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SÃO PAULO – O rumor de que o BCE (Banco Central Europeu) pode estabelecer um limite para os custos de financiamento de nações endividadas da Zona do Euro faz com que os investidores exijam juros menores para comprar bônus da Espanha no mercado secundário nesta segunda-feira (20).
Reportagem da revista alemã Der Spiegel deu conta de que a autoridade monetária está considerando colocar limites sobre os rendimentos de títulos soberanos de países, como Itália e Espanha, prometendo a intervenção se os custos de empréstimo ultrapassarem o nível pré-determinado.
No sábado, em entrevista à Agência Efe, o ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, afirmou que acredita que a intervenção do BCE nos mercados para aliviar as pressões sobre a dívida do país deve ser contundente e não pode ter um prazo limitado de duração.
Analistas citados por agências internacionais consideram que um limite no rendimento dos bônus espanhóis contribui para reduzir a angústia sobre perdas quase ilimitadas, o que levou os investidores a saírem de mercados periféricos. A medida, segundo eles, também pode criar um forte incentivo para que investidores mantenham suas posições ou, até mesmo, voltem a aplicar em títulos do país.
| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 24,33% | -0,18% | +22,77 |
| Portugal | 9,68% | -0,84% | +8,12 |
| Itália | 5,74% | -0,80% | +4,18 |
| Espanha | 6,21% | -3,63% | +4,65 |
| França | 2,15% | +0,75% | +0,59 |
| Alemanha | 1,56% | +4,55% | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
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Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.