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Três temas dominam o noticiário da imprensa hoje, com destaque para os dois primeiros:
- As reações do governo às grandes manifestações de domingo.
- O caso Petrobrás, com novas prisões, novos indiciamentos e novas revelações sobre a distribuição de propinas.
- O esforço do ministro Joaquim Levy para convencer políticos e partidos aliados a aprovarem as propostas de ajuste fiscal, sem desfigurá-las demais.
No primeiro caso, há uma nítida mudança de posição do Palácio do Planalto em relação ao domingo e às suas posições anteriores. Duas palavras entraram no vocabulário governista: humildade e diálogo.
Depois de uma reunião no Palácio do Planalto com o vice-presidente Michel Temer e nove ministros, o governo enfim passou a admitir, na fala direta dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Eduardo Braga (Minas e Energia), que há realmente uma grande insatisfação na sociedade.
E que não há saída para a crise com um governo isolado, autista, autosuficiente. Não foram bem essas as palavras deles, mas esse o tom da interpretação tanto no mundo político quanto em parte da mídia. Curioso é que Dilma trocou o ministro Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) por Braga na dupla que foi dar entrevista para falar ainda das manifestações.
Depois foi a própria Dilma, num estilo que não é o dela normalmente, tentando ser informal ao modo Lula, quem fez um pronunciamento e respondeu a algumas perguntas dos jornalistas. Falou também em humildade, diálogo. Defendeu com mais ênfase o ajuste fiscal. E até ensaiou admitir alguns possíveis equívocos na dosagem das medidas econômicas do passado. Erro mesmo admitiu apenas no Fies.
Mas foi a Dilma de sempre ao ser instada a explicar se, ao falar de humildade para a realização do diálogo, estava reconhecendo que não havia sido sempre humilde. Explicou que falava em humildade dos interlocutores e se alguém apontasse que algum dia ela não foi humilde, assumiria. Mas não sentia que algum dia tivesse falhado.
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Presidente isolada?
Foi um dia político muito agitado. Os aliados, a começar pelo PT, ficaram assustados com as manifestações de domingo. E não saíram abertamente em defesa da presidente, que ainda parece isolada com seu restrito grupo. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por exemplo, disse que a corrupção, um dos motores das manifestações de domingo, está no Executivo. José Guimarães, líder do PT na Câmara, avisou: “Ou fazemos mudanças ou as ruas nos engolem.”
À noite, Lula e o presidente do PT, Ruy Falcão e mais ministros do partidos reuniram-se com Dilma no Palácio da Alvorada para buscar saídas para a situação. Crescem as especulações sobre reforma ministerial. Para mudar a coordenação política e dar mais espaço para o PMDB.
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Dilma pediu uma trégua para aprovar o ajuste fiscal; “Vamos brigar depois”. A oposição não se manifestou, embora o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em ampla entrevista ao “Valor Econômico”, diga que se a presidente “achar que é o momento de me chamar, deve ser público, não é hora para conchavo”.
FHC diz também “que os panelaços mostram que não é o governo que está surdo para a sociedade, mas é o inverso; é grave isso”. E ainda: “Não é crível que Lula e Dilma não soubessem.”
Os aliados estão dispostos a apoiar sem compensações? E a sociedade? Ontem, enquanto o Jornal Nacional reproduzia trechos da entrevista da presidente, em pelo menos cinco capitais registraram-se panelaços em alguns bairros.
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O cerco no caso Petrobrás aperta
Foi um dia agitado também no caso Lava-Jato. Logo pela manhã, quando Brasília ainda curtia a ressaca do domingo, deflagrou-se a décima etapa da operação, com uma nova rodada de prisões de suspeitos de envolvimento nas falcatruas da estatal.
O susto que agitou a capital e o PT foi a prisão, pela segunda vez, do diretor da Petrobrás, Eduardo Duque, considerado um dos peixes grandes do esquema de propina na empresa e apontado como o operador do PT no processo. Há, por exemplo, várias denúncias de que “troca” de favores entre Duque e o tesoureiro do PT, João Vaccari. Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo Correa, em delação premiada, relatou a entrega de R$ 10 milhões em propina a Vaccari.
