal”, acusa.”Também já reunimos evidências de outros crimes como importação subfaturada de materiais, pagamento de propina e caixa dois”, relata um dos responsáveis pela investigação, que já acumula mais de 55 mil páginas e cerca de 250 volumes. Como pessoas jurídicas não podem ser responsabilizadas na esfera penal, a acusação criminal será feita com base na individualização de responsabilidades sobre os crimes praticados.

. Informou ontem o Jornal Nacional da Tv Globo que o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em sua delação premiada, disse que houve pagamento de propina no negócio da compra da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos. Costa teria admitido que ele mesmo recebeu R$ 1,5 milhão.

– TELEFONIA – Também no “Valor”: o grupo espanhol Telefónica e a controladora da GVT desde 2009, a francesa Vivendi, assinaram os termos definitivos da venda da GVT aos espanhóis, um negócio de quase R$ 22 bilhões decidido em 28 de agosto. No acordo final, ficou acertado que a Vivendi receberá € 4,66 bilhões em dinheiro, mais uma fatia de 7,4% do capital da Telefônica Vivo, equivalente a € 2 bilhões pelo fechamento do pregão de quarta-feira, e mais uma participação de 5,7% na Telecom Italia, avaliada na bolsa em € 1 bilhão. O grupo francês colocou cerca de R$ 10 bilhões no país – compra e investimentos na GVT. Levou mais do que o dobro para casa em só quatro anos.

– ARGENTINA – A Câmara do deputados da Argentina aprovou a chamada Lei de Abastecimento, que aumenta o controle do Estado nas cadeias de produção industrial e agrícola. O projeto, que já havia passado pelo Senado, recebeu 130 votos a favor, 105 contra e cinco abstenções, depois de uma longa sessão que durou mais de um dia. Assim como uma lei que existe na Venezuela, a reforma que a presidente Cristina Kirchner conseguiu aprovar fixa limites de preços e de margem de lucro, além de cotas de produção. O controle estará a cargo da Secretaria de Comércio, vinculada ao Ministério da Economia. Os empresários estarão sujeitos multas e fechamento do estabelecimento por até 90 dias e suspensão de registro para comércio de até cinco anos. Na Venezuela, a chamada Lei de Custos e Preços Justos provocou desabastecimento e criou um mercado negro de produtos de primeira necessidade.

LEITURAS SUGERIDAS

1. Mauro Paulino e Alessandro Janoni – “Marina perde votos em fatias representativas do eleitorado” – Folha 

2. Gustavo Patu – “Distribuição de renda sofre efeitos da política econômica” – Folha 

3. Luiz Carlos Mendonça de Barros – “O que dizem as pesquisas” – Folha 

4. Celso Ming – “Assim é que é” – Estadão

5. Claudia Safatle – “Ajuste de 2015 não deve poupar despesa” – Valor 

6. Fernando de Holanda Barbosa – “Sinal amarelo acendeu” – Valor 

7. Alberto Carlos Almeida – “Marina perde terreno” – Valor