Perspectivas

Pós-resultado da Petrobras, ajuste fiscal e mais 6 eventos agitam a próxima semana

Apesar do fim da temporada de resultados, Bolsa promete ficar agitada com prévias da inflação e do PIB aqui no Brasil e com o PMI da indústria na China

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SÃO PAULO – A semana termina com o Ibovespa próximo da estabilidade, com alta acumulada de 0,17%, aos 57.248 pontos. Apesar de terminada a temporada de resultados do primeiro trimestre, o próximo pregão da Bovespa promete ser de forte reflexo dos números apresentados na sexta-feira (15), principalmente da Petrobras (PETR3; PETR4), que após o complicado 2014, registrou lucro de R$ 5,33 bilhões no primeiro trimestre.

Para os primeiros dias da próxima semana, a agenda promete dar um “alívio” para o mercado. Sem grandes indicadores, os investidores devem, além de refletir os últimos resultados da temporada, ficar de olho nas novidades no Congresso, onde o governo segue tentando ganhar as “batalhas” pelo ajuste fiscal”, e também para o exterior, onde a Grécia segue trazendo tensão.

Para o resto da semana, os EUA devem chamar atenção com a ata da última reunião do Fomc, que, pelo que analistas apostam agora, pode trazer uma confirmação de que a alta de juros deve ficar mesmo para o segundo trimestre. Além disso, dados considerados prévias do PIB (Produto Interno Bruto) e de inflação prometem agitar o mercado brasileiro. Confira os destaques da próxima semana:

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Ajuste fiscal
O Plenário da Câmara dos Deputados analisará, a partir de terça-feira (19), as duas últimas propostas do ajuste fiscal proposto pelo governo, a Medida Provisória 668/15 e o Projeto de Lei 863/15.

A MP 668 aumenta as alíquotas do PIS/Pasep-Importação de 1,65% para 2,1% e a da Cofins-Importação de 7,6% para 9,65%. Assim, a maioria dos importados passa a pagar 11,75% nesses dois tributos, na soma das alíquotas. O Poder Executivo justificou o aumento das alíquotas pela necessidade de evitar que produtos fabricados no País paguem mais imposto do que os importados.

De acordo com o relatório aprovado na comissão mista que analisou a MP, determinados setores terão suas alíquotas específicas majoradas também, como o de produtos de perfumaria ou higiene pessoal, que subiu, no total, de 12,5% para 20%. A incidência das contribuições para veículos e máquinas importadas passa de 11,6% para 15,19%.

A segunda proposta a ser votada é o Projeto de Lei 863/15, que reduz o benefício fiscal de desoneração da folha de pagamentos concedido a 56 segmentos econômicos. A proposta tramita em urgência constitucional e substitui a Medida Provisória 669/15, que foi devolvida pelo presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, no dia 3 de março.

Ata do Fomc
Mesmo com um resultado do PIB abaixo do esperado no primeiro trimestre, o Federal Reserve, em sua reunião realizada no dia 29 de abril, deixou aberta a possibilidade de elevar os juros em junho. Porém, desde então, uma sequência de indicadores piores que o esperado acabaram aumentando a projeção de que a alta nas taxas só deve ocorrer realmente no segundo trimestre.

O comunicado do Fed seguiu a mesma linha das recentes declarações da presidente da autoridade, Janet Yellen, que prefere ser dependente dos dados econômicos para decidir quando irá elevar os juros, trabalhando a decisão a cada nova reunião do Fomc. Ou seja, de agora em diante, uma alta das taxas estará sobre a mesa em todas as reuniões.

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Na próxima quarta-feira (20) o Fed divulga a ata desta reunião do Fomc, trazendo maiores explicações sobre como eles estão vendo a evolução da economia americana, podendo trazer uma sinalização de que realmente os juros não devem subir agora.

PMI da Indústria
Um dos indicadores mais acompanhados sobre o setor industrial é o PMI, e suas prévias serão apresentadas na próximas quinta-feira (21) tanto na China quanto na Europa. O mercado costuma ficar atento mais aos dados do gigante asiático, já que seu mercado é muito importante para os produtores de commodities, principalmente as mineradoras. Ou seja, o resultado do indicador pode ter efeito direto nas ações de Vale e das siderúrgicas, podendo se refletir no Ibovespa.

IBC-Br
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) é considerado como uma prévia do PIB nacional. Segundo a equipe do Credit Suisse, o indicador deve apresentar uma contração de 0,3% em março ante fevereiro. Já em relação ao mesmo mês do ano anterior, o IBC-BR deve passar de -3,2% para 1%. “O resultado mais negativo da economia doméstica em março ante fevereiro é sugerido, principalmente, pelos resultados da produção industrial e das vendas reais do comércio varejista ampliado, ambos com fortes contrações na comparação com o mês anterior”, disseram os analistas.

“O indicador, que teve sua data de divulgação alterada de 15 para 21 de maio, terá a sua metodologia atualizada de acordo com o novo padrão metodológico das Contas Nacionais. Nesse sentido, a provável revisão que ocorrerá na série de dados do IBC-Br aumenta a incerteza em relação à nossa projeção para o resultado do indicador em março”, lembra a equipe do Credit.

Pesquisa mensal do emprego
Os analistas do Credit Suisse projetam uma taxa de desemprego de 6,5% em abril, superior aos patamares de 6,2% em março e 4,9% no mesmo período do ano anterior. “Nossa projeção é compatível com um aumento da taxa de desemprego com ajuste sazonal de 5,9% em março para 6,1% em fevereiro. Esperamos uma contração da população ocupada de 1,1% em abril ante mesmo período do ano anterior e uma alta de 0,6% da população economicamente ativa nesse mesmo período e na mesma base de comparação”, disseram em relatório.

IPCA-15
O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) usa a mesma metodologia do IPCA – que é a medida oficial de inflação do governo -, mas com dados colhidos entre os dias 15 de cada mês. Por isso, é considerado como uma prévia da inflação do País. A equipe do Credit Suisse projeta o indicador em 0,59% em maio, ante inflação IPCA de 0,71% e IPCA-15 de 1,07% em abril. “Esperamos que a menor inflação no mês seja disseminada entre os grupos, sendo mais expressiva no grupo de preços administrados. No acumulado em 12 meses, projetamos estabilidade da inflação IPCA-15 em 8,2% entre abril e maio”, afirmam os analistas.