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SÃO PAULO – No final de 2007, a bolsa brasileira amanheceu com um fato novo que colocou o País em posição de destaque no mercado internacional. Pela primeira vez o mundo olhou para o Brasil como a próxima potência do petróleo. A descoberta de Tupi levou o governo aos noticiários e os acionistas da Petrobras à euforia. Para as ações da estatal, este fato novo foi tratado como um divisor de águas.
Quase dois anos depois, aquela quinta-feira (8 de novembro de 2007) ainda reflete no cenário para a estatal. As idas e vindas do pré-sal seguem pautando as projeções dos analistas para o preço dos papéis.
Estas idas e vindas respondem às incertezas que ainda rondam as descobertas do litoral brasileiro. Mas de um jeito ou de outro aquela manhã espalhou, através um poço gigante na Bacia de Santos, que a costa brasileira ainda escondia muita coisa.
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Por outro lado, o mercado ainda busca definições mais claras sobre o real potencial do pré-sal, ou a viabilidade de explorar óleo em regiões tão profundas. O início de julho (de 2009) trouxe a grata notícia de que a Petrobras começara a refinar óleo extraído de Tupi. Alguns dias depois, o ingrato anúncio que a estatal havia suspendido temporariamente os testes no poço, por problemas técnicos.
Divisor de águas
Mesmo com a persistência das dúvidas, aquela afirmação de dois anos atrás se prova verdadeira. A descoberta de Tupi de fato mudou o prognóstico para a Petrobras, representou um divisor de águas para suas ações.
Não pelo fato novo de Tupi exclusivamente; e sim pela perspectiva que incorporou às ações. Até hoje, qualquer recomendação de analista ainda carrega a expectativa por novas descobertas como um dos drivers para os papéis da estatal.
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Gigante
Como o mercado recebeu este divisor de águas que surpreende. A sessão de 8 de novembro de 2007 foi o pregão da Petrobras na BM&F Bovespa. Mas vamos partir do princípio. O leilão de abertura daquela quinta-feira apontava expressiva valorização de 6% para as ações da estatal, com os investidores tentando mensurar o verdadeiro tamanho de “gigante”.
No decorrer do dia, o poço foi aumentando de tamanho, ou melhor, as expectativas quanto à capacidade de produção de Tupi eram impulsionadas pelo otimismo que transbordava das autoridades a cada pronunciamento. “Uma reserva destas transforma o País em exportador de petróleo”, disse a ministra Dilma Rousseff durante a tarde.
Disparada impressionante
Segundo ela, o Brasil era um produtor médio com a auto-suficiência recente e com Tupi passou para o “primeiro patamar” de produtores. As ações seguiam os discursos. Foram ganhando força a cada avaliação de analista e declaração de autoridade, mais especulação que projeção, até porque não haviam dados concretos sobre a real capacidade do poço.
O estudo inicial da estatal apontava para um volume recuperável de óleo leve estimado entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural. Para se ter uma ideia, as reservas totais da empresa acumulavam 13,7 bilhões de barris no final de 2006. Impressionante.
Dois anos depois, esta previsão continua. Dos 6% que o início do pregão apontava, o fechamento marcou impressionante disparada de 14,16% das ações preferenciais da estatal petrolífera (PETR4), que sozinhas movimentaram R$ 3,3 bilhões na sessão.
O boom das opções
Naquele dia, a Petrobras rebateu o cenário de perdas em Wall Street e o Ibovespa conseguiu escapar do vermelho, com ligeira alta de 0,11%.
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Mais impressionante que a resposta da ação foi a movimentação no mercado de derivativos. Os comprados em calls viram suas posições dispararem mais de 1.800%. Por outro lado, os vendidos em opções da estatal amargaram prejuízos tão impressionantes quanto os ganhos de suas contrapartes.