Preços em outlet de grife podem chegar a 80% de desconto

Os frequentadores são das classes A e B, já clientes de uma marca, que buscam novas oportunidades, ou que desejam ser clientes

Fernanda de Moraes Bonadia

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SÃO PAULO – Daqui 12 a 18 meses, São Paulo vai receber o segundo outlet de grifes, que contará com 130 lojas de marcas nacionais e internacionais. Ele será construído no quilômetro 46 da rodovia Castelo Branco, entre Alphaville e Sorocaba.

“Para que o consumidor sinta-se atraído e tenha acesso aos produtos é fundamental que os lojistas pratiquem preços com 30% ou mais de desconto em relação aos preços regulares na região do empreendimento”, afirma o diretor de locação da consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle, André Costa. “Em algumas situações, estes descontos são bem maiores e chegam a 80%”.

Ele explica que os consumidores do outlet estão principalmente nas classes A e B. “O público de altíssima renda que já consome certos tipos de produtos fora do Brasil certamente visitará os outlets brasileiros, mas não darão sustentação ao negócio”, acrescenta.

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Consumidor com poder aquisitivo altíssimo
De acordo com a presidente da Shopper Experience, Stella Kochen Susskind, a aspiração dessas pessoas é diferente da maioria das pessoas. “Eu posso dizer que sonho consumir um carro de R$ 100 mil, mas alguém da alta renda sonhará com um de R$ 600 mil”, compara.

Embora a intensidade do desejo seja diferente, esses consumidores com maior poder aquisitivo também se preocupam com o preço. Stella cita o exemplo de um produto vendido por R$ 610 em uma primeira loja e por R$ 530 na segunda, e a pessoa vai optar pelo mais em conta.

O foco primordial desses consumidores é o atendimento oferecido pela loja e também a qualidade do produto. “Mas eles não desprezam o preço”, explica a também presidente da divisão latino-americana da Mystery Shopping Providers Association.

Marcas e produtos
Em relação ao público atraído por outlets de grife, há dois perfis distintos. “Há o consumidor que já é cliente de uma determinada marca e que procura nos outlets novas oportunidades desta mesma marca”, aponta André Costa.

O outro perfil é de consumidores que não são clientes habituais de uma grife, mas que desejam ser. “Ele quer ter esta experimentação e busca isso no outlet. Ele pertence normalmente a uma classe socioeconômica ascendente”, complementa.

Entre as marcas que são alvo do empreendimento, André cita Adidas, Burberry, Calvin Klein, Daslu, Empório Armani, Hugo Boss, Le Lis Blanc, Nike, Osklen e TNG. “São marcas internacionais presentes no Brasil e com volume que justifique operações do tipo outlet, assim como, marcas nacionais desejadas”.

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As marcas presentes em um outlet vendem normalmente produtos de coleções passadas ou peças da coleção nova que não venderam bem por algum motivo.”Os produtos não devem apresentar defeitos de função. Isso denegriria a imagem das próprias marcas”, alerta.

Primeiros passos
Stella lembra que, em 2009, cerca de 890 mil brasileiros viajaram para os Estados Unidos para fazer compras em outlets. Porém, ela acredita que o Brasil ainda está engatinhando em relação a esses estabelecimentos.

Nos EUA, os outlets possuem marcas famosas, excelente custo-benefício e localização estratégica. Tudo isso acrescido do know-how dos americanos faz com que os empreendimentos daquele país sejam os mais baratos do mundo.

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“Existe um outlet perto da cidade de Itupeva [a 60 quilômetros da capital paulista], que possui o mesmo conceito que os americanos usavam em 1930″, explica Stella. “Estamos mais de 70 anos atrasados”, completa.

Um exemplo, para ela, que deveria ser adotado por todos os empreendimentos é o do Freeport Outlet, de Portugal. Ele reúne as compras, mas também entretenimento para crianças e adultos. “O consumidor gasta mais tempo lá, pois vê espaço para lazer, gastronomia e gastos”, destaca.

O empreendimento
O outlet é resultado da parceria entre três empresas: a consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle, a GC2000 e a SuccesPar Real State. Ele segue o conceito de “open mall”, empreendimentos horizontais a céu aberto e fora das metrópoles, porém, em localização estratégica.

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“O outlet não pode ficar dentro das grandes cidades, mas não pode ficar muito afastado destes centros urbanos. Imagine o problema operacional para os lojistas, se tiverem que buscar mão de obra numa região onde não residam pessoas? Onde não exista transporte público?”, pondera o diretor da Jones Lang LaSalle.

Além de São Paulo, eles comercializaram um estabelecimento de menor porte na cidade de Contagem (MG) e outro está em fase de construção na cidade de Novo Hamburgo (RS).