Preferência por blue chips favorece citações de Vale e Petro em carteiras de março

ITUB4 fica na 3ª colocação, em um período em que a compilação dos votos mostrou poucas alterações em relação ao mês anterior

Por  Nara Faria

SÃO PAULO – Em um cenário bastante semelhando ao do mês anterior, as corretoras optaram por não realizar muitas alterações em suas estratégias de recomendação, mantendo o foco nas blue chips em suas carteiras para o mês de março, de acordo com compilação realizada pelo Portal InfoMoney.

Nesta compilação, que contou com 28 carteiras de bancos e corretoras, a mineradora Vale (VALE5) manteve-se no primeiro lugar com os 16 votos do mês anterior. A sequência do ranking também permaneceu a mesma, com a Petrobras (PETR4) recbemantendo os 14 votos recebidos no mês de fevereiro. Em seguida, o Itaú Unibanco (ITUB4), apesar de dois votos a menos, garantiu a terceira colocação em março com 11 recomendações.

Na mesma linha, as demais recomendações tiveram poucas alterações em relação ao mês anterior, com a maioria das ações recomendadas tendo uma variação de apenas um voto para cima ou para baixo, se comparado à compilação de fevereiro. 

Os portfólios selecionados utilizados para a compilação foram da Amaril Franklin, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Citi, Coin, Geração Futuro, Geral, Gradual, HSBC, Itaú BBA, Novinvest, Omar Camargo (2 carteiras), PAX, Planner, Rico, Socopa, Souza Barros, Técnica (3 carteiras) TOV, UM, Walpires, XP (2 Carteiras) e Win.

Cenário em fevereiro favorece blue chips
A prioridade em recomendar blue chips em março reflete o cenário ainda positivo para o Ibovespa. Após ter subido 11,9% em janeiro, o benchmark da bolsa brasileira terminou fevereiro com alta de 4,9%. A elevada liquidez no mercado internacional e o maior apetite dos investidores por ativos de risco mais elevado continuaram favorecendo o mercado de ações no segundo mês de 2012, avaliam Fernando Siqueira e Hugo Rosa, analistas da Citi Corretora.

No período, o foco permaneceu no velho continente, com a Grécia chegando a um acordo sobre a liberação da parcela adicional de € 130 bilhões ao país foi alcançado. Mas as condições exigidas pela Troika – constituída pela Comissão Europeia, BCE (Banco Central Europeu ) e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) – impõem severas perdas aos credores privado, além de pesadas medidas de austeridade por parte das autoridades gregas. O segundo leilão do BCE (Banco Central Europeu) também contribuiu para o otimismo do mercado no mês de fevereiro. 

Perspectiva para março
Os principais drivers para o mercado em março não deverão ser alterados em relação ao que já vem sendo acompanhado nos meses anteriores. Os investidores continuarão a monitorar atentamente a questão das dívidas dos países da Zona do Euro, bem os números do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Ainda ganham atenção os dados da economia chinesa, sobretudo após o governo do país ter anunciado nessa primeira semana de março uma redução na meta de crescimento do país para este ano.

Os analistas do Citi têm uma perspectiva favorável para o mercado de ações, mas não descartam a possibilidade de uma realização do Ibovespa devido às fortes altas acumuladas no primeiro bimestre do ano. “Acreditamos que uma realização é possível, mas que o cenário para os próximos meses ainda é de alta em função do valuation atrativo e do cenário mais favorável para investimentos em ações”, afirmam.

VALE5: mais uma vez na liderança
Entre os fatores que favorecem as citações da Vale em carteiras mensais março, está a expectativa de recuperação na produção de aço e demanda por minério na China ainda no primeiro trimestre de 2012.

Além disso, a equipe de análise da Citi Corretora justifica a recomendação da corretora pelo fato de empresa estar sendo negociada a múltiplos baixos. 

No entando, apesar de manter o view positivo para Vale para o médio e longo prazo, a Ativa Corretora lembra que o resultado da companhia no quarto trimestre de 2011 decepcionou mais uma vez os investidores, assim como ocorreu nos últimos trimestres, principalmente pelo preço médio do minério de ferro vendido abaixo do esperado.

Além disso, recentemente, a empresa revisou o volume de produção de minério para aproximadamente 469 milhões de toneladas em 2015, vindo de 296 milhões de toneladas no ano passado, refletindo o cenário de desaceleração para os próximos anos.

Apesar disso, os analistas da Rico Corretora afirmam que a diversificação de negócios da empresa permite um crescimento maior em outros segmentos, como o de cobre, carvão e fertilizantes.

Petro e Itaú Unibanco fecham o pódio
Na sequência do ranking de recomendações em portfólios para o mês de março, aparecem as ações preferenciais da Petrobras, que mantiveram os 14 votos do mês anterior.

A equipe de análise da UM Investimentos destaca como fator positivos para os ativos da petrolífera a recente troca da diretoria, que colocou Maria das Graças Foster na presidência da companhia.

Além disso, a corretora destaca os frequentes anúncios de novas descobertas de hidrocarbonetos, especialmente nas áreas de pré-sal, e os projetos para o aumento de produção nas áreas da Bacia de Santos.

Em relação aos ativos ITUB4, o analista da Técnica, Renato Assunção Campos, explica que com o agravamento da crise financeira na Europa, as ações do banco foram duramente penalizadas e por isso se estão muito descontadas em relação aos seus principais pares. “Adicionalmente, a instituição possui uma posição muito confortável em termos de alavancagem e caixa para lidar com uma possível mudança de contexto”, afirma Campos. 

A equipe de análise da Rico Corretora completa que a estabilização do volume e a pouca piora na inadimplência, mesmo diante das medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central reforçam a atratividade do banco.  Em relação ao resultado do quarto trimestre de 2011, os números foram considerados levemente abaixo das expectativas do mercado. No entanto, para os analistas da Rico, boa parte dos resultados já eram esperados pelo mercado. 

Compartilhe