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LISBOA – A Portugal Telecom vai manter uma “forte disciplina de custos” e quer capitalizar a sua aposta no Brasil e na África para compensar os efeitos previstos de uma maior austeridade em Portugal, disse o presidente da companhia, Zeinal Bava.
A proposta orçamentária de Portugal para 2013 que o governo de centro-direita entregou ao parlamento em 15 de outubro prevê um aumento significativo da carga fiscal, que segundo os analistas deverá reduzir a renda disponível das famílias e, assim, prejudicar as vendas das empresas.
“Naturalmente vamos ser confrontados com desafios enormes e vamos responder de duas formas: manter uma forte disciplina de custos e continuar a nos beneficiar da diversificação geográfica e do investimento em novas tecnologias”, disse Bava ao final de uma conferência da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, na terça-feira (16) à noite.
Ele lembrou que cerca de 60% dos negócios da Portugal Telecom ocorrem fora do país e se referiu à presença da operadora em mercados em crescimento, como Brasil e Angola, onde a empresa tem participações acionárias na Oi e na Unitel, respectivamente.
A presença nestes mercados ajuda a compensar as más perspectivas domésticas, com Portugal atolado na mais profunda recessão dos últimos 30 anos, por conta das duras medidas de austeridade impostas no plano de resgate de € 78 bilhões acertado em maio de 2011 com a União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Bava afirmou ainda que a recente emissão de € 750 milhões realizada pela Portugal Telecom ajudou a estender os vencimentos de dívida até 2016. “A Portugal Telecom está financiada até 2016 e isso nos permite olhar o futuro com confiança”, disse o executivo. “A empresa não vai passar por estresse de financiamento até julho de 2016”, acrescentou.