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SÃO PAULO – Em uma atitude rara, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, enviou uma mensagem de parabéns para o presidente da China, Xi Jinping, na quarta-feira, desejando ao líder chinês “grande sucesso” em suas tarefas. A mensagem foi enviada no fim do XIX Congresso do Partido Comunista, em que Xi foi confirmado no cargo por mais cinco anos e aumentou ainda mais o seu poder.
Porém, o que parece ser uma mensagem amigável na verdade evidencia um desgaste do relacionamento estratégico de décadas entre Pequim e Pyongyang, conforme aponta o portal CNBC.
O esfriamento pode ser percebido no tom usado por Kim Jong Un na mensagem. Há cinco anos, quando Xi foi nomeado pela primeira vez, Pyongyang enviou uma mensagem de felicitações de seis frases que incluiu expressões como “força de liderança mútua, amizade e fraternidade”, segundo apontou Kim Tae-hyo, cientista político da Sungkyunkwan University, de Seul. Desta vez, a nota era apenas quatro frases e não fazia menção à fraternidade ou à amizade.
Tradicionalmente relutante em pressionar Pyongyang, mas também bastante pressionado por Washington para fazer algo, a segunda maior economia do mundo tem apertado cada vez mais o cerco sobre o seu aliado histórico. Pequim proibiu os credores domésticos de fazer negócios com clientes norte-coreanos, além de bloquear certas exportações em conformidade com as sanções internacionais (os números recentes, no entanto, mostraram um aumento anual de 3,7% no comércio bilateral durante os primeiros nove meses do ano).
Segundo o professor Cheng Xiaohe, os chineses vêm percebendo cada vez mais que o programa nuclear da Coreia do Norte está prejudicando a segurança asiática. Contudo, as tensões entre Xi e Kim não são novas. Isso porque, desde que Kim chegou ao poder, a relação bilateral entrou em um período mais tenso, marcado por um declínio nos laços econômicos e falta de solidariedade política, disse Cheng.
De acordo com Kim Tae-hyo, da Sungkyunkwan, de fato, Pequim ficou desapontado quando Jong-un foi nomeado líder da Coreia do Norte em 2011. Segundo o cientista político, Pequim não queria ver o vizinho governado por um neto da terceira geração da “primeira família da Coreia do Norte”. Os decisores políticos chineses acreditam que a liderança coletiva funcionaria melhor no país ao invés do poder supremo atualmente desfrutado por Kim Jong Un, avalia.
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O governante isolado afastou muitos apoiantes de seu pai, Kim Jong Il. O estilo de governança de Jong un também difere de seu pai, que estava mais interessado em conseguir concessões econômicas através de negociações internacionais e nunca apontou mísseis para Washington, observou o professor sul-coreano. O atual Kim, no entanto, não mostrou nenhum desejo de conversas diplomáticas.