Preocupação de bancos centrais com alta de tensões geopolíticas aumenta, diz pesquisa

Pesquisa com gestores de US$ 9,5 trilhões em reservas aponta que 70% das instituições temem conflitos globais, enquanto confiança no domínio do dólar começa a ser testada

Reuters

Fumaça sobe após ataque em Teerã
1º de abril de 2026. Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
Fumaça sobe após ataque em Teerã 1º de abril de 2026. Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS

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LONDRES, 8 Abr (Reuters) – As ⁠preocupações de bancos centrais com as tensões ⁠geopolíticas aumentaram este ano e agora são vistas como o ‌principal risco global, de acordo com uma nova pesquisa com bancos centrais que administram mais de US$9,5 trilhões em reservas.

A pesquisa ‌com quase 100 instituições realizada pela Central Banking Publications foi conduzida entre janeiro e março. Quase todas as respostas foram recebidas antes dos ataques ao Irã em 28 de fevereiro, mas as tensões já vinham aumentando e foram precedidas pela disputa de janeiro entre ⁠os ‌Estados Unidos e a Dinamarca sobre a Groenlândia.

Como resultado, quase ⁠70% dos bancos classificaram a geopolítica como seu principal risco. Isso substituiu a principal preocupação do ano passado, que era a proteção comercial dos EUA, e marcou um salto acentuado em relação aos 35% que citaram a geopolítica como a ​principal preocupação em 2024, quando a guerra em Gaza ameaçou desestabilizar o Oriente Médio pela última vez.

Em uma perspectiva de cinco ​anos, a inflação e as taxas de juros continuam a ser os fatores mais importantes que devem afetar o gerenciamento de reservas, segundo a pesquisa, com pouco mais da metade dos bancos centrais classificando-os como sua principal questão.

No entanto, esse número ‌está bem abaixo dos 76% que citaram a ​inflação e as taxas de juros no ano passado, e a geopolítica foi novamente muito citada por quase 30% – o dobro da participação do ano passado.

A ⁠pesquisa também mostrou que ​a confiança no ​dólar está sendo testada. A moeda dos EUA perdeu mais de 12% em relação ⁠a uma cesta de outras moedas ​importantes entre janeiro do ano passado e deste ano, embora tenha recuperado cerca de um terço do terreno desde então.

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Cerca de 80% dos gestores ​de reservas disseram que concordam ou concordam totalmente que o dólar continua sendo a principal moeda de refúgio do ​mundo, embora muitos ⁠tenham acrescentado que seu domínio está sendo cada vez mais questionado.

Todas as respostas da pesquisa ⁠foram anônimas, mas um banqueiro central da região Ásia-Pacífico foi citado como tendo dito: ‘Nos próximos cinco anos, os gerentes de reservas cambiais globais avaliarão rigorosamente se o papel do dólar como moeda de reserva global dominante continua, em meio à crescente fragmentação global.’

(Reportagem de Marc ​Jones)