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O DataFolha de hoje dará um retrato mais focado ainda da sucessão presidencial. Mas o comportamento dos dois adversários de Marina desde anteontem mostra que o meio ambiente eleitoral para eles está muito mais feio que o pintado pela pesquisa do Ibope.
Ontem as especulações eram de que Marina Silva já pode aparecer na nova sondagem em empate técnico com Dilma. Em pesquisas fechadas ela já aparece na frente de Dilma no DF, em SP e em Minas.
PT e PSDB devem saber exatamente o que está se passando pois intensificaram os trackings (pequisas por telefone, sem grande rigor científico) que mandam fazer diariamente.
Por isso, avançaram nos ataques à candidata do PSB. A saraivada maior veio da presidente Dilma Rousseff e seu grupo, surpreendendo porque a intenção inicial era tratar Marina com menos dureza, “terceirizando” o início das contestações mais fortes à ex-ministra para Aécio.
O que fez o PT mudar de tática foi a percepção de que Marina já está no segundo turno e como mostram as pesquisas bate Dilma. É consenso que numa segunda rodada o voto de Aécio vai em peso para Marina, mas o de Marina não vai todo para o mineiro. Daí a “preferência” petista pelo tucano.
As pedradas petistas e dilmistas desde terça-feira em direção à ex-senadora do Acre vieram em profusão, ora com a citação do nome da candidata ora só indiretamente:
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– Em reunião com o Conselho Político da campanha, Dilma disse que Marina agora é a candidata do candidata financeiro ao comentar a proposta de autonomia do Banco Central. A “pecha” vai ser usado muito daqui para frente. O “Valor Econômico” diz que esse mercado já “marinou”, menos por causa da candidata e mais para derrotar Dilma.
– No programa de rádio da quinta-feira, a presidente Dilma disse que a adversária é o risco do desconhecido.
– O ministro da Fazenda, Guido Mantega, na apresentação da proposta de Orçamento de 2015, num discurso claramente político-eleitoral, disse que a oposição vai levar o Brasil ao desemprego e à recessão.
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– Em campanha ontem a presidente afirmou que não basta “a pessoa ser boa, precisa ter compromisso”, ironizando a idéia marinista do governo dos melhores.
– Dilma disse ainda que se em 2002 a esperança venceu o medo agora a verdade vencerá a mentira.
– Também ontem, no Vale do Paraíba, o ex-presidente Lula disse que pessoas não devem crer em quem ‘faz apologia da não política’.
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– A campanha petista, no rádio e na televisão, está insinuando que Marina interromperia o Mais Médicos se fosse eleita. Na Intenrt o nome da candidata é citado abertamente.
– O site Muda Mais, mantido pelo PT e criado para divulgar a candidatura de Dilma, publicou um texto criticando duramente a proposta de autonomia do BC – “saiba por que isso é ruim para sua vida”, tenta explicar. Chama a medida de “profundamente neoliberal”, outra classificação que o PT quer pespegar em Marina. Sobre a inflação o texto diz que os “neoliberais defendem que o controle da inflação a níveis que atendam exigências dos mercados é a única prioridade, não importando os estragos no meio do caminho”.
Aécio ataca as duas
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Aécio Neves, o mais prejudicado com a “onda Marina”, com elevados riscos de ficar inteiramente fora da disputa – por exemplo: territórios que ele considerava de seu domínio e nos quais apostava forte, como Minas e São Paulo, estão minados por Marina -, não tem outra saída se não bater nas duas adversárias.
Mas ele está pegando mais leve que Dilma com a ambientalista – pelo menos por agora. A tática é dizer que o futuro seguro é com ele. A presidente é continuísmo e Marina um salto no escuro.
Marina olimpicamente está ignorando os ataques e críticas, está mais ocupada em aproximar-se de setores que ela sabe resistentes a algumas das suas idéias defendidas até recentemente e em reescrevê-las.
Mas não poupa críticas ao governo, como o fez ontem na rica região de Ribeirão Preto em evento do setor sucroalcooleiro. Foi forte nos ataques ao abandono do etanol e deixou implícito que vai corrigir o preço dos combustíveis.
Marina e a economia
Informação de “O Globo” vai causar agitação hoje no mercado e na campanha: diz o jornal que Marina pretende tirar a prioridade do pré-sal. A notícia vai causar agitação porque a candidata do PSB, em consonância com suas posições ambientalistas, sempre fez críticas à forma de exploração do petróleo em geral.
Já o “Valor” informa que o programa de governo de Marina Silva (PSB) à Presidência defende a criação de estímulos à participação de bancos privados na concessão de crédito, hoje dominada pelos bancos públicos. O programa deve ser anunciado hoje.
Outras propostas do programa de Marina antecipadas pelo “Valor”: haverá reformas e microrreformas no mercado de capitais, de crédito, da gestão da administração.
Nos reforma tributária, a proposta de governo defenderá a simplificação e unificação de tributos. Cofins, PIS e Pasesp, que incidem sobre o faturamento, por exemplo, deverão ser unificados, de acordo com a proposta defendida pela campanha de Marina. A ideia é promover uma simplificação tributária com a fusão de impostos similares.
A reforma tributária, tida como prioritária pela candidata, deverá ser apresentada no primeiro mês de governo e trará como princípios a simplificação, a eliminação da regressão do Imposto de Renda e a desoneração das exportações.
Um Orçamento
para ser corrigido
No evento em que aproveitou para atacar diretamente propostas econômicas do PSDB, citando o futuro ministro da Fazenda se Aécio for eleito, Arminio Fraga, e indiretamente os economistas de Marina, Guido Mantega apresentou uma proposta de Orçamento para 2015 praticamente inexeqüível segundo os economistas que acompanharam o anúncio.
