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SÃO PAULO – Com o salto na aversão ao risco nessa semana, o rendimento exigido pelos investidores para comprarem títulos da Espanha no mercado secundário voltou a superar a marca de 6% nesta quarta-feira (9), fato que não ocorria desde meados de abril.
Além do impasse grego, o mercado avalia os rumores que circulam na imprensa internacional de que o governo espanhol pedirá aos bancos para se capitalizem em mais até € 40 bilhões para se protegerem de empréstimos feitos ao setor imobiliário. A justificativa, segundo as reportagens, é que uma piora no cenário econômico internacional pode levar tais créditos ao calote.
Enquanto isso, os investidores permanecem de olho na Grécia, onde o líder da Coalizão da Esquerda Radical, Alexis Tsipras, negocia com outros partidos para a formação de um governo, cuja proposta central seria invalidar o programa de resgate acertado com os credores internacionais. Entretanto, acredita-se que Tsipras não conseguirá formar o governo e que novas eleições serão convocadas.
Por outro lado, os investidores recorrem aos papéis da Alemanha, cuja economia é considerada como um porto seguro. Em leilão realizado nesta manhã a Alemanha captou € 4,03 bilhões em uma emissão de títulos com vencimento em cinco anos, alcançando o montante pretendido na oferta. O rendimento foi de 0,56%, abaixo dos 0,80% da última emissão, apesar da relação entre oferta e demanda ter sido menor, caindo de 1,8 vez para 1,4 vez.
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, sendo que a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.
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Confira o desempenho dos títulos públicos na Zona do Euro:
| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 23,38% | +0,24 p.p. | +21,88 |
| Portugal | 11,44% | +0,14 p.p. | +9,94 |
| Itália | 5,62% | +0,17 p.p. | +4,12 |
| Espanha | 6,07% | +0,23 p.p. | +4,57 |
| França | 2,86% | +0,05 p.p. | +1,36 |
| Alemanha | 1,50% | -0,03 p.p. | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg