Pressionadas pelo setor financeiro, bolsas dos EUA registram forte recuo

Goldman Sachs é acusado de fraude pela SEC; notícias de Grécia e China também contribuem para cautela

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SÃO PAULO – Não bastassem as tensões acerca da saúde financeira grega e a queda na confiança do consumidor norte-americano, a sexta-feira (16) trouxe ainda a acusação de fraude da SEC (Securities and Exchange Commission) ao Goldman Sachs. Em um cenário como esse, bons dados econômicos e resultados corporativos positivos são deixados de lado, enquanto as bolsas registram fortes perdas.

O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, opera em desvalorização de 1,68% e atinge 1.191 pontos. O Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, negocia em baixa de 1,56% a 2.476 pontos, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, cai 1,23%, chegando a 11.008 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones -1,23 11.008 +2,56 +5,56 
 Nasdaq -1,56 2.476 +3,66 +9,13 
 S&P 500 -1,68 1.191 +2,15 +6,83 

De acordo com a SEC, o Goldman Sachs deixou de prestar informações vitais sobre CDOs (Collateralized Debt Obligations), que dependiam da performance de papéis lastreados em hipotecas subprime. Aprofundando o mau humor dos investidores, a acusação da SEC pesa sobre os papéis do Goldman, que caem 11,41%, e do setor financeiro como um todo, com as ações de Citigroup, JPMorgan Chase e Morgan Stanley caindo 4,89%, 3,79% e 4,63%, respectivamente.

Nem mesmo o resultado melhor do que o esperado do Bank of America foi capaz de conter o pessimismo da sessão. O banco registrou lucro de US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, acima das previsões. Embora os papéis tenham chegado a registrar alta de mais de 2% no pré-market, no início da tarde eles recuavam 4,47%.

Resultados corporativos
Além dos números do Bank of America, os investidores avaliam também os resultados da General Electric, divulgados nesta manhã. O lucro do primeiro trimestre da empresa caiu 31% em relação aos três primeiros meses de 2009, impactado por prejuízos em operações descontinuadas. As ações da companhia caem 2,74%.

Por sua vez, o Google reportou os números trimestrais após o fechamento do pregão regular na última quinta-feira. A percepção dos investidores é de que o gigante continuará gastando agressivamente na busca de novos talentos, o que pressiona as ações a uma desvalorização de 6,43%.

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Em termos de expectativas de resultados, as recentes declarações da AMD também desanimam. A fabricante de chips espera que as receitas deste período caiam 5% em relação ao primeiro trimestre de 2010, o que leva seus papéis a uma desvalorização de 4,63%.

Indicadores divergentes
Na agenda norte-americana, os indicadores econômicos desta sexta-feira divergem nos sinais. Enquanto o Housing Starts e o Building Permits mostraram melhora no mercado imobiliário, ficando acima das estimativas, o Michigan Sentiment indicou queda na confiança do consumidor norte-americano, atingingo 69,5 pontos, ante previsões de 75 pontos.

Cenário internacional
As notícias externas também influenciam um clima de maior cautela ao redor do globo. Segundo a agência Reuters, o presidente do Banco Central Europeu informou aos ministros de Financças da União Europeia que a situação dos bancos gregos permanece difícil e pode deteriorar-se ainda mais. Os ministros, por sua vez, afirmaram que, apesar dos problemas, o país não tem planos de pedir o pacote de resgate imediatamente.

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Enquanto a Grécia luta para não ter um default, na China as preocupações são bem diversas. O governo do país tomou novas medidas preventivas contra uma bolha imobiliária, elevando o pagamento mínimo utilizado como entrada nos financiamentos para propriedades e as taxas cobradas nas hipotecas para alguns compradores.