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O que chamou a atenção no debate de ontem na televisão, o primeiro de mais três programados até o segundo turno da eleição presidencial, foi a troca de acusações entre Dilma Rousseff. Apenas.
O clima de agressividade já era esperado, dada a temperatura que atingiu a campanha – até agora, pela maior parte das pesquisas conhecidas, empatada. Mas o tom elevado demais surpreendeu. Há analistas dizendo que tanto Aécio quanto Dilma foram vencedores, que significa que nenhum dos dois se sobrepôs ao outro com nítida vantagem. O eleitor certamente não ganhou.
Os trackings em tempo real conhecidos dão a mesma indicação. A melhor indicação, porém, é de que nenhum dos dois QGs deu sinais de excessiva euforia.
A pergunta que fica, então, é simples: o evento conduzido desta forma pelos marqueteiros dos candidatos vai mudar algum voto nesta reta final? Difícil responder.
Alguma indicação mais precisa teremos hoje por volta da sete horas da noite, quando o DataFolha e o Ibope divulgarão suas novas sondagens. Parte das entrevistas será feita hoje – ou seja, pegará algum rabinho do debate.
A audiência foi boa, para o horário e o tipo de programa: média, na Grande São Paulo, pela medida inicial do Ibope, de 11 pontos. Mais do que o dobro do que a Band conseguiu no primeiro turno. Em alguns momentos o debate bateu a Globo e teve sempre público superior ao da Record e do SBT no mesmo horário.
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Ontem havia especulações – por meio de entrevistas clone – de que os resultados de hoje devem confirmar o empate técnico da pesquisa de um semana atrás, tanto do Ibope quanto do DataFolha. Daí em parte o comportamento errático da Bolsa ontem.
Segundo o “Valor”, a consultoria econômica Macrométrica, do ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes (em passado não muito remoto escreveu artigos defendendo aspectos da atual política econômica) está prevendo vitória de Aécio por 54 a 48%.
Aécio se irritou ontem com perguntas sobre a publicidade do governo de Minas em rádios de sua família.
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Informam Natuza Neri e Valdo Cruz na “Folha de S. Paulo” que a cúpula da campanha de Dilma está dividida em relação do que ela deve fazer no caso Petrobrás: uma parcela acha que ela deve admitir os erros ocorridos na empresa e outra que ela deveria seguir a linha atual.
Corrupção foi o tema onipresente no debate de ontem.
Segundo o “Valor Econômico” mais um órgão público entrou nas investigação sobre as denúncias de corrupção na Petrobrás: o Cade solicitou ao Ministério Público documentos dos depoimentos de Paulo Roberto Costa as denúncias de cartel na estatal.
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Gasolina sem aumento?
Porém, a grande notícia do dia foi da área econômica – e que, se mantida, vai ajudar o candidato vencedor nos reajustes (muito deles bem amargos, embora não admitidos pela presidente Dilma Rousseff), necessários no próximo ano.
Conforme relata o “Valor Econômico”, a forte queda do preço do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas e a estabilização do dólar frente ao real eliminaram a diferença de preços da gasolina entre os mercados interno e externo neste mês.
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Uma boa notícia para a Petrobras, que desde novembro de 2011 registrava prejuízo com a importação do derivado, e um alívio para o governo, que se vê menos pressionado a autorizar reajuste do combustível ainda neste ano. Economistas ouvidos pelo jornal afirmam que, com o aumento de preços, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) correria forte risco de estourar o teto da meta de 6,5% perseguida pelo Banco Central.
Segundo cálculos do banco Credit Suisse, a gasolina vendida pela Petrobrás no mercado interno atingiu, nesta semana, atingiu um patamar 1% mais elevado que o preço do mercado internacional.
Há o lado bom no curto prazo e algum risco no longo: pode tornar os investimentos do pré-sal menos atraentes pelo custo mais elevado de produção.
Ainda sobre economia, circulam desde ontem dois documentos assinados por economistas conhecidos um defendendo a política da presidente Dilma Rousseff e outro atacando essa política e defendendo as posições defendidas por Aécio Neves. É a primeira vez numa eleição presidencial que temos uma ação dessas, o que mostra o nível de radicalização que estamos assistindo.
