Europa

Pressão aumenta e Grécia deve ter semana decisiva para decidir seu futuro

Primeiro-ministro faz pronuncimaento hoje, enquanto diversas reuniões ocorrem no resto da semana para tentar chegar a um acordo com credores

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SÃO PAULO – Após um fim de semana agitado, os investidores seguem de olho durante os próximos dias ao cenário na Grécia, onde ainda não se sabe qual será o futuro do país e se ele será capaz de honrar suas dívidas. No sábado, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras enviou uma carta ao FMI (Fundo Monetário Internacional) dizendo que a Grécia está sem recursos e que uma nova operação como a da semana passada (quando tomou dinheiro emprestado de um fundo do FMI para pagar parcela da dívida ao próprio FMI) seria impossível de fazer novamente.

O Fundo se manifestou sobre o tema, afirmando que duvida que a Grécia possa cumprir os pagamentos este verão (inverno aqui no Brasil) a não ser que consiga destravar alguns fundos de resgate. As autoridades gregas acreditam que irão chegar a um acordo nesta semana sem que haja a necessidade de abrir mão nos pontos de discordância com os Europeus (cortes previdenciários, plano de crescimento econômico, meta de superávit primário e reestruturação da dívida).

“Mais tempo e esforço são necessários para superar as diferenças nas questões que ainda permanecem abertas nas negociações”, disse o porta-voz da Comissão Europeia Margaritis Schinas em coletiva. “Saudamos o compromisso das autoridades gregas de acelerar seus trabalhos com as instituições visando a alcançar uma conclusão bem-sucedida da revisão dentro de um tempo adequado”, disse ele. “Os contatos construtivos estão em curso e progresso está sendo feito, apesar de ainda num ritmo lento”, acrescentou.

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Hoje à noite, Tsipras irá a TV grega para comentar a crise. Amanhã, o seu partido tem reunião para discutir como cumprir as promessas eleitorais e não adotar a austeridade pregada pelos credores. Já na quinta e na sexta-feira ocorrerá uma nova reunião do Eurogrupo, quando duras discussões deverão ocorrer devido a iminência do default. Ou seja, a semana promete ser bem importante para o futuro da economia grega.

Pressão aumenta
Nos últimos dias, políticos da Alemanha e de outros países da Europa intensificaram a pressão para que a Grécia acelere as reformas estruturais para obter ajuda financeira adicional de seus credores. “Um terceiro pacote de resgate para Atenas só é possível se as reformas forem implementadas. Nós não podemos só enviar dinheiro para lá”, afirmou o ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, no último domingo, em entrevista ao jornal Bild am Sonntag.

O governo grego, confrontado com a diminuição das reservas de caixa, tem estado em um impasse há meses com seus credores – o resto da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) – sobre as condições da próxima parcela de um pacote de resgate de 245 bilhões de euros. A incerteza sobre se a Grécia pode declarar default da sua dívida do setor público em meados deste ano, levando potencialmente a saída do país da zona do euro, tem assustado os investidores e depositantes bancários. Além disso, no primeiro trimestre deste ano, o país entrou novamente em recessão.

Um referendo sobre as reformas que são necessárias, como o proposto pelo primeiro-ministro “pode acelerar as decisões”, afirmou Gabriel ao jornal quando perguntado se a Grécia ainda podia ser salva. A saída da Grécia da zona do euro seria “extremamente perigosa, não apenas economicamente, mas politicamente”, destacou o ministro alemão. Se o primeiro países deixar a zona do euro, se o bloco fracassar em sua primeira grande crise, “ninguém terá mais confiança na Europa”.

O vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo euro, Valdis Dombrovskis, também pediu para que a Grécia acelere as reformas. “Em algumas áreas, há um progresso, mas a Grécia precisa fazer mais, especialmente na reestruturação das finanças públicas, pensões e mercado de trabalho”, afirmou Dombrovskis ao mesmo jornal.

O governo grego precisa propor em breve uma “lista de reformas crível e abrangente”, ao invés de apenas rejeitar propostas de reforma, acrescentou Dombrovskis. “Cada dia sem acordo torna a situação ainda mais difícil para os cidadãos”, disse ele. Dada a grave situação financeira na Grécia há “toda a razão para se apressar”.

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Acordo precisa ocorrer até o fim do mês
O governo da Grécia pagará salários e pensões em maio, mas precisa de um acordo com credores até o fim do mês, afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do governo, Gabriel Sakellaridis, em meio a temores cada vez maiores de que o país está à beira da falência.

Sem ajuda ou acesso aos mercados de títulos, Atenas está perto de ficar sem dinheiro –o país teve de esvaziar uma conta de depósito junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para realizar um pagamento de dívida à instituição na semana passada. Investidores se livravam de ações e bônus gregos nesta segunda-feira por preocupações de que Atenas pode não fazer um pagamento que vence no mês que vem.

Questionado sobre um pagamento ao FMI que vence em 5 de junho, Sakellaridis reiterou a posição do governo de que pretende atender todas as suas obrigações. Questionado se o governo pagará salários e aposentadorias neste mês, ele disse: “Sim”.

Ele afirmou, no entanto, que o governo espera fechar um acordo com credores da União Europeia e o FMI neste mês, com um acordo no nível técnico fechado até 19 de maio. Conversas na cúpula da UE em Riga nesta semana viriam na sequência, então ocorreria uma possível reunião emergencial de ministros da zona do euro antes do fim de maio.

“Podemos dizer que o cronograma é tal que se tem maio ou o final de maio para a conclusão desse acordo”, disse Sakellaridis na coletiva de imprensa. “É necessário que haja uma solução em maio para resolver nossos problemas de liquidez”. Ele descartou a possibilidade de cobrar uma taxa sobre depósitos bancários para angariar recursos, e afirmou que o governo não firmará acordo para um terceiro programa de resgate.

Sakellaridis disse que o governo insistirá em evitar cortes sobre salários e pensões, em elaborar um plano de crescimento forte, uma meta de superávit primário baixa e reestruturação de sua dívida como elementos de um acordo abrangente com credores.

Com Reuters e Agência Estado