Preços do barril de petróleo devem seguir voláteis e com tendência de alta

Mercado passa por um momento conturbado e crescimento da demanda deve garantir altos preços no curto prazo

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SÃO PAULO – Comentando suas expectativas para os preços do barril de petróleo, que não param de subir e na última quarta-feira superaram a barreira dos US$ 65 pela primeira vez na história em Nova York, o banco de investimento português Espírito Santo publicou um relatório reiterando sua perspectivas de que as cotações do produto devem se manter voláteis e com leve tendência de alta no curto prazo.

Para os analistas, o mercado de petróleo passa por um momento bastante conturbado, onde uma série de variáveis acabam influenciando as cotações. O temor de que as refinarias não teriam como atender a crescente demanda por derivados, o que eleva as especulações e o impacto de qualquer interrupção momentânea na oferta de combustíveis, seria um dos principais deles. A relevância dada à passagem de furações no Golfo do México e ao incêndio ocorrido em uma importante refinaria da BP no Texas confirma essa percepção.

Os analistas ressaltam ainda o aumento do temor mundial com novos ataques terroristas, principalmente após os atentados ocorridos em Londres. A morte do rei da Arábia Saudita, principal produtor mundial da commodity, e preocupações com a política de produção do país também são citadas como negativa.

Demanda mundial deve crescer 2,1% em 2006

Outro ponto mencionado como preocupante é a evolução do nível da demanda global por petróleo, principalmente a chinesa e norte-americana. A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu em 0,5% sua projeção para o crescimento do consumo nos EUA e na China, mas não acredita que os altos preços vão conseguir reduzir a procura por petróleo de forma significativa. A agência espera que a demanda por petróleo aumente 2,1% em 2005, fato que, segundo os analistas, justificam a nova escalada dos preços.

Neste contexto, com o consumo de petróleo se mantendo em elevados patamares, os analistas acreditam que o mês de agosto será marcado pela volatilidade e manutenção em alta dos preços. Em relação aos dados que apontam para um a redução da demanda chinesa, apesar de concordarem que o fato é bastante positivo para o mercado no longo prazo, os analistas comentam que ainda é muito cedo para qualquer avaliação, uma vez que não se pode afirmar que isso vai se configurar como uma nova tendência.

Preços acumulam forte valorização no ano

A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, atinge US$ 65,00
nesta quinta-feira, leve alta de 1,58% em relação ao último fechamento.
Com o desempenho positivo dessa sessão, o petróleo acumula forte alta de 9,48% neste mês de agosto. Por sua vez, a variação no ano fica positiva em 61,01%, já que a
commodity encerrou o ano passado cotada a US$ 40,37 por barril em Londres.

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Já contrato com vencimento em setembro de 2005, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, opera a US$ 65,10 por barril nesta quinta-feira, configurando uma leve alta de 0,23% frente ao fechamento anterior. No ano, entretanto, o produto acumula forte valorização de 49,83%. No mês de agosto, o petróleo negociado nos EUA registra um desempenho positivo de 7,34%.