Menos exposição de Dilma
O jornal “O Estado de S. Paulo” de hoje traz uma reportagem mostrando que Dilma Rousseff, embora tenha mais aliados nos Estados na disputa pelos governos estaduais, tem menos exposição que o adversário Aécio Neves. Dos 28 candidatos que concorrem em 14 Estados, ela tem o apoio de 16 deles contra dez de Aécio. No entanto, enquanto a presidente esteve até agora na propagando de apenas cinco deles, o tucano foi exibido em sete campanhas.
Já se havia notado no primeiro turno que alguns candidatos aos governos estaduais, aliados de Dilma, evitaram excesso de exposição com a presidente. De aliados, preferiam sempre Lula. Muitos petistas, como foi o caso de Fernando Pimentel, em Minas, evitaram exibir a sigla do partido, a estrela e as cores vermelhas em seu material de propaganda.
Depois de muito criticado pelos dilmistas, Lula apareceu pela primeira vez ontem ao lado da presidente num evento de campanha. Pela primeira vez ontem foi exibida na propaganda eletrônica uma fala de Lula grava especial para a disputa do segundo turno.
De acordo com o relato de alguns jornais, sem alarde, estava no ar um mal estar entre lulistas e dilmistas. A turma da presidente se queixando da retração de Lula. E a turma do ex-presidente insatisfeita porque Lula não estava sendo procurado e prestigiado por Dilma como gostaria.
Parece que diante do perigo maior de uma vitória do PSDB, a paz foi selada. A roupa suja, inevitável, será travada depois do dia 26, qualquer que seja o resultado.
Outros destaques dos jornais do dia
– INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA – No “Estadão”: um terço da queda a produção das montadoras brasileiras, que chega a 16,6% até setembro em relação ao mesmo período de 2013, vem da crise argentina. Houve uma redução de 155 mil carros exportados para o país vizinho em razão da falta de dólares por lá.
– REFIS – A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (14) a medida provisória 651, que trata de uma série de incentivos tributários. Entre eles, está a reabertura do prazo de adesão ao Refis. O texto vai agora para o Senado, no qual precisa ser votado até 6 de novembro. Se não for aprovada até essa data, a MP perderá a validade. A nova adesão ao Refis poderá ser feita nos 15 dias seguintes à data de promulgação da lei. O prazo original acabou em 25 de agosto, mas a arrecadação com o programa ficou abaixo do esperado. A MP também autoriza o Ministério da Fazenda a renegociar prazos e taxas de juros dos empréstimos concedidos pelo Tesouro ao BNDES, que utiliza o dinheiro para apoio a empresas. O objetivo é dar ao banco mais prazo para pagar sua dívida com o governo e, com isso, evitar a necessidade de capitalizar a instituição.
– EMPREGO – No “Valor”: levantamento divulgado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostra que a geração de vagas no Estado tem se concentrado em ocupações que exigem baixa escolaridade e que a onda mais severa de demissões incide sobre o emprego de maior qualificação. De acordo com os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o estoque de emprego no Estado cresceu 0,5% no segundo trimestre sobre o primeiro e aumentou 0,7% no confronto com o mesmo período do ano passado. Boa parte dessa alta, aponta o estudo, foi puxada por contratações na agricultura, setor que aumentou em 12,3% o número de funcionários em relação aos três primeiros meses do ano, e nos serviços, especialmente os de transporte e comunicação (2%). A indústria de transformação, por outro lado, colocou 10 ocupações na lista das 20 que mais demitiram nesse período. O setor perdeu 23,1 mil vagas com carteira assinada em relação ao primeiro trimestre e 63,9 mil na comparação com o segundo trimestre de 2013, amargando retração de 0,8% e de 2,2% no estoque de trabalhadores, respectivamente.
LEITURAS SUGERIDAS
1. Editorial – “Promiscuidade e incompetência” – Estadão
2. Celso Ming – “Petróleo em vertigem” – Estadão
3. Elio Gaspari – “O PT quis carregar Paulinho” – Folha
4. Delfim Neto – “Candidato” – Folha
5. Cristiano Romero – “O impacto do BNDES na política monetária“