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As pesquisa do Ibope e do DataFolha (esta era aguardada apenas para hoje) divulgadas ontem surpreenderam alguns analistas e os comandos de campanha tanto da presidente Dilma Rousseff quanto de Marina Silva.
Só não surpreendeu ao de Aécio Neves: mais uma queda na intenção de voto do candidato tucano já estava, como se diz no mercado, “precificada”. A expectativa da equipe do senador mineiro é que passado o primeiro “efeito” Marina aos poucos os votos oposicionistas voltem para ele.
A surpresa nos QGs petista e ambientalista foi, exatamente, o que parece ser um arrefecimento da “onda” marinista e uma retomada de fôlego da presidente. Parece ser porque a volatilidade mostrada nas duas pesquisas, quando comparadas entre si e comparadas também com os levantamentos anteriores dos dois institutos, mostra um eleitor ainda confuso.
A surpresa para Dilma, onde se imaginava que Marina poderia superá-la já no primeiro turno, foi altamente positiva. A adversária não passou como ainda Dilma subiu. Embora elas estejam em empate técnico e Marina, pelas duas sondagens, vença Dilma num hipotético segundo turno, obaixo astral que ameaçava tomar conta da campanha foi afastado.
Dilma pode ter atingido nas pesquisas anteriores o seu piso mínimo.
Do lado de Marina, ocorreu o oposto: foi um balde de água muito gelada nos marinistas que esperavam mais um bom punhado de votos para o balaio da ex-ministra do Meio Ambiente e não escondiam a quase absoluta certeza de que ela estaria caminhando para vencer até no primeiro turno. Alguns já estavam se comportando como se já estivessem na rampa do Palácio do Planalto.
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Parece haver se esgotado o “efeito manada” em direção a Marina. Os votos agora serão disputados e no pinga ponga.
A corrida ficou mais embolada – este é um fato. O outro é que, no momento, vai se consolidando a polarização entre Marina e Dilma. São fatos definitivos? Dadas as incertezas e surpresas de uma eleição como nunca se viu no país desde a redemocratização não se pode afirmar se não haverá alguma outra mudança.
A respeito do que poderia ter influenciado os resultados da pesquisa agora há muitas hipóteses que precisam ser testadas em novos levantamentos:
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1. As críticas e ataques dos adversários a Marina, principalmente apontando suas contradições e sua “inexperiência” administrativa começaram a funcionar.
2. A campanha no rádio e na televisão já produz efeitos, mesmo com baixa audiência. E, pelo tempo de que ela dispõe, está ajudando de fato Dilma. Haja vista que a avaliação do governo, que ainda de maneira incipiente subiu. E isto teria ajudado a recuperação da presidente nas pesquisas.
3. O eleitor que quer mudanças já estaria fazendo o chamado “voto útil”, o que explica que Aécio ainda esteja perdendo votos. Se esse movimento continuar, a eleição pode até ser decidida no primeiro turno.
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4. O discurso emocional, que é sempre forte para aliciar eleitores, está mais presente ainda neste momento da campanha, sobrepondo-se a qualquer tentativa de levar o debate para o campo de racional. O que ainda dá força a Marina. Sobre isto é interessante ver abaixo o que pensam os eleitores sobre alguns temas polêmicos que estão colocados para os candidatos.
5. A força de quem disputa uma reeleição, com direito à dupla exposição (como governante e como candidata) e toda a estrutura que isso proporciona não pode ser superestimada. Quando a máquina começa a se mover… Ontem mesmo, em reunião na Confederação dos Trabalhadores na Agricultura a presidente anunciou um aumento de 200% no limite de crédito para jovens no campo.
De todo modo, mesmo com o alívio, a campanha de Dilma dá sinais de que está preocupada com as avaliações de seu governo, especialmente no que tange a falta de confiança na economia e o desejo de mudança das políticas atuais.
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Tanto que ontem a presidente já mudou de tom. Antes, apegava-se na defesa de sua política econômica, na linha de que o que está sendo feito é o correto. Agora (em Belo Horizonte) admite que um segundo mandato trará “atualização das políticas” e das “equipes” de governo.
Informa a jornalista Vera Rosa, em “O Estado de S. Paulo”, que a ordem é anunciar compromissos com uma nova política econômica e industrial. Diz a repórter, ainda, que não está descartada a edição repaginada, de uma nova “Carta aos Brasileiros”, como a que Lula escreveu em 2002 para acalmar mercados e empresários.
Os riscos dos candidatos, agora, são mais os ruídos e tropeções que eles mesmos podem ter. De todo modo, as campanhas “negativas” ainda vão permanecer nos próximos dias. Há convicção de que o processo de “descontrução” da imagem de Marina está sendo eficiente.
Os temas polêmicos
na campanha
A pesquisa do Ibope levantou também a opinião dos eleitores sobre alguns temas polêmicos que têm aparecido no debate ou devem aparecer até o fim da campanha e aos quais os candidatos tratam com extremo cuidado.
Um exemplo do que muitos chamam de “fios desencapados” foi a errata que a ex-ministra Marina Silva viu-se forçada a fazer no texto de seu programa na questão da homossexualidade.
Aparece na pesquisa um eleitor conservador de um modo geral: o maior apoio é à maioridade penal aos 16 anos; a maior resistência à legalização do aborto. Vamos a alguns deles:
1. Privatização da Petrobrás – Favor: 22% / Contra: 59% / Não sabe: 19%
2. Pena de morte – 46% / 49% / 5%
3. Legalização do aborto – 16% / 79% / 5%
4. Casamentos pessoas do mesmo sexo – 40% / 53% / 7%
5. Legalização da maconha – 17% / 70% / 4%
6. Voto obrigatório – 33% / 64% / 3%
7. Maioridade penal para 16 anos – 83% / 15% / 2%
8. Bolsa família – 75% / 22% / 3%
As eleições para
os governos estaduais
Na maioria dos principais Estados, como mostra a pesquisa do DataFolha, a disputa também está mais acirrada, embora em alguns haja sinais de vitórias no primeiro turno.
