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A avalanche de pesquisas das últimas semanas (e muito mais ainda teremos até o dia das eleições), mesmo considerando-se as diferenças de metodologia e outras entre os diversos institutos, trazem uma coisa em comum: as principais variações dos candidatos estão dentro das margens de erro, mas todos apontado uma mesma tendência – o reforço da candidatura Dilma Rousseff, a perda de substância da candidatura de Marina Silva e a estagnação da candidatura Aécio Neves.
Assim, cristaliza-se a convicção de que o segundo turno presidencial será mesmo disputado entre Dilma Rousseff e Marina Silva. Agora, porém, numa situação muito menos favorável à concorrente do PSB do que ela tinha um mês atrás, quando produziu os primeiros abalos na corrida sucessória: de lá para cá, segundo o Ibope, ela perdeu seis pontos na intenção de votos para a segunda rodada.
A pesquisa de ontem do Ibope mostra, pela primeira vez desde que Marina é oficialmente candidata, um empate absoluto – 41% a 41% – entre a ambientalista e a petista. Nas sondagens anteriores do mesmo instituto e de outros, Marina sempre aparecia vencendo Dilma na segunda rodada, ainda que na margem de erro.
Com base nessas avaliações, a campanha de Dilma, que já tinha certeza de que esta estratégia tinha sido eficiente, vai esquentar ainda mais os ataques à adversária. Segundo informa a coluna Painel, da “Folha de S. Paulo”, a petista “vai deixar as promessas de lado e usar hoje todo o seu espaço no rádio para radicalizar os ataques à adversária Marina Silva (PSB). A petista levará ao ar seis novas peças de propaganda que acusam a ex-senadora de mudar de ideia em temas como transgênicos, pré-sal e revisão da Lei da Anistia. Um dos spots traz uma música em ritmo de marchinha de Carnaval: ‘A Marina vai com as outras, a Marina volta atrás. Ela joga pra torcida, depois vê como é que faz.’”
Curioso é que, segundo o Ibope, 74% dos eleitores desaprovam campanhas com ataques aos adversários.
A campanha de Marina promete também endurecer mais e partir para o ataque direto a Dilma. Aliás, já começou ontem tentando associar mais o governo Dilma à corrupção. A Petrobrás será um dos focos, naturalmente.
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Mais bondades
no ar da economia
Às vésperas da eleição, o governo continua abrindo seu saco de bondades para agradar aos empresários. Faz ataques no atacado, nos programas de televisão nas críticas a Marina Silva, e bondades no varejão.
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá anunciar na próxima segunda-feira, dia 29, novos estímulos às exportações de manufaturados. Um deles poderá ser o aumento do Reintegra de 3% para 3,5% ou 4%. A porcentagem de 3% foi anunciada há apenas uma semana aos empresários. Poderá haver ainda ampliação dos financiamentos às exportações e mudanças no sistema de drawback.
Na mesma linha, o governo desistiu de vez de aumentar este ano o imposto sobre cervejas, refrigerantes e bebidas frias em geral. Inicialmente, o aumento seria em junho, mas foi adiado para não prejudicar as vendas na Copa do Mundo, segundo explicações da época. Ficou para setembro. Agora, vai para o ano que vem, sob a alegação de que está sendo discutida antes uma mudança no modelo de tributação do setor. Um Grupo de Trabalho foi instalado para estudar o assunto.
A observação geral é que o governo está abrindo mão de receitas num momento em que suas contas estão cada vez mais delicadas. Ontem o Tesouro Nacional anunciou que a arrecadação de agosto deste ano foi 5,56% mais alta, em termos reais, ou seja, descontada a inflação, do que a de um ano atrás. Mas foi 4,73% mais baixa do que a de julho.
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E o resultado só foi deste tamanho graças à entrada de recursos extraordinários do Refis da Copa de R$ 7,1 bilhões. Mesmo assim, houve uma frustração do Refis: Guido Mantega havia anunciado esperar pelo menos R$ 13 bilhões neste item em agosto.
