Preocupado com excesso de oferta, HSBC corta preço-alvo de Usiminas e CSN

Companhias são prejudicadas pelo cenário conturbado, que faz com que até desvalorização do real atrapalhe desempenho

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SÃO PAULO – O cenário continua conturbado para as siderúrgicas, avalia o HSBC. Assim, a casa de research do banco reduziu as projeções para Usiminas (USIM3; USIM5) e CSN (CSNA3), cortando o preço-alvo estimado para as ações das duas empresas. De acordo com o modelo do analista Jonathan Brandt, a projeção atual para os papéis USIM5 é R$ 7,00, patamar 33% inferior aos R$ 10,5 antes projetados, enquanto o alvo para CSNA3 é R$ 12,00 – 17,24% inferior à antiga perspectiva.

Ambos papéis continuam com classificação underweight (desempenho abaixo da média do mercado) para o analista. De acordo com o atual preço-alvo, os papéis USIM5 possuem espaço de valorização de 10,76% frente ao fechamento da última sexta-feira (29), enquanto CSNA3 tem potencial teórico de valorização de 5,45%.

Até o dólar atrapalha
É válido destacar que as siderúgicas nacionais passam por um período conturbado. No cenário interno, Brandt destaca um excesso de oferta em 16%, o que impede que os preços subam – o que consequentemente deveria melhorar as margens da companhia. “É difícil implementar um aumento de preços em um mercado com excesso de oferta no qual a demanda de aço, na melhor das hipóteses, é inexpressiva”, afirma o analista.

E se as siderúrgicas estão entre os setores em que a desvalorização do real deveria trazer benefícios, na prática isto não está ocorrendo. “Isso tem afetado negativamente o setor brasileiro de siderurgia, pois agora os custos denominados em dólar estão mais caros em moeda local, principalmente das matérias-primas”, destaca Brandt. Enquanto isso beneficia as exportações de minério de ferro da CSN, a Usiminas sofre todas as consequências negativas da desvalorização cambial.

Lado bom da Usiminas: sem ofertas de ações
Ao contrário de parte do mercado, Brandt acredita que a Usiminas não deve realizar uma oferta de ações no curto prazo. “A Usiminas enfrenta um problema de índice, não de liquidez, o qual necessitaria um aumento de capital”, afirma o analista. Em sua avaliação, os principais acionistas da siderúrgica, a Ternium e a Nippon Steel, devem esperar até o início de 2013 para ofertar novas ações, somente se o cenário não melhorar até lá.

A CSN, por sua vez, deve ter uma produção de minério de ferro novamente desapontante. O grande problema, porém, deve ser a estratégia de alocação de capital da empresa – um dos grandes temores do mercado. “Ainda nos esforçamos para entender a compra de ações da Usiminas, o investimento na Transnordestina e a aquisição de ativos de aço na Alemanha”, afirma.

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Uma nova razão de temor deve ser a compra da siderúrgica CSA: o HSBC não vê perspectivas positivas para essa compra, visto que nem a ThyssenKrupp, um dos principais grupos siderúrgicos mundiais, conseguiu fazer com que a usina fosse siderúrgica. Como o mercado de placas, onde a CSA atua, é pequeno, a compra obrigaria a CSN a comprar ativos de laminadora ou construir uma nova laminadora no Brasil.