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As declarações recentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a possibilidade de adoção de novas medidas para conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras adicionam um elemento de incerteza ao cenário para o setor bancário, na avaliação do UBS.
Embora o mandatário tenha indicado que qualquer iniciativa nesse sentido seria implementada de forma gradual, investidores passaram a monitorar com mais atenção os possíveis impactos sobre a oferta de crédito no país.
Em fala no Febraban Tech, na segunda (24), Galípolo afirmou que o Banco Central está analisando experiências internacionais e estudando ferramentas para evitar uma expansão mais significativa da alavancagem das famílias. O presidente da autoridade monetária ressaltou que eventuais mudanças seriam conduzidas de maneira suave e progressiva.
O UBS destaca, contudo, que ainda não está claro quais mecanismos poderão ser adotados pelo BC. O banco lembra que, apesar do elevado nível de endividamento das famílias brasileiras, o crescimento do crédito para pessoas físicas não é atualmente considerado excessivamente acelerado, avançando cerca de 11% na comparação anual.
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Entre os instrumentos utilizados historicamente pelo Banco Central para influenciar a dinâmica do crédito está a alteração dos depósitos compulsórios. Ao elevar o percentual de recursos que os bancos precisam manter retidos junto à autoridade monetária, o BC reduz a liquidez disponível para novas operações de crédito. Segundo o UBS, os níveis atuais de compulsório permanecem próximos das mínimas históricas e relativamente estáveis desde o período da pandemia.
Outra alternativa seria aumentar os fatores de ponderação de risco para determinadas modalidades de empréstimos. Em 2011, o Banco Central já elevou as exigências de capital para operações de maior prazo, incluindo crédito consignado, financiamento de veículos e empréstimos ao consumidor. A medida aumentou o custo dessas operações para os bancos e ajudou a moderar o ritmo de crescimento dessas carteiras.
“A exigência mais elevada de capital desestimulou os bancos a concederem esses empréstimos (o financiamento de veículos encerrou 2011 com crescimento anual de 20%, enquanto os empréstimos consignados registraram expansão de 25%)”, afirma o UBS.
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O relatório também lembra que o governo já utilizou instrumentos tributários para frear a expansão do crédito. Em 2011, a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre empréstimos para pessoas físicas foi elevada para cerca de 3% ao ano, ante aproximadamente 1,5% anteriormente.
Outra ferramenta disponível é o chamado colchão de capital contracíclico. Esse mecanismo exige que os bancos mantenham uma reserva adicional de capital em períodos de aceleração excessiva do crédito. Segundo o UBS, desde sua implementação no Brasil, o instrumento permaneceu calibrado em zero. Atualmente, os grandes bancos classificados como instituições S1 precisam cumprir exigência mínima de capital de 8%.
Crescimento de cartões de crédito
Além do debate regulatório, o UBS chamou atenção para dados apresentados por Galípolo sobre a crescente penetração dos cartões de crédito entre os brasileiros. Segundo a apresentação do mandatário do BC, o número de portadores de cartão chegou a 96 milhões, o equivalente a 57% da população adulta do país.
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Desse total, cerca de 53 milhões de pessoas, ou 55% dos usuários de cartão, utilizam modalidades que envolvem cobrança de juros, como o crédito rotativo ou parcelamentos financiados. O levantamento mostra ainda que, desde 2020, aproximadamente 37 milhões de brasileiros passaram a utilizar cartões de crédito, sendo que 18,8 milhões ingressaram especificamente em linhas de crédito com incidência de juros.
Em relação às recomendações de investimento, o banco mantém classificação de compra para Nubank, com preço-alvo de US$ 18,20, Bradesco, com preço-alvo de R$ 24, Itaúsa, com preço-alvo de R$ 16,30, e Inter, com preço-alvo de US$ 8,80. O relatório afirma que, embora eventuais medidas macroprudenciais possam criar incertezas adicionais para o setor, a instituição continua enxergando oportunidades em nomes selecionados da indústria bancária brasileira.
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