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SÃO PAULO – A publicação do Relatório de Emprego de agosto nos EUA na última sexta-feira (7) derrubou as bolsas por todo o mundo e reacendeu o debate sobre o ritmo da desaceleração da economia norte-americana, que andava um pouco apagado.
No ano passado, em meados de julho, a discussão em torno do tema, entretanto, era intenso. À época, questionava-se se o ritmo de aperto monetário nos EUA poderia levar a uma acelerada desaceleração da economia do país, ou se esta se daria como um “pouso suave”.
Sob o fogo-cruzado, o mesmo personagem: Ben Bernanke, o presidente do Banco Central norte-americano (Federal Reserve). Ao final da batalha, o resultado foi uma taxa básica de juro estacionada em 5,25% (veja trajetória da Fed Funds Rate no gráfico abaixo) ao ano e a conclusão de que os fundamentos econômicos sustentariam uma desaceleração lenta e gradual.
No período compreendido entre 10 de maio e 13 de junho de 2006, o Ibovespa passou dos 42.000 pontos para 32.850 pontos, uma queda de quase 22%. O índice Dow Jones, que marcava 11.462 pontos, chegou ao nível de 10.709 pontos.
Mercado de trabalho: sinais de fraqueza
Na última semana, o Departamento de Trabalho dos EUA mostrou que a economia norte-americana perdeu 4 mil vagas de trabalho em agosto, período em que a crise do subprime eclodiu com maior força. Foi o primeiro resultado negativo em quatro anos.
“A informação do mercado de trabalho é extremamente relevante, visto que, até o momento, os sinais apontavam para desaceleração lenta no ritmo de criação de vagas apesar do ajuste no mercado imobiliário”, avalia o banco Santander em relatório divulgado nesta sessão.
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Segundo os analistas, era justamente esta expectativa que sustentava o consumo e a visão de que a probabilidade de recessão nos EUA era baixa. Além dos fracos números de agosto, os dados de julho e junho foram revisados para baixo.
Nesta segunda-feira, a presidente do Federal Reserve de São Francisco, Janet Yellen, afirmou que o declínio nos preços de imóveis e a queda da disponibilidade do emprego podem acarretar em “riscos significativos” aos gastos com consumo nos EUA.
“Balde de água fria”, mas sem recessão
Por outro lado, o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse na última sexta-feira que a redução do emprego no país não foi “totalmente surpreendente” e expressou confiança de que a economia ainda vai expandir-se no segundo semestre deste ano.
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No mesmo dia, além de Paulson, o presidente do Conselho Econômico da Casa Branca, Ed Lazear, veio a público afirmar que os problemas no setor imobiliário nos EUA levarão alguns meses para diminuírem, porém descarta recessão.
O Banco Banif, em relatório publicado nesta segunda-feira, acredita que a deterioração do mercado de trabalho em agosto foi um “balde de água fria” para as perspectivas da economia norte-americana, mas, no momento, ainda não aposta em uma recessão.
Debate aquecido
As divergências de opinião mostram que, definitivamente, os números do mercado de trabalho esquentaram o debate, mas que este ainda está longe de uma conclusão afinada.
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Desta forma, a análise de novos dados pode trazer mais argumentos para os dois lados. Na próxima sexta-feira, os indicadores de vendas no varejo, produção industrial e da confiança do consumidor, todos referentes ao mês de agosto, devem trazer mais peças para o quebra-cabeça do cenário econômico dos EUA.