Previdência Social perderá R$ 10,5 bilhões em 2008, sem CPMF

No entanto, consultor explica que, com crescimento da economia e eficiência de gestão, a perda poderá ser compensada logo

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SÃO PAULO – O novo conceito previdenciário, aprovado no Fórum Nacional da Previdência Social, acrescenta às receitas de contribuições ao INSS as renúncias fiscais e o 0,10 ponto percentual da CPMF, que pertencem por lei ao RGPS, e exclui a parte rural, que é de responsabilidade do Tesouro Nacional.

De acordo com o consultor em Finanças Públicas, Amir Khair, a não-prorrogação da CPMF causará uma perda de R$ 10,5 bilhões às contas da previdência.

Segundo ele, com o novo conceito – e antes da decisão do Senado – as contas da previdência deveriam fechar 2007 em equilíbrio e, para 2008, já era possível contar com um superávit.

E agora?

“Não tenho maiores preocupações diante da decisão do Senado”, afirmou o consultor. “As contas das previdências têm melhorado a cada resultado e a queda da CPMF pode até afetar um pouco no início, mas existem maneiras de atenuar essa perda”.

Entre essas formas de compensação, Khair citou o aumento da massa salarial, além do crescimento da economia e da eficiência de gestão.

A tabela abaixo mostra, pelo novo conceito, como seriam as contas da previdência desde 2003 até 2008.

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R$ bilhões 2003 2004 2005 2006 2007 2008
1 – Arrecadação líquida 80,73 93,76 108,43 123,52 136,39 154,54
2 – Benefícios 107,13 125,75 146,01 165,58 182,26 199,62
3 – Resultado anterior (1 – 2) -26,40 -31,98 -37,57 -42,06 -45,86 -45,07
4 – Renúncias previdenciárias 10,85 11,93 12,50 11,37 12,84 14,76
5 – CPMF (0,10) 6,05 6,93 7,67 8,44 9,62 –
6 – Assistência Social Rural 9,87 11,37 14,73 18,26 19,75 22,22
7 – Resultado Final (3+4+5+6) 368 -1,75 -2,67 -3,98 -3,65 -8,08*

Cálculos de Amir Khair

A tabela já leva em conta a ausência da CPMF no ano que vem, mas, nos cálculos originais do consultor, que consideravam a parcela de 0,10 ponto percentual da contribuição, para 2008* estava previsto um superávit de R$ 2,416 bilhões.

Entenda o novo conceito

De acordo com o consultor, o conceito atual, que considera a diferença entre a arrecadação e o pagamento de benefícios, é ultrapassado, pois considera como despesas da previdência social despesas típicas da assistência social, como a assistência social rural, que representa o “grosso” do déficit da previdência e deveria estar sob a responsabilidade do tesouro nacional.

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Além disso, não se consideram nesse conceito as renúncias fiscais, que beneficiam a área da saúde, educação etc. “Se você expurgar esses elementos das contas e tirar a conta previdenciária pura, você vai chegar à conclusão de que os dados da previdência estão praticamente em equilíbrio”, afirmou o consultor.

CPMF

No âmbito das finanças públicas, Amir Khair também não está preocupado com o fim da CPMF, por três razões:

  • O Governo ganha justificativa política para não atender emendas parlamentares;
  • O Governo ganha justificativa política para incluir ações que ficaram de fora do PAC;
  • A medida reduz a carga tributária, que significa custos menores para as empresas e maior poder de compra do consumidor. “Que leva ao crescimento da economia”, finalizou.