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SÃO PAULO – Os clientes de lavanderias domésticas não se deixam seduzir por preços mais em conta. Ao contrário, exigem roupas bem passadas, botões repostos com precisão e embalagens adequadas para suas peças de roupa.
“O preço não é mais diferencial”, afirma o presidente do Sindilav (Sindicato das Lavanderias e Similares do Município de São Paulo e Região), José Carlos Larocca, acrescentando que “o cliente quer bons serviços e ser muito bem atendido, além de uma lavanderia bonita e bem localizada”.
O presidente destaca que, em se tratando de atendimento, sempre aconselha aos donos dos empreendimentos que contratem funcionários com sensibilidade para lidar com pessoas e que invistam constantemente em treinamento.
Potencial de crescimento
De acordo com Larocca, apenas 2,8% da população economicamente ativa utiliza os serviços de lavanderia, sendo que a maioria (70%) pertence às classes A e B.
Embora o número seja restrito, como o setor é impulsionado pelo crescimento do fator single – pessoas que moram sozinhas -, pela diminuição dos imóveis residenciais e pela presença cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, ele tende a se desenvolver.
Afinal, segundo o IBGE, o crescimento da proporção de pessoas que viviam sozinhas (8,3% para 11,1%) é uma tendência verificada desde 1997, fruto da redução das taxas de mortalidade e do aumento da esperança de vida, especialmente para as mulheres.
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A pesquisa “Síntese dos Indicadores Sociais 2007 – Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira” verificou ainda que, no ano passado, cerca de 40,8% das 6,7 milhões de famílias com um integrante existentes no país eram formadas por pessoas de 60 anos ou mais.
Um mercado consumidor exigente
Em julho, uma outra pesquisa realizada pela Market Analysis apontou que, embora 80% das pessoas que vivem sozinhas busquem os preços mais em conta, elas adquirem produtos mais caros, quando eles representam maior durabilidade.
Pagar mais em troca de conforto ou de praticidade é uma característica inerente àqueles que moram com suas famílias e precisam otimizar o tempo para cuidar do lar, segundo o levantamento.
Outro dado divulgado pela pesquisa revela que o número de brasileiros que moram sozinhos dobrou na última década e já atinge 6 milhões. A estimativa é que, até 2016, essa quantidade chegue a 12 milhões.
Tecnologia e consciência ambiental
Muitas lavanderias domésticas, para ganhar competitividade e atender às exigências de seus clientes, automatizaram o processo de lavagem. “Não há como não investir em tecnologia”, aponta Larocca, “foi um processo natural e hoje é imprescindível”.
O presidente explica que, antes, muitas máquinas tinham de ser importadas, tendo em vista a constante evolução dos equipamentos e processos de lavagem. Porém, a indústria nacional conseguiu equilibrar o mercado, inclusive em relação aos insumos.
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Outra questão marcante no setor é a preocupação com o meio ambiente. Segundo Larocca, muitas lavanderias tratam e reciclam a água, gerando economia considerável deste recurso.
“O sindicato tem recomendado a seus associados o uso de insumos não poluentes para não agredir o meio ambiente”, saleinta, “sabemos do alto custo para fazer o controle ambiental, mas as lavanderias estão de mobilizando e atendendo a legislação específica”.
Destaque paulista
De acordo com o Sindilav, existem cerca de 4,8 mil lavanderias domésticas em atividade no país, das quais 75%, ou 3,6 mil, localizam-se no estado de São Paulo. No ano passado, o faturamento do setor foi de cerca de R$ 1,8 bilhão.