Calcula Ribamar Oliveira, do jornal “Valor Econômico”, que, se retirada a arrecadação do Refis da Copa da contabilidade do Tesouro no mês passado, agosto teria registrado o quarto mês consecutivo de queda na arrecadação federal.
As dificuldades de caixa do Tesouro são imensas. Para cobrir, por exemplo, o aporte de R$ 3,5 bilhões aos cofres públicos, o Fundo Soberano, informa o “Valor”, terá de vender ações do Banco do Brasil que tem em seu porfólio.
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O “Valor” traz hoje também uma detalhada reportagem com economistas de diversas linhas sobre a questão das contas públicas (“PIB em queda ameaça cortes em gastos fiscais” e “Economistas de candidatos prometem ajuste fiscal escalonado”). A conclusão é óbvia: vai ser preciso apertar
Flancos expostos
na campanha
A presidente Dilma Rousseff viajou aos Estados Unidos, para participar da Cúpula do Clima e da abertura da Assembléia Geral da ONU ontem e hoje, aconselhado por seus marqueteiros, que viram nesta exposição externa da presidente ótima fonte de imagens para a campanha presidencial.
Com a campanha pegando fogo, a viagem não se justificaria, a não ser por esta circunstância – imagens e discursos triunfais para o horário eleitoral.
Porém, por razões ainda inexplicadas, fora dos cálculos dos estrategistas da campanha oficial, Dilma acabou escorregando e abrindo dois flancos que vão ser devidamente explorados pelos adversários.
O primeiro foi a recusa de assinar o principal documento da Cúpula do Clima, a “Declaração de Nova York sobre florestas”.
Segundo a “Folha de S. Paulo”, o Brasil não aderiu por discordar do compromisso de desmatamento zero. O governo considera que a questão não precisa ser decidida agora, e há ainda resistências à linguagem não diplomática do texto.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, alega que o país não foi convidado para a preparação do texto. Disse que uma cópia foi enviada só no final de agosto. A organização do documento diz que tentou engajar o Brasil, sem sucesso. Em seu discurso no evento Dilma destacou os avanços do país na questão do desmatamento.
Este é um prato cheio para a exploração da candidata ambientalista Marina Silva, que já bate firme na adversária classificando a decisão brasileira de “lamentável”. Sobre questões ambientais, principalmente as ligadas às licenças para hidrelétricas, Marina e Dilma sempre divergiram. Foi esta a principal razão da saída de Marina do governo Lula.
De acordo a ex-ministra, o governo da petista promove “um grande retrocesso” e desenvolve “políticas erráticas” na área ambiental.
O segundo flanco exposto por Dilma foi sua declaração condenando o ataque dos Estados Unidos na Síria para minar as forças do Estado Islâmico (EI). É uma situação extremamente delicada, as posições brasileiras nessas questões do Oriente Médio desde o governo Lula sempre foram muito polêmicas, e certamente a posição de Dilma vai gerar muitas críticas externas e internas.
A sorte do QG de Dilma é que política externa é tema totalmente marginal nas campanhas eleitorais no Brasil. Como se diz no meio político, é daqueles que não dão nem tiram voto. Mas o debate ambiental tem repercussão.
Outras destaques
dos jornais do dia
– ENERGIA ELÉTRICA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta terça-feira que a decisão do governo de reduzir a previsão de gastos com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) pode causar aumento das tarifas de energia elétrica. Ontem, o governo reduziu em R$ 4 bilhões (de R$ 13 bilhões para R$ 9 bilhões) a projeção de despesas com a CDE, a fim de compensar a previsão de arrecadação menor este ano. Também houve redução de R$ 2,2 bilhões na previsão de despesas com pessoal. Hoje, o ministro disse que não sabe exatamente o detalhe da CDE, mas que, provavelmente, isso será repassado “mais para a tarifa e menos para a transferência do governo”.
