Operação Lava Jato

Presidentes de Odebrecht e Andrade Gutierrez são presos; PF diz que “eles sabiam de tudo”

Do total de mandados, oito são de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 38 de busca e apreensão e nove de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento

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A Polícia Federal (PF) cumpre desde a madrugada desta sexta-feira (19) a 14ª fase da Operação Lava Jato, com o cumprimento de  59 mandados judiciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo e o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, além de outros executivos, foram presos. Esta nova fase foi batizada de Erga Omnes, como recado de que “a lei vale para ‘todos'”. 

Do total de mandados, oito são de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 38 de busca e apreensão e nove de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento.

Além dos presidentes das construtoras, os executivos Márcio Farias, Alexandre Alencar e Rogério Araújo, da Odebrecht, foram presos. 

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Nesta nova fase da operação, a polícia está expandindo os investigados nos crimes de formação de cartel, fraude a licitações, corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, entre outros, para “duas grandes empreiteiras com grande atuação no mercado nacional e internacional, e contratantes regulares junto a Petrobras”, segundo comunicado.

A polícia cumpre mandados de busca e apreensão na sede da Odebrecht em São Paulo. Segundo a rádio, agentes da PF chegaram ao prédio da empresa no início da manhã em busca de documentos devido à suspeita de envolvimento da empresa no esquema.

Em nota, a Andrade Gutierrez “informa que está acompanhando o andamento da 14ª fase da Operação Lava Jato e prestando todo o apoio necessário aos seus executivos nesse momento. A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações no intuito de que todos os assuntos em pauta sejam esclarecidos o mais rapidamente possível.”

Já a Odebrecht confirmou a operação da Polícia Federal em seus escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. “Como é de conhecimento público, a CNO entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações”, afirmou a companhia.

A operação Lava Jato investiga um esquema de cartel para vencer licitações de obras da Petrobras com sobrepreço. Em troca, as empresas pagavam propina a funcionários da estatal, operadores que lavavam dinheiro do esquema, políticos e partidos.

“Eles sabiam de tudo”
As investigações que resultaram na 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada hoje (19) pela Polícia Federal, revelam que as empreiteiras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez lideravam o cartel de empreiteiras que superfaturavam contratos da Petrobras. De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, as duas empreiteiras, no entanto, diferentemente das demais investigadas, usavam um esquema “mais sofisticado” de pagamento de propina a agentes públicos e políticos por meio de contas no exterior, o que exigiu maior aprofundamento das investigações, antes do pedido de prisão dos diretores das empresas.

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A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão preventiva para o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otavio Marques de Azevedo, na 14ª fase da operação Lava Jato, disseram o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula e o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima a repórteres em Curitiba.

Segundo Igor Romário de Paula, os presidentes das duas empreiteiras tinham “domínio de tudo o que acontecia”. “Apareceram indícios concretos, não só depoimentos, mas documentos comprovando que em algum momento, eles participaram de negociações que levaram à formação de cartel e ao direcionamento de licitações”. 

(Com Reuters)