Portugal cumpre metas, mas terá dificuldade para voltar aos mercados, diz FMI

Desemprego continua alto e dívida pública deve subir até 2013; país tem que recuperar competitividade para crescer

Por  Renato Rostás

SÃO PAULO – Portugal vem seguindo o programa de reformas exigido pelo grupo de negociadores quando do repasse do resgate de € 78 bilhões, mas ainda tem o desafio de melhorar sua competitividade e conquistar a confiança dos mercados. A opinião é de Abebe Selassie, chefe da missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) no país, que também descarta um novo pacote.

Em entrevista ao próprio fundo, ele lembra que o setor de bens não transacionáveis, que inclui serviços, precisa recuperar a força, principalmente resolvendo a pressão inflacionária. Para ele, se os custos continuarem altos e a serem repassados ao preço final, ele não poderá ser um motor de crescimento como se pretende.

Dentre os segmentos citados por Selassie, está o de energia. Se as contas continuarem a ser reajustadas e não houver uma reforma para possibilitar a concorrência, os custos vão ser cada vez mais altos e a competitidade pode ser ainda mais afetada, em sua opinião.

Reformas não conquistam o mercado
Mesmo conquistando uma queda de quase 4 pontos percentuais na relação entre déficit público e PIB (Produto Interno Bruto), a dívida de Portugal deve subir ainda mais. Para 2013, a previsão do FMI é de 115% do PIB para, só então, começar a recuar. “O principal risco é a recessão ser mais profunda do que o previsto”, diz Selassie.

Em 2011, houve uma contração da atividade econômica em 1,5%, e estimativas dão conta de uma recessão em 3,3% neste ano. Com isso, a taxa de desemprego pode continuar alta, sendo que já está bastante elevada, em 13% no ano passado. Para 2012, o FMI vê o patamar em 14,5%.

Assim, reconquistar os investidores e poder novamente captar através de papéis de sua dívida pode ser bastante difícil até dezembro. “Criar credibilidade a partir de um patamar baixo leva tempo”, afirma Selassie. Mesmo assim, em 2013 o acesso de Portugal aos mercados deve ser facilitado e impedirá a necessidade de um novo pacote de resgate. “Nós achamos que o programa tem o tamanho certo”, afirma.

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