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SÃO PAULO – Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pelos analistas da corretora Ágora Sênior, a pressão norte-americana para que a China valorize sua moeda (yuan) pode ter conseqüências desastrosas para a economia chinesa.
Segundo Robert Mundell, ganhador do prêmio Nobel de economia e “pai” da União Monetária européia, uma valorização do yuan reduziria o invstimento direto externo na China, minaria o crescimento econômico, desestabilizaria o sudoeste asiático, recompensaria especuladores, enfraqueceria o papel externo do yuan, entre outras coisas.
Japão sofreu a mesma pressão nos anos 80
Segundo o relatório, a pressão dos EUA para que a China promova elevação de sua taxa de câmbio lembra a demanda norte-americana, nos anos 80, para que o Japão valorizasse seu câmbio e restringisse suas exportações, alegando que o país asiático estava contribuindo para o crescente déficit fiscal da maior economia do mundo.
Entretanto, após o Japão ceder às pressões e valorizar sua moeda, o superávit comercial japonês continuou se expandindo, apesar das restrições impostas. O resultado desta política, de acordo os analistas, contribuiu para a formação de bolhas nos mercados de ações e imóveis, que resultaram no quadro de deflação e estagnação econômica em que o Japão se encontra até os dias de hoje.
EUA possui déficits com muitos países
O comércio entre China e EUA produz um superávit na balança comercial no país asiático que praticamente desaparece dado o déficit chinês com outros parceiros comerciais. Além disso, o Japão possui um superávit muito maior que a China com os americanos, apesar de, ao contrário da China, não ser acusado de manter câmbio artificialmente subvalorizado.
Vale ressaltar que, de acordo com os analistas, apesar da desvalorização que o dólar norte-americano sofreu em relação às moedas destes países nos últimos três anos, os EUA registram déficits com seus principais parceiros comerciais, como Alemanha, Reino Unido, Canadá e México.