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SÃO PAULO – A mudança no sistema de precificação da Vale (VALE3, VALE5) deu o que falar no início do ano, mas não impactou os números da mineradora no primeiro trimestre. Para o segundo trimestre de 2010, contudo, a expectativa é que os efeitos da precificação trimestral apareçam – por isso, a Bradesco Corretora atualizou suas projeções para o resultado da empresa no período, que será divulgado em 29 de julho.
Raphael Biderman, analista da corretora, elevou em 18% suas estimativas para o preço médio do minério de ferro em 2010 e 2011. “Esperamos um avanço de 61,2% nos preços na base trimestral e geração operacional de caixa de R$ 13,7 bilhões, uma alta de 155,2% na frente ao trimestre anterior”, escreve o analista.
Com as elevações das estimativas para a mineradora, o analista também revisou o preço-alvo para as ações: agora, o target para os papéis ON é de R$ 103, enquanto a projeção para as ações PN é de R$ 88,3 por papel. Os ADRs (American Depositary Receipts) também tiveram seu preço-alvo elevado para US$ 57,80. A recomendação para os papéis é outperform (desempenho acima da média do mercado). Os valores representam um upside de 130,2% para as ações ON e de 126,35% para os ativos PN, considerando o fechamento desta quinta-feira (8).
Fraqueza na Europa, força na China
Para ele, a baixa dos preços spot do minério na última semana não prejudica os fundamentos, que permanecem firmes. Apesar disso, Biderman reconhece que os fundamentos trazem algumas incertezas – especialmente a crise europeia e as medidas chinesas para frear o mercado imobiliário local.
“Mesmo com a crise na Europa, a demanda chinesa por minério de ferro é tão grande que mesmo que o país tenha um crescimento menor, ele ainda é tão grande em termos absolutos que ofusca qualquer recuo da demanda na Europa”, explica o analista. A demanda chinesa, de acordo com o analista, é de 851 milhões de toneladas anuais, enquanto a europeia fica em 208 milhões.
Dessa forma, afirma Biderman, só um colapso na demanda chinesa por aço mudaria os fundamentos positivos para o minério de ferro. “É possível, mas consideramos esse cenário não muito provável”, explica. Além disso, segundo ele, a demanda dos emergentes – excluindo-se a China – está atingindo uma escala significativa, e equilibraria uma possível fraqueza chinesa.
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Ainda segundo o analista, os projetos de minério de ferro que devem iniciar produção nos próximos três ou quatro anos não serão suficientes para suprir a demanda dos emergentes e da China. “Compilamos uma lista de adições à capacidade de produção da commodity nos próximos anos, e concluímos que, apesar do novo montante ser enorme (1,2 bilhão de toneladas), grande parte disso tem diversas questões geológicas, logísticas e políticas envolvidas”, afirma Biderman. Com isso, o preço da tonelada do minério de ferro deve permanecer acima de US$ 100 até 2014.