Prevendo maiores perdas com subprime, OCDE espera 2008 com pessimismo

Organização acredita em desaceleração econômica e cogita recessão nos EUA; danos podem atingir US$ 300 bilhões

Publicidade

SÃO PAULO – Seguindo o clima de pessimismo nas principais praças financeiras, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou na última quarta-feira (21) um relatório contendo projeções nada animadoras ao cenário macroeconômico mundial e norte-americano em 2008.

Segundo a organização, perdas derivadas da crise hipotecária nos EUA, aliadas a uma provável desaceleração econômica mundial, podem atingir a quantia de US$ 300 bilhões.

“Atualmente, mais analistas cogitam a probabilidade de um quadro de recessão norte-americana”, afirmou a OCDE. “Recentes notícias apontam para uma recuperação econômica mais tardia do que o anteriormente esperado”, reiterou.

Projeção é de mais inadimplências

Pivô da crise mundial que se alastrou pelos mercados financeiros, o setor imobiliário dos EUA deve apresentar nos próximos trimestres um número ainda maior de inadimplências e execuções hipotecárias, segundo a instituição.

“Cerca de um quinto dos empréstimos de imóveis no país apresentam risco de inadimplência”, afirmou a OCDE, que acredita ainda que o processo de securitização dos empréstimos hipotecários tenha auxiliado na dispersão dos riscos em um espectro maior de investidores.

Dólar e petróleo também influenciam

Cogitando a possibilidade de uma recessão nos EUA, para a OCDE, uma desaceleração econômica mundial em 2008 é quase inevitável, o que deve trazer ainda mais volatilidade aos mercados acionários ao redor do globo.

Continua depois da publicidade

Para a organização, diversos são os fatores que sustentam tais expectativas negativas. Dentre eles, a desvalorização do dólar frente às principais moedas internacionais foi ressaltada, por “enrijecer as condições monetárias pelo mundo”.

Contudo, a tendência declinante do dólar norte-americano não sustenta sozinha as perspectivas da organização, que destacou ainda a pressão que os altos preços do barril de petróleo e das commodities vêm exercendo sobre a inflação mundial, corroborando para um cenário macroeconômico mais dificultoso em 2008.