Prazos de dívidas dos bancos caem e elevam risco de refinanciamento, diz Moody’s

Para agência de classificação de risco, instituições devem se expor a maiores pressões de captação e custos mais elevados

Publicidade

SÃO PAULO – O prazo médio de novas emissões de dívida classificadas pela Moody’s diminuiu em vários sistemas bancários nos últimos cinco anos. De acordo com relatório divulgado nesta terça-feira (10), a agência de classificação de risco destaca que este processo eleva o risco de refinanciamento para as instituições financeiras.

“Os bancos cujos perfis de vencimento de dívida diminuíram consideravelmente enfrentarão necessidades relativamente grandes de refinanciamento nos próximos anos, expondo-os a maiores pressões de captação e a custos mais elevados”, avaliou a agência.

De acordo com a Moody’s, a média global de prazos para vencimento de dívidas institucionais emitidas por bancos caiu de 7,2 anos para 4,7 anos – a menor média de vencimento para novas dívidas dos últimos 30 anos. Neste sentido, a agência prevê que os bancos por ela classificados enfrentarão vencimentos de aproximadamente US$ 10 trilhões até o final de 2015 – destes, US$ 7 trilhões terão vencimento até o final de 2012.

Onde os prazos caem mais

Após a análise de mais de 25 sistemas, a Moody’s observou que essa tendência de queda no prazo de emissões de novas dívidas tem sido particularmente acentuada nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde os bancos classificados pela agência terão de refinanciar ou pagar uma cifra superior a US$ 2 trilhões em vencimentos até 2012.

Neste cenário, “a Moody’s acredita que os bancos cujos perfis de vencimento de dívida estão tendendo para o prazo mais curto serão direcionados pelas suas respectivas gestões de risco a substituir suas dívidas de curto prazo por prazos mais longos”.

Consequências

O vice-presidente da Moody’s, Jean-Francois Tremblay, destacou o principal risco deste movimento. “Quando o perfil de dívida de um banco tende para vencimentos de curto prazo, ele se torna mais vulnerável ao aumento inesperado das taxas de juros e/ou oscilações na confiança do investidor”, disse.

Continua depois da publicidade

Contudo, a agência destacou que os investidores não devem associar automaticamente a redução do perfil de vencimento de dívida de um banco com as preocupações acerca da qualidade de crédito, visto que o impacto final é amplamente determinado por outros fatores.

“Os bancos tentarão reduzir o tamanho de suas necessidades de refinanciamento junto aos investidores institucionais contraindo seu balanço patrimonial, elevando a base de depósitos ou uma combinação de ambos,” afirmou Tremblay.

Apesar deste contexto, a equipe de análise da Moody’s está otimista. “Estamos focados na capacidade dos bancos de administrar esse aumento potencialmente significativo dos custos ao mesmo tempo em que produzem resultados positivos sustentáveis”.