Preço x qualidade: o que leva o consumidor a comprar, ou não, produtos piratas

Segundo pesquisa, 97% compram esses produtos pelo valor menor e 48% dos que não consomem alegam má qualidade

Por  Flávia Furlan Nunes -

SÃO PAULO – Segundo a pesquisa “O Consumo de produtos piratas no Brasil”, realizada pela Fecomercio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro), em parceira com o instituto Ipsos, o preço é o que leva a maior parte dos consumidores a adquirirem produtos piratas.

De acordo com os dados, divulgados nesta quarta-feira (10), 97% dos entrevistados justificaram a compra de produtos pirateados pelo valor ser mais barato, ante 93% no ano passado. As pessoas que compram porque está mais fácil de encontrar foram 7%, contra 9% em 2006, e as que disseram porque está disponível antes do produto original são 6%, contra 4% em 2006.

O levantamento foi realizado com 1.000 entrevistados, em 70 cidades e 9 regiões metropolitanas, entre os dias 22 e 31 de agosto.

Lista de compras

A pesquisa mostrou que cresceu o consumo de produtos piratas neste ano, mas não a base de pessoas que os compram: de 42% em 2007, mesmo percentual de 2006. Entre os produtos mais consumidos, o CD está em primeiro lugar, com 86% das citações, resultado igual ao do ano passado.

Em seguida, está o DVD, com 53%, de acordo com a tabela abaixo, que mostra o produto e a quantidade de pessoas que afirmaram consumir em 2006 e 2007:

Produto20062007
CD86%86%
DVD35%53%
Relógios6%8%
Óculos6%10%
Roupas5%8%
Brinquedos5%9%
Calçados, bolsas ou tênis5%8%
Aparelhos de barbear2%3%
Canetas2%6%
Isqueiros2%4%
Cigarros2%5%
Equipamentos eletrônicos1%2%
Perfumes1%6%

Fonte: Fecomercio-RJ e Ipsos

Não consomem

Dentre os 58% dos entrevistados que disseram não ter comprado produtos piratas, os principais motivos foram a qualidade ruim, com 48% das respostas, falta de garantia, com 17%, e o medo de ter um prejuízo maior que o benefício financeiro (6%).

Lideram a lista dos produtos piratas que os consumidores não comprariam de jeito nenhum os equipamentos eletrônicos (50%), os programas de computador (35%), as roupas, perfumes e DVDs (34% cada) e calçados, bolsas e tênis (32%).

Apesar de grande parte das pessoas consumir produtos piratas, elas reconhecem os pontos negativos da prática, já que 84% afirmaram que o consumo é ruim para o fabricante ou artista, 81% que alimenta a sonegação de impostos, 80% que prejudica o comércio, 72% que ajuda o crime organizado, 67% que tem consequências negativas ao consumidor e 65% que gera desemprego.

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