Publicidade
SÃO PAULO – Nesta quarta-feira, dia 15 de setembro, levando em consideração elementos do âmbito doméstico e também do cenário externo, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu elevar a Selic, taxa básica de juro da economia, em 25 pontos base, para 16,25% ao ano. Esta é a primeira elevação registrada pelo juro desde fevereiro de 2003, quando a Selic subiu de 25,5% ao ano para 26,5% ao ano.
Ao contrário do que ocorreu nas últimas reuniões do Copom, quando os analistas em geral concordavam com a decisão a respeito da Selic, desta vez, as opiniões estavam divergentes. Enquanto parte do mercado apostava em manutenção, outra parcela esperava elevação de 25 pontos base e uma fatia menor acreditava em aumento de 50 pontos base no juro. A perspectiva de corte na Selic era praticamente nula.
Compromisso do BC com a estabilidade de preços
Os indicadores de inflação mais atuais mostram que os preços têm subido mais do que o esperado ou caído menos que o previsto, motivo que preocupava o Banco Central com relação às metas de inflação.
Vale citar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) referente a agosto, divulgado na última sexta-feira, que apesar de apresentar uma desaceleração da inflação no período, apontou para uma alta nos preços acima da projetada anteriormente. Em agosto, o índice apurou inflação de 0,69%, abaixo da registrada no mês anterior de 0,91%, porém acima da projeção do relatório Focus de 0,62%.
Cenário externo também impactou a decisão
Um dos elementos do cenário externo que impactou a decisão da Selic aqui no Brasi diz respeito à evolução da taxa básica de juro norte-americana. Isso porque, no caso de uma elevação dos Fed Funds, os títulos emergentes se tornam menos atrativos aos investidores e aumentam a tendência de fuga de capitais do Brasil.
Com relação a isso, os indicadores recentes dos Estados Unidos têm apontado para um desaquecimento da economia do país, que restringe uma elevação brusca no juro pelo Federal Reserve, banco central norte-americano. Assim, o mercado acredita que o aumento no juro dos EUA, se houver, deverá seguir em ritmo gradual.
Continua depois da publicidade
Outro ponto importante do cenário externo que influenciou a política monetária brasileira corresponde à oscilação do preço do petróleo em Londres e Nova York. Isso porque ela tem impactos na inflação. A cotação do barril segue em patamares elevados e tem operado com forte volatilidade, pois o mercado desconfia da capacidade da oferta de suprir totalmente a demanda.