Potencial de negócios entre Brasil e China segue elevado

Mesmo com a China podendo trazer riscos às demais economias emergentes, Brasil deve continuar se beneficiando do crescimento chinês

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SÃO PAULO – A China é a economia que mais se destaca atualmente no cenário internacional, registrando um crescimento explosivo, de 9,1% no ano passado. Com isso, analistas acreditam que em 2004 o mercado chinês será o terceiro maior importador do mundo, atrás somente dos Estados Unidos e Alemanha.

A China também ocupa a terceira posição entre os mercados compradores de produtos brasileiros – no nosso caso, atrás dos EUA e da Argentina. O volume de exportações do Brasil para a China foi, no ano passado, de US$ 4,53 bilhões, 79,9% superior às vendas para os chineses em 2002.

China ganha importância no comércio internacional

Assim, desde que a China passou a abrir seu mercado para o capital estrangeiro, analistas e investidores passaram a acompanhar cada vez mais de perto os passos do gigante da Ásia, tendo em vista a importância que a China ganhou no mercado internacional.

Nesse sentido, o espantoso crescimento da economia chinesa e da participação do país no comércio internacional, apesar de se revelarem fortes atrativos para o capital internacional, são muitas vezes vistos com cautela pelo mercado. Muitos analistas afirmam que o crescimento da economia do país não se sustentará no longo prazo, devido aos muitos problemas sociais que o governo chinês terá dificuldades em solucionar.

Além disso, o FMI apontou mais um motivo para que mercados emergentes que estão sendo beneficiados pelo crescimento chinês não sigam com tanta euforia.

FMI aponta para ameaça da China

O Fundo Monetário Internacional afirmou que países com características semelhantes às dos chineses poderão perder mercado e empregos nos próximos anos. Tal afirmação se fundamentaria no fato de que o rápido aumento da competitividade chinesa em setores como o têxtil e o de calçados, por exemplo, deverá diminuir a fatia das exportações de outros países emergentes, como o Brasil, para as economias mais desenvolvidas.

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Além disso, o crescimento da economia chinesa pode acarretar uma diminuição do fluxo de investimentos diretos para outros países emergentes, tendo em vista que a China tornou-se praticamente irresistível para investidores, devendo, em breve, superar a posição do Japão de principal motor de negócios da região.

Apesar disso, os indicadores de comércio entre Brasil e China nos últimos dois anos revelam que países abundantes em matéria-prima, como é o caso do Brasil, ainda deverão ser bastante beneficiados pelos negócios com os chineses.
Na medida em que o comércio e os negócios entre os dois países se intensificam, as empresas brasileiras cada vez mais precisam conhecer o comportamento do mercado chinês e os mecanismos existentes para facilitar sua participação nesse mercado, que ainda apresenta grandes oportunidades.