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Independentemente do número dos participantes das passeatas de ontem – há avaliações para todos os gostos, de um milhão a dois milhões – a manifestações contra o governo foram significativas. E seu alcance, talvez não no número máximo, já podiam ser previstas a partir das convocações nas redes sociais e do “panelaço” de domingo retrasado por ocasião da discurso da presidente Dilma Rousseff pelo Dia Internacional da Mulher.
Porém, o governo subestimou essa possibilidade, como sempre calculando que seria uma manifestação de grupos específicos – a chamada “elite branca” – e não um movimento da sociedade de maior alcance. Subestimou e estava mal informado. Como registram os jornais, cujo noticiário é dominado pelo evento político de domingo, subestimou por falha nos seus serviços de informações e por uma certa soberba da equipe da presidente.
Somente no início da tarde, constatou a cobertura da mídia eletrônica e impressa, quando a avenida Paulista em São Paulo começou a se encher, a presidente e conselheiros acordaram. Daí a evidente improvisação da entrevista coletiva da dupla de ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Relações Institucionais). Os dois não entoaram a mesma canção.
Enquanto Cardozo procurava dar um sentido mais institucional à reação, Rossetto foi mais partidário, considerando que o movimento foi coisa das pessoas que não votaram em Dilma. Isto nada ajuda numa necessária conciliação, pois como registram alguns analistas, a saída para a crise política precisa ser negociada institucionalmente. Impossível resolver o impasse com o manjado “nós contra eles”. Principalmente depois da a passeata de ontem, contra o governo, reuniu pelo menos o dobro dos manifestantes da passeata a favor de sexta-feira.
E mesmo a passeata a favor tinha críticas ao governo, pelas medidas do ajusta fiscal. E que devem se repetir na quarta-feira, em Brasília, em frente ao Congresso Nacional, em manifestações promovidas pelas centrais sindicais para defender mudanças nas mudanças no seguro desemprego, em benefícios da previdência e na contribuição das empresas para a previdência.
São prenúncios de que na vida real as dificuldades do governo para levar adiante a reforma fiscal continuam grandes. Comemorou-se, na semana passada que o governo, depois de aceitar mudanças na correção da tabela do Imposto de Renda, conseguiu manter o veto da presidente Dilma ao reajuste de 6 ,5% aprovado pelo Congresso. Conseguiu, mas só faltaram 18 votos para derrubar o veto na Câmara. E os votos pelo queda do veto foram muito maiores do que os a favor.
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O Palácio do Planalto terá de fazer grande esforço para aprovas as novas regras de correção do IR, escalonada por faixas de renda, com índices de 4,5% a 6,5%. Ciente disso e das dificuldades com as medidas do ajuste fiscal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, continua com seu périplo de conversas com parlamentares e partidos. Amanhã tem reunião com a bancada do PT.
Na área econômica, a informação mais importante da semana, da “Folha de S. Paulo” indica que o governo desistiu de taxar as grandes fortunas e vai buscar mais recursos na taxação maior das heranças.
Os movimentos de domingo, é impressão unânime, vão ampliar as dificuldades do governo na relação com seus partidos na base aliada. O político tem os dois olhos na rua. E a rua está aquecida. Não se deve descartar que a presidente Dilma atenda sugestão do presidente Lula e comece mudando o ministério.
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Mas Dilma é sempre uma incógnita. E a primeira resposta do governo ao domingo das ruas foi pífia. Como anotam os jornais, com mais do mesmo, com velhas promessas recicladas: ampliar o diálogo com a sociedade e o Congresso, reforma política e projetos para combater a corrupção.
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