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SÃO PAULO – Com os IPOs de volta ao noticiário em meio à oferta da VisaNet, Pregões Incríveis lembra de uma das sessões mais movimentadas da bolsa brasileira nos últimos anos. Em números, a abertura de capital da Bovespa Holding já foi superada por outras empresas. Simbolicamente, continua como maior IPO da história da bolsa.
A primeira bolsa de valores da América Latina a abrir capital marca um período de esplendor do mercado doméstico, o período do boom de aberturas de capital na BM&F Bovespa. A promessa de ganhos surpreendentes em curto intervalo de tempo seduziu um grande número de novatos para seu primeiro contato com a renda variável.
Quem entrou não se decepcionou. Fora o limite de R$ 12.098 do rateio, consequência desta elevada procura, a ideia de ganhos rápidos rendeu 52% em um dia para quem a bancou. Os muitos que não conheciam a rotina das bolsas e passaram a conhecer através da Bovespa Holding e levaram a história adiante, ajudaram a popularizar ainda mais o mercado de ações.
Acima de todos os recordes
Com cinco anos seguidos de ganhos, a bolsa já despontava para a pessoa física como uma alternativa viável de aplicação. Para as empresas, era a oportunidade de captar recursos. No meio de um período de estreias diárias na bolsa brasileira, o IPO da Bovespa quebrou todos os recordes.
Antes desta, nenhuma outra oferta havia registrado o mesmo volume, captação, número de negócios ou valorização. Os 52,13% de alta daquele 20 de outubro de 2007 são recorde até os dias atuais. As ações movimentaram R$ 5,06 bilhões naquele dia, inflando o volume financeiro do pregão para R$ 10,05 bilhões. O cenário externo de ganhos também contribuiu.
Flippers
Além dos recordes, o IPO da Bovespa foi histórico por algumas controvérsias. Até então não havia aparecido o famoso filtro antiflippers, que tentava evitar uma participação meramente especulativa de investidores de varejo que haviam vendido as ações de General Shopping, Cosan Limited, Satipel ou Sul América em suas respectivas estreias.
Não ficou por aí, as “pessoas vinculadas” foram excluídas da operação. Paralelamente, os institucionais realizaram seus lucros de maneira descomedida. O filtro contra os flippers fez com que muitos utilizassem o CPF de familiares para abocanhar uma fatia maior no rateio. Esta prática ficaria ainda mais evidente depois, no IPO da BM&F.
Legado
Não bastasse incluir uma infinidade de novos cadastros, ou novatos, na bolsa, o IPO da Bovespa Holding gera algumas suposições questionáveis. Por tratar de um período de esplendor e confirmar sua promessa de retorno, gerou certa frustração para quem não obteve o mesmo sucesso em estreias posteriores ou pegou pela frente a avalanche da crise sem a experiência suficiente para administrar perdas.
Pelo filtro antiflippers, pela popularização da bolsa, por alimentar a tentação de ganhos rápidos e expressivos. Seja para os que estavam lá, seja para quem ficou imaginando, a oferta da Bovespa Holding sempre desperta da mente quanto se pronuncia a palavra IPO.