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O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas, divulga hoje o Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores, com estatísticas sobre a inflação prevista pela população nos 12 meses seguintes da data de coleta sobre a tendência da inflação para o mesmo período.
Este é um dado importante do que se chama de “sensação de bem estar” da população, apontado como um dos principais fatores a influenciar as decisões dos eleitores em outubro. Quanto maior esta sensação, maior apoio aos que estão no governo – e vice versa.
Nos últimos meses, vários desses sinais, medidos pelas expectativas de diversos agentes econômicos, vêm se deteriorando. Ontem mesmo três deles foram divulgados, de com tendências negativas:
1. A prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI) de julho da GV caiu 3,2% na comparação com junho e atingiu 84,4 pontos, menor nível desde abril de 2009.
2. A projeção do aumento no volume de vendas do comércio varejista restrito (sem veículos e materiais de construção) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) foi revisto para baixo, pela quinta vez consecutiva, de 4,5% para 4,4%, muito próximo da expansão de 2013 (4,3%).
3. Pelo sétimo mês consecutivo caiu indicador que mede o nível de atividade da indústria da construção: ficou em 44,5 pontos em junho contra 45,8 pontos em maio. Também se reduziu o índice que mede o número de empregos – 45,3 pontos ante 45,5. Números inferiores a 50 pontos indicam retração. As informações são da CNI.
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Na área de salários também o quadro está menos positivo que nos últimos anos – o reajuste de salários está perdendo fôlego. Cairam pela metade, de acordo com o Dieese, os ganhos reais dos pisos salariais (acima da inflação) negociados em 2013 em relação a 2012 – 2.8% contra 5,68%. A tendência este ano é de um ligeiro recuo.
Algumas dessas tendências poderão ser medidas hoje na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) que o IBGE, em princípio, deve divulgar hoje. A previsão é de que não haverá alterações negativas.
Teremos também a Ata do Copom com prováveis indicações de como o Banco Central vai se comportar com os juros em sua reunião do início de setembro – se fica quietinho ou se, como é um desejo incontido no lado político do governo, inverte os sinais e reduz a Selic.
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Do ponto de vista econômico as indicações apontam para alguns meses ainda de economia em banho maria.
Do ponto de vista político, cabe pergunta que vale “um milhão de dólares” nos comitês de campanha: a situação para de piorar e começa a melhorar ou ainda não se chegou ao fundo do poço?
Duas versões sobre a economia no Dilma II
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Apesar de todos os sinais de que a economia brasileira está com seus sinais vitais prejudicados e das críticas cada vez mais acentuadas do meio empresarial (o pessoal que produz) à condução atual da economia, o presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Dilma Rousseff, Rui Falcão,garantiu, em entrevista ao “Valor Econômico”, que se reeleita ela não vai fazer mudanças:
“A presidente vai manter os pilares que temos garantido até hoje. Por um lado consumo, emprego, salário e distribuição de renda, e de outro prioridade aos programas sociais. São os dois pilares da nossa política econômica.”
As declarações de Falcão contrariam em parte informações esparsas que têm saído nos últimos dias, de fontes não identificadas de diversas origens, dando conta de que já se admite internamente no governo que houve equívocos na gestão da economia e que isso será corrigido em um segundo mandato.
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A própria Dilma, de forma indireta, já deu indicações nesse sentido. E o ex-presidente Lula tem feito chegar recado idêntico aos empresários, inclusive com sinais de que será muito mais ativo num governo Dilma II do que foi no primeiro.
O PMDB tem a força
Para desconforto dos petistas Alexandre Padilha em São Paulo e Lindbergh Farias no Rio de Janeiro, a campanha da presidente Dilma Rousseff está cortejando mais firmemente os adversários do partido em São Paulo, Paulo Skaff, e no Rio de Janeiro, Luis Fernando Pezão, ambos do PMDB.
A pedido da presidente, Pezão organiza hoje à noite no Rio, na populosa e pobre região da Baixada Fluminense, um jantar de Dilma com prefeitos do PMDB e até de outras legendas para um ato eleitoral. Pouco mais de um mês atrás Pezão havia feito o mesmo para o candidato tucano Aécio Neves.
Os petistas do Rio, à frente o candidato ao governo e o presidente regional do PT Washington Quaquá ficaram furibundos. Quaquá ameaça até com punição os prefeitos da legenda que ousarem aparecer no evento, para ele um evento da campanha de Pezão não da de Dilma. Lindbergh limitou-se a desejar boa sorte a Dilma. Pezão oficialmente tem o apoio do PSDB.
Os operadores eleitorais de Dilma querem que o PMDB promova um evento forte da campanha para Dilma em São Paulo também. Michel Temer foi escalado para organizar.
O candidato peemedebista ao Palácio dos Bandeirantes, porém, resiste bravamente. Paulo Skaff ontem mesmo voltou a dizer que o palanque de Dilma em São Paulo é o PT. E que ele é um candidato “independente”. Independente do governo federal e do governo estadual.
