Preços dos Treasuries sobem com impasse para aprovação de corte de gastos nos EUA

A declaração da Moody's de possível rebaixamento da nota de crédito da França também guiou o pessimismo do mercado no dia

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SÃO PAULO – Os preços dos Treasuries registraram alta nessa segunda-feira (21), diante o impasse político para aprovação do corte de gastos públicos nos EUA, no valor de US$ 1,2 trilhão. Contribuindo para o mau humor do mercado, a agência de classificação de risco Moody’s expressou temores de que o recente aumento dos juros dos títulos públicos da França e a perspectiva mais fraca de crescimento econômico poderiam ser negativos para a nota de crédito do país. 

Nessa segunda-feira, o Fed realizou a venda de US$ 8,531 bilhões em títulos com maturidade de um a dez anos, e também US$ 8,63 bilhões em papéis com maturidade de três anos, em uma segunda operação. A autoridade norte-americana fará, ainda nessa semana, uma venda de US$ 64 bilhões em títulos de cinco e sete anos, como parte da Operação Twist para a redução dos custos da dívida dos EUA.

Europa 
A aversão ao risco nessa sessão foi impulsionada pela piora do cenário externo, sobretudo na Europa. Depois de George Papandreou na Grécia e de Silvio Berlusconi na Itália, os socialistas caíram na Espanha, com Mariano Rajoy, do direitista Partido Popular, venceu nas urnas com maioria absoluta no último domingo.

Chamou atenção também o comunicado da agência de classificação de risco Moody’s, alertando para um possível rebaixamento da nota de crédito francesa. O ministro das finanças francês, François Baroin, respondeu a agência, afirmando que as condições de financiamento do país continuam “favoráveis”, e que será feito um esforço para alcançar a meta de redução de déficit fiscal.

Já a Alemanha, principal economia do continente, está ameaçada de crescer pouco no ano que vem, elevando o sentimento de aversão ao risco. Por lá, o Bundesbank (Banco Central da Alemanha) reduziu previsão de crescimento para a economia acreditando que o país pode entrar numa trajetória “pronunciada” de fraco crescimento. Isso ocorreria com a piora da crise na Zona do Euro. A UE (União Europeia) deverá anunciar uma medida para tentar que isso ocorra, com a divulgação de propostas para a criação deeurobônus.

EUA
O clima também é tenso nos Estados Unidos, uma vez que o “supercomitê” do Congresso dos Estados Unidos não conseguiu chegar a um acordo quanto ao corte adicional de US$ 1,2 trilhão nos gastos públicos, ampliando o impasse entre republicanos e democratas quanto ao controle do déficit no país. Enquanto isso, na agenda doméstica do país, o Existing Home Sales de outubro mostrou que as vendas de imóveis usados superaram as expectativas.

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Yields
Os títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano, principal referencial de juros a longo prazo nos EUA, fecharam esta segunda-feira com rendimento de 1,97%. Por sua vez, os títulos de 5 anos rendiam 0,92% e os de 30 anos 2,96%. 

No fechamento de sexta-feira os rendimentos dos principais títulos do tesouro norte-americano foram 2,01%, 0,94% e 2,99% respectivamente, como mostra a tabela abaixo:

Título % Atual % Anterior Diferença
5 anos 0,92 0,94 -0,02
10 anos 1,97 2,01 -0,04
30 anos 2,96 2,99 -0,03