Preços de componentes tecnológicos vindos do Japão devem aumentar no Brasil

No entanto, essa possível inflação nos preços dos componentes não irá perdurar por meses, diz presidente da Abes

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SÃO PAULO – Os impactos causados pelo terremoto e o tsunami no Japão podem se estender até outros países dependentes da importação de sua tecnologia, a começar pelo próprio Brasil.

Componentes exportados como chips, por exemplo, devem sofrer com a vulnerabilidade da atual produção japonesa, defasada pelos acidentes naturais e pelos prejuízos no sistema das usinas nucleares.

Aqui no País, onde a relação de comércio com o Japão aumentou 31,5% nos dois primeiros meses de 2011, ante o mesmo período do ano passado, o preço desse produto deve ter um aumento significativo em princípio. Consumidores ligados ao mercado de informática serão os primeiros a sentir esse reflexo.

Na avaliação do presidente da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software), Gerson Schmitt, essa possível inflação nos preços dos componentes não irá perdurar por meses. “O dinamismo dessa indústria, assim como a cadeia, também está concentrada em outros países. Os preços irão oscilar, porém, o mercado se ajusta rápido”, afirma Schmitt. Segundo ele, existe no Brasil uma aquecida demanda por tecnologia, em vista do aumento da renda do consumidor.

“Temos uma diferenciação em relação à maioria dos países, pois contamos com uma estrutura interna favorável, assim como a China. Não seremos afetados pelo desequilíbrio entre oferta e demanda”, aponta o executivo.

Mercados
O Japão é o maior fornecedor mundial de silício (aproximadamente 60% da escala global), usado no desenvolvimento de chips semicondutores, conforme dados da consultoria IHS iSuppli.

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Basicamente, o Brasil teria duas saídas em meio a essa conjuntura: elevar os preços dos componentes tecnológicos ao consumidor final ou procurar relações comerciais com outros países, como forma de assegurar a potencial subida nos custos.

“Como o chip praticamente só é importado do Japão, os asiáticos sofrerão uma pressão de vários países. A curto prazo, no Brasil, haverá certa dificuldade, mas, como as maiores demandas partem daqui, o País terá de começar a buscar novas relações, em especial com a China, que trabalha com hardwares e tecnologias aplicadas”, descreve Schmitt.