Preço das commodities metálicas deve ter queda de dois dígitos neste ano

Analistas do Credit Suisse apostam em retomada do mercado para segundo semestre; Citi tem postura mais pessimista

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SÃO PAULO – Em relatórios críticos, analistas do Citi e do Credit Suisse revisaram as suas projeções para as commodities metálicas neste ano elaborando novo cenário e esperando um recuo de dois dígitos nos preços.

As negociações entre siderúrgicas e mineradoras para estabelecer os preços dos contratos para este ano foram iniciadas no final de 2008 e, apesar do pouco tempo, números e valores já começaram a ser discutidos.

Do ponto de vista do setor siderúrgico, as cotações deveriam recuar para os níveis de 2007, implicando uma redução de cerca de 40% no preço da tonelada do minério de ferro, proporção considerada muito alta pelas mineradoras.

Como resposta, a Vale propôs uma revisão de 10% e alterações nos contratos com as siderúrgicas chinesas. No entanto essas condições foram rechaçadas pela indústria da China, conforme publicado no Steel Business Briefing desta segunda-feira (26).

Possíveis cenários

Sendo assim os analistas do Credit Suisse estipulam dois cenários para este ano. O primeiro seria um longo período de negociações, com a conclusão das operações podendo se estender até o segundo trimestre de 2009, quando as condições de mercado estiverem mais favoráveis.

No segundo, seria uma antecipação das negociações, mas com o conhecimento de que o mercado global deverá apresentar sinais de recuperação, dando assim maior clareza para que as siderúrgicas consigam estabelecer um valor adequado a sua capacidade de produção.

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Em ambos os casos, uma demora na conclusão dos negócios seria prejudicial para ambos os lados, afirmam os analistas, sendo que as mineradoras não deverão aceitar um desconto tão grande, e será muito difícil para que as siderúrgicas concordem com um revisão abaixo dos 10% propostos.

Citi se mostra mais pessimista

Já o Citi adota uma postura mais conservadora quanto ao rumo do mercado das commodities metálicas para este ano. De acordo com seus analistas, será difícil ver uma recuperação antes do final de 2010, uma vez que a demanda deverá continuar fraca e os estoques deverão subir por pelos próximos dois anos.

Com o acumulo da matéria-prima nos principais mercados, o rumo dos preços deverá ser ditado pelos custos e margens das mineradoras e siderúrgicas, acompanhando a queda dos gastos, que poderão registrar recuo de 20% a 30% em 2009, o dobro da taxa registrada em momentos delicados como o atual.

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Dentre os segmentos com maior chance de liderar a retomada das commodities, o cobre se apresenta na liderança uma vez mais. Já o desempenho do minério de ferro deverá ser prejudicado pelo nível dos estoques internacionais. O níquel também pode registrar um desempenho inferior ao de mercado, e o alumínio só deverá iniciar uma retomada caso a crise energética global retorne.