Como já se disse, o PMDB paulista tem medo de se contaminar com a rejeição da presidente no Estado e na capital. Temer vai ter de exercer sua autodecantada capacidade de mover montanhas. Afinal, ele é vice de Dilma. A solução parece ser um meio termo, fazer uma festa, mas mais escondida. O PMDB estaria preparando um comício no interior, na cidade de Jales, na segundaquinzena de agosto, para aparecer ao lado de Dilma. Na capital e na Grande São Paulo não há sinais disso.
O PMDB (aliás, todos os aliados) já foram o “patinho feio” da campanha de Dilma – até as pesquisas mostraram que a reeleição não seria o passeio que o PT alimentava que seria. Antes serviam apenas para fornecer tempo na televisão. Agora estão virando parceiros. Já estão sendo consultados, o que não tinha acontecido até semana passada e praticamente não aconteceu em 2010.
Como o PMDB é o maior de todos, a preferência é dele. Michel Temer passou a ser ouvido e foi chamado para gravar participação no programa de televisão da presidente. Na eleição anterior ele só apareceu na reta final, quando a eleição já estava praticamente definida – e mesmo assim depois de muita reclamação do PMDB.
A campanha de Dilma quer também mais “sinergia” com as candidaturas estaduais peemedebistas em outros Estados, mesmo às custas de atritos com petistas e outros aliados (no Rio, Garotinho e Crivella também não gostaram da festa só com Pezão).
Em alguns Estados porém é problema. Na Bahia, onde a oposição está crescendo, é difícil demais a conversa, pois o PMDB está associado a um candidato do DEM e com o apoio do PSDB. E na eleição passada os peemedebistas de lá se sentiram traídos por Lula e Dilma.
No Ceará até daria para um bem bolado com o senador Eunício de Oliveira o candidato peemedebista, embora o senador da chapa seja o tucano Tasso Jereissati, tucano detestado por Lula. O nó aí é que qualquer aproximação muito explícita pode fazer explodir o pavio curto dos irmãos Ciro e Cid Gomes.
Um ponto para Dilma
Não há uma medida exata sobre o quanto, no Brasil, denúncias de corrupção influenciam o voto do eleitor médio. Mesmo assim, histórias de “malfeitorias” de partidos e candidatos sempre têm espaço nas campanhas eleitorais brasileiras, com maior ou menor ênfase. Nesta não será – não está sendo – diferente. Os ensaios já estão a indicar.
Segundo informa o “Painel” da Folha de hoje o PT tem pesquisas internas de que o revival do mensalão ano passado e este ano, com o julgamento no STF e depois a prisão dos acusados, é responsável pelo alto índice de rejeição do partido em São Paulo.
Sob esse aspecto, foi auspiciosa para a campanha de Dilma Rousseff a decisão do Tribunal de Contas da União de não incluir a presidente na lista de denunciados na compra irregular da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.
Ela presidia o Conselho de Administração da Petrobrás na época. O TCU indiciou apenas diretores executivos da empresa. Isso esfria as duas CPIs do Congresso e também tira discurso da oposição.
Enquanto isso, o PT trabalha para explorar bem as denúncias a respeito da construção de um aeroporto em terras de um tio de Aécio Neves em Cláudio, Minas Gerais, e sobre suposta tentativa de compra de apoio do PROS em Pernambuco pelo PSB de Eduardo Campos.
A conta que não quer fechar
A leitura dos dados desagregados da arrecadação federal no primeiro trimestre (Valor) mostra que os efeitos da baixa atividade econômica estão causando estragos maiores que os imaginados nas contas do Tesouro.
De acordo com a reportagem, se descontada a arrecadação da Previdência Social (aumento de 1,74% em relação a junho de 2013 e 2,20% no primeiro trimestre de 2014) o governo recebeu 0,75% a menos do que no ano passado.
E sem os projetados R$ 18 bilhões do Refis haveria uma queda de 1,2% na receita. O programa foi recentemente turbinado para atrair mais interessados em refinanciar suas dívidas com o fisco.
As desonerações fiscais também estão pesando mais do que o previsto. E sem chances de revisões no caso das folhas de pagamento porque recentemente foram tornadas permanentes num recente pacote de bondades anunciado pela presidente Dilma Rousseff para reconquistar a simpatia dos empresários.
A partir desses dados, analistas reforçam a impressão de que o cumprimento da meta de superávit primário deste ano dependerá cada vez mais de receitas extraordinárias e mágicas fiscais.
LEITURAS SUGERIDAS
1. Jânio de Freitas – “São números ao vento” (sobre pesquisas eleitorais) – “Folha de S. Paulo”
2. Vinicius Torres Freire – “O PIBinho afeta salários” – “Folha de S. Paulo”
3. Editorial – “Haja criatividade” (sobre as contas públicas) – “O Estado de S. Paulo”
4. Reportagem – “Para ONU, Brasil é exemplo de como evitar retrocessos em ganhos sociais” – BBC Brasil
5. João Feres Junior – “As alianças e os votos” – “O Globo”
6. Miriam Leitão – “Futuro do empréstimo” (sobre situação financeira do setor elétrico) – “O Globo”
7. Alex Ribeiro – “Os otimistas do BC e os pessimistas do mercado” (sobre o PIB potencial) – “Valor Econômico”
8. Adriano Pires – “Tempos ruins e saídas difíceis para o setor elétrico” – “Valor Econômico”