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Há temores de que Duque, fragilizado pela nova prisão, possa seguir os passos de outro ex-diretor da estatal preso, Paulo Roberto Costa, e apelar para a delação premiada como foram de diminuir suas penas.
Outra ação dos responsáveis pela investigação do petrolão foi o pedido, do Ministério Público Federal, do indiciamento à Justiça Federal do Paraná de 27 suspeitos de envolvimento no esquema, entre eles Vaccari e Duque.
Com as delações premiadas de alguns empresários detidos, novos indiciamentos podem ser pedidos nos próximos dias, tanto envolvendo pessoas “comuns” como autoridades com fórum especial.
Os procuradores da República no Paraná estão descrevendo com minúcias o esquema montada na estatal para transformar dinheiro de propina em contribuições partidárias e eleitorais aparentemente legais.
As pregações de Joaquim Levy
Em sua cruzada para convencer os políticos e parte da sociedade a aceitarem os sacrifícios do ajuste fiscal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, atacou ontem em duas frentes. Em Brasília, pela manhã, conversou com a bancada do PT no Congresso. À tarde, em São Paulo, reuniu-se com empresários na Fiesp.
A bancada do PT está assustada com as medidas que considera impopulares, influenciada não só pelos movimentos de rua, mas também pelas resistências dos sindicalistas, especialmente da CUT, frente petista no movimento sindical. Os sindicalistas, por exemplo, planejam uma manifestação amanhã em frente ao Congresso contra as medidas de Levy.
Levy apresentou o argumento que até a presidente Dilma passou a repetir: é preciso fazer o ajuste para a economia voltar a crescer. A bancada petista ouviu, mas quer compensações. Defende o genericamente o aumento do imposto sobre os riscos para diminuir a carga sobre o trabalhador. Ficou claro que o governo terá de fazer alguma concessões.
Na Fiesp, que na semana passada firmou um acordo com as centrais sindicais para combaterem juntos os aspectos que eles consideram mais danosos na correção das contas públicas, ele disse que na atual situação o Brasil não suporta mais medidas de estímulo à economia. A maior queixa de industria e comércio contra o pacote de Levy é o corte dos incentivos, além do aumento de impostos.
O ministro da Fazenda saiu do encontro otimista, apesar de ter ouvido muitas queixas dos empresários. O anfitrião da reunião, o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, por exemplo, concordou com a necessidade do ajuste defendido pelo ministro, mas disse que não há unanimidade a respeito da forma como realizá-lo. E é aí que a vaca tosse.
Outros destaque dos jornais do dia
– PETROBRÁS/DÍVIDA – De 2012 ao final de 2014 a dívida a Petrobrás passou de R$ 181 bilhões para R$ 382 bilhões. A relação entre dívida e patrimônio da companhia subiu de 31% em 2013 para 43% em 2014. (“Folha”)
– ATIVIDADE ECONÔMICA – O Banco Central deu ontem uma indicação do forte ritmo de queda da economia no início de 2015. Considerado uma prévia do PIB, o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) apontou um recuo de 0,11% em janeiro em relação à dezembro, já descontados os efeitos sazonais–como o número diferente de feriados. É o pior começo de ano desde 2012, quando houve uma retração de 1,34% na economia.
– ATIVIDADE ECONÔMICA II – O mercado de carros novos continua sem sinais de reação eacumula no ano,até a primeira quinzena de março, queda de 19,3% nas vendas em relação a igual período de 2014. No acumulado do ano, foram vendidos até agora 537mil veículos, ante 665,9 mil em igual intervalo do ano passado. Na primeira metade de março, foram emplacados 97,3 mil veículos, 7,5% menos em relação ao mesmo período de fevereiro.Em relação a março,os dados preliminares do mercado apontam para alta de 3,5%, mas o motivo é o menor número de dias úteis naquele mês, que teve o feriado de carnaval. (“Estadão)
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