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SÃO PAULO – Um dos entraves para que os produtos sustentáveis cheguem às prateleiras é o preço. De acordo com a diretora regional do ICLEI (Governos Locais para a Sustentabilidade), Laura Valente de Macedo, o valor é, normalmente, muito maior do que o dos produtos não-sustentáveis.
Mesmo assim, existe uma parcela da população disposta a pagar mais. Pesquisa do Instituto Akatu mostra que os consumidores estão abertos para os produtos sustentáveis: 28% dos brasileiros afirmaram ter comprado produtos orgânicos nos últimos seis meses e 37% informaram que pagariam mais por produtos que respeitem o meio ambiente.
Ainda segundo Laura, que falou durante a Conferência Internacional Ethos 2008, a primeira questão, antes mesmo do preço, é definir o que é um produto sustentável. “Não existe um produto sustentável. Qualquer atividade humana gera impacto. Portanto, o que temos são produtos que geram menos ou mais impactos. Pensar dessa forma é mais realista”, disse.
Ele pensa na economia
Na mesma ocasião, o presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, disse que, na hora da compra, o consumidor pensa nas questões econômica e ambiental. A social, porém, fica de fora. Isso acontece porque alguns elementos de sustentabilidade e econômicos são perceptível no momento da aquisição, como o preço mais barato ou se a embalagem não prejudica o meio ambiente.
Outros, por sua vez, não são visíveis nas prateleiras, como a utilização de mão-de-obra infantil pelo fabricante ou por alguma empresa daquela cadeia produtiva.
Certificação
Mesmo que o brasileiro quisesse comprar um produto sustentável, ele teria dificuldades em identificá-lo. De acordo com o gerente do Ética Comércio Solidário, Edson Marinho, no Brasil não há certificação para produtos sustentáveis, enquanto na Europa existem 19 selos com esta finalidade.
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“O consumidor não tem garantia de que algumas normas foram seguidas para que aquele produto fosse considerado sustentável”, explica Marinho.
Na opinião dele, o governo, além de regulamentar, pode conceder benefícios às empresas que fabricam tais produtos, como fretes diferenciados. “O principal beneficiado com um selo é o consumidor final. Mas isso também é uma forma de tornar o produto mais atraente. É, portanto, uma vantagem para a empresa”, finaliza.