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SÃO PAULO – Um mercado pouco explorado. É assim que o presidente da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, Pedro Janot, descreve o setor de aviação do País. Ele explica que, nos Estados Unidos, um passageiro viaja três vezes por ano, sendo que 70% das viagens são feitas a lazer. O restante, a negócios. Já o brasileiro viaja, em média, uma vez a cada quatro anos. Em 30% dos casos, viaja-se a lazer e, em 70%, a negócios.
Pedro Janot: “o problema do setor aéreo é o oligopólio” |
Janot é quem está à frente da empresa fundada pelo investidor David Neeleman que, no ano passado, afirmou que existe espaço para uma terceira companhia aérea de grande porte no Brasil. “Acreditamos que há um potencial de tráfego não servido que permite a exploração do mercado tanto por nossa empresa como pelas concorrentes”, disse.
Fim do oligopólio?
A Azul não quer roubar o espaço hoje ocupado por Tam e Gol, mas crescer junto com o que há para crescer no setor. A crença é em um Brasil que viajará mais, por meio da oferta maior de crédito e de tarifas mais viáveis e condizentes à realidade do nosso povo. “Existem hoje 150 milhões de passageiros preferindo o ônibus, porque não dispõem de crédito para comprar a passagem de avião”, afirma o presidente da Azul.
O problema, em sua visão, é o oligopólio que marca o setor. Hoje, a Tam e a Gol, juntas, controlam cerca de 90% do setor de aviação brasileiro. Prova disso é que, em janeiro e fevereiro deste ano, elas registraram participação de 49,64% e 40,69% no número de passageiros transportados por todas as empresas brasileiras de transporte aéreo regular, nas linhas domésticas. Já nas linhas internacionais, a Tam registrou participação de 84,77% no mesmo período, e a Gol, de 14,96%. Os dados são da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Azul tem um compromisso: fazer com que o brasileiro viaje mais de avião |
A estratégia azul
A Azul começou a operar em meados de dezembro do ano passado. Nove meses antes, Neeleman havia anunciado a encomenda de aeronaves à Embraer cujo valor poderia chegar US$ 3 bilhões. O empresário se mostrava entusiasmado com o País. “Este é o lugar certo, na hora certa”, comentou. Não era à toa. O Brasil é a décima maior economia do mundo, porém apenas 5% de seus habitantes voam com regularidade. E as passagens custam, em média, 50% a mais do que nos Estados Unidos, em distâncias equivalentes.
O estímulo à demanda reprimida já começou. Janot citou a campanha Azul 30 Dias, que premia as pessoas que compram passagens com antecedência, sendo válida para todos os destinos e épocas do ano. Funciona assim: quem comprar a passagem aérea no mínimo 30 dias antes da viagem paga 75% menos. “O passageiro pode pagar o mesmo preço de uma passagem de ônibus, e ainda parcelar em seis vezes sem juros”, disse.
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| “Antes, as outras companhias aéreas não estavam preocupadas. Elas viviam de tarifas altas compradas na véspera da viagem”, diz Janot |
Outra medida foi a criação de um programa de vantagens, no lugar de um programa de milhagem. A cada trecho voado, o equivalente em reais a 5% do preço da passagem é creditado no programa e, a partir do terceiro vôo, é possível usar a quantia acumulada para pagar menos na compra de um novo bilhete. A outra opção é acumular os créditos até que o valor seja capaz de cobrir integralmente o custo de outra passagem.
“Antes, as outras companhias aéreas não estavam preocupadas e viviam de tarifas altas compradas na véspera da viagem”, garante o presidente da Azul.
O tempo dirá se as ações da nova empresa darão resultados e os brasileiros passarão a viajar mais de avião. Uma coisa é certa: a experiência conta muito. Nesse caso, a Azul está bem posicionada, já que Neeleman traz na bagagem a criação de outras três companhias aéreas, entre elas a americana Jetblue.