Um Orçamento para ser corrigido por qualquer governo a ser eleito em outubro, é uma opinião generalizada, pois está baseado em parâmetros com poucas possibilidades de ocorrer.
Por exemplo: o crescimento previsto para o PIB é de 3% quando os analistas ouvidos pelo Banco Central para o Boletim Focus estão projetando 1,2%; a inflação admitida por Mantega é de 5% a fim de 2015, quando as previsões externas estão acima de 6%, acima inclusive da prevista para este ano.
Outro dado contestado é a previsão da arrecadação, anda maior do que o crescimento turbinado do PIB: pela proposta, a receita subirá do equivalente a 24,8% do PIB esperados neste ano, para 25,5%; na vida real, a receita dos últimos 12 meses foi equivalente a 24,2% do PIB.
O discurso do ministro é sempre otimista – em parte o seu papel quando não é exagerado. Neste caso, porém, além do otimismo natural, há um viés político-eleitoral claro, para casar com o da presidente Dilma Rousseff e mostrar que 2015 não será tão ruim como os adversários dela estão apregoando.
Sobre a política econômica do futuro governo Dilma, Mantega voltou a defender um aperto fiscal maior para dar espaço ao Banco Central para expandir a política monetária.
Hoje é dia de divulgação do PIB do segundo trimestre. A previsão média é de queda de 0,4% em relação ao trimestre anterior. E de revisão para negativo do crescimento do primeiro trimestre, o que caracterizaria uma “recessão técnica”.
Outras notícias
dos jornais do dia
– ATIVIDADE ECONÔMICA – Segundo o Secovi-SP, o percentual de contratos de compra de imóveis novos cancelados na cidade de São Paulo em relação às vendas quase triplicou em um ano, o que leva as incorporadoras a reforçar as ações buscando a revenda de unidades. Os distratos representaram em junho 17,9% da média das vendas nos últimos 12 meses. Em junho de 2013, eram 6,7%.
Em agosto, o Índice de Confiança dos Serviços, da FGV, caiu 3,1% em comparação com julho, o menor nível desde abril 2009. E o Índice de Confiança da Comércio recuou 7,3% na média do trimestre em agosto em relação a igual período do ano passado.
O IGP-M registrou em agosto a quarta retração consecutiva, ao recuar 0,27%, após ter cedido 0,61% em julho. Desde maio, o indicador acumulou redução de 1,74 ponto percentual, taxa que Salomão Quadros, da FGV classificou como “considerável”. Como exemplo, ele disse que, de março a agosto de 2009 – quando, em meio à crise global, a série de resultados negativos consecutivos durou seis meses -, o IGP-M diminuiu 1,84 ponto. Antes disso, entre maio e julho de 2003, o recuo foi de 1,67 ponto.
Após quatro quedas consecutivas, o índice que mede a atividade da indústria paulista (INA) registrou ligeiro aumento de 0,5% em julho ante junho, com ajuste sazonal, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na comparação com o mesmo período do ano passado, contudo, houve queda de 4%. A alta de julho se segue a uma queda de 1,6% em junho (revisada de um recuo de 2,7%.
– CONTAS PÚBLICAS – Informa o “Estadão” que o aumento atípico do Tesouro reforça a suspeita de mais “pedaladas” para maquiar as contas públicas. Segundo a reportagem, o Tesouro praticamente dobrou em agosto o volume de ordens bancárias para pagamento do abono do PIS-Pasep e do seguro desemprego. No estudo feito por assessores técnicos da Câmara, os analistas dizem que este é mais um indício de que o governo vem represando esses gastos. Diz ainda o “Estadão” que as “pedaladas fiscais” dividem o governo, num jogo de empurra-empurra entre a Fazenda e o BC – a Fazenda faz e o BC condena. Diz o “Valor” que o ministro Mantega não mais se compromete a entregar o superávit primário previsto para o quadrimestre o que prejudica de vez a meta de economia de 1,9% do PIB este ano.
– BRASIL/ARGENTINA – De acordo com o “Valor”, O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, esteve reunido nesta quinta -feira com o ministro Guido Mantega, em São Paulo e, segundo fontes próximas aos integrantes da reunião, a possibilidade de o Brasil conceder um empréstimo à Argentina foi um dos principais temas do encontro. Kicillof viajou às pressas essa tarde para encontrar-se com os ministros Mauro Borges e Guido Mantega. O motivo da viagem seria tratar da crise no setor automotivo e o acordo celebrado entre os dois países em junho para os negócios nessa área. Porém, o entendimento sobre o acordo automotivo não foi o tema central. Com reservas em queda, a possibilidade de empréstimo foi o tema central da conversa.
– SETOR DE ENERGIA ELÉTRICA – Para tentar sanear as empresas estaduais de energia elétrica, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu ampliar o limite de endividamento delas com o setor financeiro. O teto da soma dos empréstimos para o setor aumentou de R$ 800 milhões para R$ 1,9 bilhão. O objetivo da medida é melhorar a situação financeira das empresas estatais, que hoje estão incapacitadas de fazer novos investimentos. Essa mudança deve beneficiar principalmente a Celg. A Eletrobras acaba de assumir o controle da empresa de Goiás, que tem uma necessidade de investimentos de R$ 300 milhões ao ano. Foi apenas mais uma companhia estadual que ficou sob o guarda-chuva da estatal federal que, nos últimos anos, precisou promover o saneamento de diversas empresas.
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