São Paulo – Alckmin: 53% (55% antes) / Skaff: 22% (16%) / Padilha: 7% (5%). Decisão em 1º turno, ampla vantagem para o tucano – reeleição quase certa.
Rio de Janeiro – Garotinho: 28% (23% antes) / Pezão: 18% / Crivella: 18% / Lindbergh: 11%. Segundo turno, mais provável entre Garotinho e Pezão.
Pernambuco – Paulo Câmara: 36% (antes 13%) / Armando Monteiro: 36% (47%). Primeiro turno e, pela arrancada, está mais para Câmara, candidato de Eduardo Campos.
Rio Grande do Sul – Ana Amélia: 39% (antes 39%) / Tarso Genro: 31% (30%) / Ivo Sartori: 10% (10%). Segundo turno, com vantagem, segunda a pesquisa, para a senadora com 49% contra 39% de Tarso.
Minas Gerais – Fernando Pimentel: 32% (antes 29%) / Pimenta da Veiga: 24% (16%). Segundo turno com vantagem do petista Pimentel sobre o tucano Pimenta por 41% a 28%.
Entre cruzes
e caldeirinhas
Os comentários mais usuais sobre a decisão do Copom de manter a taxa Selic inalterada em 11%, aliás como era a previsão generalizada, são de que o Banco Central ficou apertado entre três dilemas e acabou optando pela acomodação:
1. A inflação ainda resistente
2. O PIB fraco
3. Os interesses político-eleitorais do governo.
Mais esclarecimentos são aguardados na Ata do Copom, quinta-feira que vem. O BC não quer gerar nenhum ruído.
O comunicado do Copom, no tradicional “bancocentralês” produz mais de uma interpretação sobre como ele está vendo o movimento da economia e quais serão seus próximos passos.
A próxima reunião será depois da eleição no primeiro turno, mas antes do provável segundo turno. São dados a considerar, pois o jogo eleitoral está pesado.
Amanhã sai a inflação de agosto. A previsão é a de que, anualizada, passará ligeiramente do teto da meta de 6,5%.
E a presidente Dilma Rousseff (na nota primeira) já começou a acenar com mudanças na economia: na política e na equipe.
Outras notícias
dos jornais do dia
– AVALIAÇÃO DO GOVERNO NA ECONOMIA – As notas do mercado financeiro para avaliação da gestão do Ministério da Fazenda e do Banco Central desde o início da série Termômetro Broad, lançada em março pela Agência Estado com o objetivo de captar o sentimento de economistas e analistas financeiros em relação à equipe econômica. Numa escala de zero a dez a nota da Fazenda recuou em agosto de 2,9 para 2,3 e a do BC de 5,1 para 4,8. Foram ouvidas 50 instituições.
– CONTAS PÚBLICAS – Na “Folha”: o Ministério da Fazenda apresentou proposta para pagar, em 30 meses, uma dívida de R$ 10 bilhões com o FGTS. O valor se refere à multa adicional de 10% criada em 2001 para cobrir dívida do fundo com trabalhadores lesados por planos econômicos e que está engordando as contas do Tesouro desde 2008. Os valores recolhidos até aquele ano foram suficientes para cobrir as despesas com o fundo referentes à correção de planos da década de 1980. Mesmo assim, o governo manteve a multa adicional sobre demissões sem justa causa, paga pelas empresas, mas deixou de fazer o repasse ao FGTS, utilizando os recursos para fazer superávit primário.
– PETRÓLEO – A Petrobras bateu, em agosto, recorde de produção de petróleo no Brasil. A empresa registrou um novo aumento de produção no país, o sétimo aumento mensal consecutivo. De acordo com Graça Foster, os dados de agosto, ainda não consolidados, “beiraram” os 2,1 milhões de barris diários. “[A produção de] agosto certamente foi muito melhor [do que a de julho]. Batemos também um novo recorde no pré-sal”, disse ela. A Petrobrás fixou como meta para este ano o aumento de 7,5% da produção de óleo no país, em relação a 2013, com margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou para menos.
– ENERGIA ELÉTRICA – Informa o “Valor” que, pressionada por mais uma derrota nos tribunais, a Santo Antônio Energia já fala em “colapso” de sua situação financeira e diz que pode ficar com uma conta explosiva de R$ 4,2 bilhões até 2021 caso suas justificativas para o suposto descumprimento do contrato de concessão não sejam acolhidas. O consórcio construtor da usina já começou a demitir e ameaça parar a obra nos próximos dias. Segundo o TCU, o atraso nas obras do setor já dá prejuízos de R$ 8,3 bilhões ao país.
LEITURAS SUGERIDAS
1. José Roberto de Toledo – “Onda bate na presidente e não avança” – Estadão
2. José Paulo Kupfer – “Estagnação tira inflação e Copom do centro do palco” – Estadão
3. Mauro Paulino e Alessandro Janoni – “Quadro se estabiliza, e espaço para variações cai” – Folha
4. Merval Pereira – “A resiliência de Dilma” – Globo
5. Ribamar Oliveira – “Proposta orçamentária terá de ser refeita” – Valor
6. Cristian Klein – “O enigma de Marina e o piso de Dilma” – Valor