-TELEFONIA MÓVEL – A Oi não vai participar do segundo leilão de internet 4G no país, marcado para o dia 30 deste mês. Com a decisão, a operadora será a única grande do setor fora da disputa. Em comunicado publicado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa afirmou já ter infraestrutura disponível “para atender à crescente demanda por dados móveis” de seus clientes. Para analistas, no entanto, por trás da decisão também há preocupação da empresa com seu alto nível de endividamento, que é de R$ 46 bilhões. A medida ainda reforça a avaliação de que a Oi planeja a fusão com a TIM. Em agosto, a Oi informou ao mercado ter contratado o banco BTG Pactual para viabilizar uma proposta de aquisição de participação indireta da Telecom Italia na TIM –que recentemente perdeu a disputa com a espanhola Telefónica pela compra da GVT. A desistência da Oi pode comprometer o plano de governo de arrecadar pelo menos R$ 8 bilhões no leilão da banda 4G.
– COMÉRCIO EXTERIOR – No “Valor”: resultado da recessão e do aumento das restrições do governo argentino à entrada de produtos estrangeiros no país, as importações da Argentina registraram um recuo de 20% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2013. O Brasil foi o país mais afetado, como efeito, principalmente, da queda de pedidos da indústria automobilística. As compras de produtos brasileiros recuaram 40% frente a agosto de 2013. A União Europeia foi a segunda região que mais sofreu, com queda de 30%. As importações totalizaram US$ 5,7 bilhões. Além do efeito do setor automotivo, a conjuntura recessiva levou a uma diminuição na demanda pela importação de energia e combustíveis.
– OPERAÇÃO LAVA-JATO – Ainda no “Valor” – A força-tarefa da Lava-Jato deverá ouvir responsáveis de instituições financeiras sobre suspeita de conivência com esquema ilegal de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de operações de câmbio e importações fictícias realizadas por empresas de fachada e desmontado pela investigação. Diretores e funcionários de áreas técnicas de bancos privados e um estatal poderão ser convocados a prestar esclarecimentos sobre indícios de co-participação de instituições com o esquema bilionário de movimentação de recursos rastreado na operação Lava-Jato. A força-tarefa poderá ouvir representantes dos bancos Bradesco, Itaú-Unibanco, Santander, HSBC e Banco do Brasil. Integrantes da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) têm criticado desde o início das investigações o que consideram “falta de rigor” do Banco Central (BC) e “dos bancos em geral” na fiscalização das transações envolvendo compra e venda de moeda estrangeira e operações bancárias referentes a contratos de importações. Para complicar, o doleiro Alberto Yousseff resolveu pedir o direto a delação premiada.
– BOLSA – Também do “Valor”: O investidor estrangeiro parece não estar nem um pouco preocupado com a corrida ao Palácio do Planalto. Enquanto o Ibovespa oscila ao sabor das pesquisas eleitorais, o fluxo de capital externo rumo à BM&FBovespa não para de crescer e acaba de bater seu recorde histórico. Segundo o último dado divulgado pela bolsa, os estrangeiros já compraram mais de R$ 21 bilhões em ações brasileiras neste ano, até sexta-feira (19). O montante supera os R$ 20,596 bilhões de capital estrangeiro que entraram na Bovespa em todo o ano de 2009, o maior fluxo registrado pela bolsa até agora. Embora o Ibovespa acumule baixa de 7,7% em setembro, reflexo da reversão de expectativas sobre a corrida presidencial, diante da recuperação de Dilma Rousseff nas pesquisas, o fluxo de capital externo no mês está positivo em R$ 3,6 bilhões.
LEITURAS SUGERIDAS
1. Delfim Neto – “Deseducação” – Folha
2. Vinicius Torres Freire – “A boiada estrangeira na Bolsa” – Folha
3. Editorial – “Soberano fracasso” – Estadão
4. José Roberto de Toledo – “Campanha negativa tende a se agravar” – Estadão
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6. Rosângela Bittar – “Nem juntos nem misturados” – Valor