Preço do minério de ferro em Singapura renova mínima do ano com sinalizações da China

Notícia sobre possível flexibilização da política de Covid zero ainda foi vista com cautela em meio à alta de casos em Pequim e revisões na demanda
Minério de ferro (Fonte: Bloomberg)
Minério de ferro (Fonte: Bloomberg)

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As perdas do minério de ferro se aprofundaram nesta quinta-feira, com o preço de referência do ingrediente siderúrgico em Singapura atingindo uma nova mínima em 2022, impactado por uma perspectiva sombria para a demanda global de aço e pressões do lado da oferta.

Os preços do aço na China, país que responde por cerca de metade da produção mundial do material, também caíram em meio ao agravamento da situação da Covid-19 em Pequim.

A capital chinesa sedia o congresso do Partido Comunista,, enquanto os casos de covid-19 estão quadruplicando na cidade, que tem uma população de 21 milhões de pessoas. As autoridades chinesas decidiram, por isso, intensificar as restrições e retomar o confinamento em alguns complexos residenciais.

Foram detectados 18 novos casos de covid-19 nesta quinta-feira (20), elevando o total para 197 em apenas dez dias. Ou seja, quadruplicou comparativamente aos 49 casos dos dez dias anteriores.

Embora a China esteja entre os países com menos casos registrados, o aumento de infecções, no momento em que ocorre o congresso do partido de Xi Jinping, põe em causa a política “zero covid” do país, o que levou as autoridades a reforçar as medidas de proteção. Nos próximos dias, os cidadãos que forem a supermercados ou locais lotados serão sujeitos a uma triagem à entrada, e as pessoas de grupos de risco serão mais vigiadas.

Uma das medidas já adotadas na capital foi o confinamento de três dias em alguns bairros residenciais, onde foram identificados casos e possíveis contatos de risco. Se o número de infecções nessas áreas aumentar, o bloqueio será prolongado.

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Neste cenário, o minério de ferro mais negociado para janeiro na Dalian Commodity Exchange da China encerrou as negociações diurnas com queda de 3,1%, a 667 iuanes (US$ 92,27) a tonelada, depois de atingir seu nível mais fraco desde 5 de setembro, a 664 iuanes.

Na Bolsa de Singapura, o contrato de referência de minério de ferro de novembro caiu até 2,8%, para US$ 89,50 a tonelada, uma nova mínima para este ano.

Ainda em destaque, a World Steel Association agora espera uma contração de 2,3% na demanda global de aço este ano, revisando sua previsão de um crescimento de 0,4% esperado anteriormente.

O grupo disse que o ambiente econômico global se deteriorou significativamente, citando a alta inflação, os aumentos das taxas de juros e a desaceleração da China devido à sua política de zero Covid e à desaceleração do setor imobiliário.

Com isso, a notícia da Bloomberg sobre uma possível flexibilização da política de Covid-zero, ainda que siga restrita na comparação com outros países, foi ofuscada pelos últimos acontecimentos.

De acordo com a agência, as autoridades chinesas estão debatendo se devem reduzir o tempo que as pessoas que entram no país devem passar em quarentena obrigatória. Essas autoridades estariam tentando reduzir o período de quarentena para dois dias em um hotel e, depois, cinco dias em casa. Atualmente, a China exige 10 dias de isolamento após a entrada no país, com sete dias de confinamento em um quarto de hotel e mais três dias em casa, onde as pessoas ainda são monitoradas e submetidas a testes regulares.

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Ainda no radar, está a percepção de que a crise no setor imobiliário do país deve diminuir a demanda até 2023, sem expectativas de que o congresso do Partido Comunista traga uma flexibilização de políticas para reduzir o endividamento no mercado imobiliário.

“Não esperamos nenhuma melhora na demanda por aço pela China no próximo ano. (…) Novos empreendimentos imobiliários devem encolher 20% em 2023, já que não houve nenhuma indicação de uma reversão do princípio de Xi”, apontaram em nota os analistas do Goldman Sachs.

(com Reuters)