Seguros

Porto Seguro (PSSA3) prevê queda de sinistralidade com Covid, mas inflação auto ainda pressiona

No quarto trimestre de 2021, a sinistralidade do setor de saúde da Porto Seguro chegou a 78%, em linha com a média desde junho de 2019

Por  André Cabette Fábio

A Porto Seguro (PSSA3) observa que a sinistralidade (relação entre o valor desembolsado pela seguradora frente ao total de seguros) no setor vem caindo com a redução dos pagamentos relacionados a mortes e adoecimentos graves por Covid, além de um ajuste nos prêmios, que já embutem “o entendimento da Covid como endêmica”. 

A declaração foi dada, durante teleconferência de resultados, nesta quarta-feira (8), pelo CEO de Saúde da Porto Seguro, Sami Fogel. A Porto Seguro (PSSA3) teve lucro de R$ 532 milhões no 4º trimestre, puxado por ganhos não recorrentes.

No quarto trimestre de 2021, a sinistralidade do setor de saúde da Porto Seguro chegou a 78%, em linha com a média desde junho de 2019. No último trimestre de 2020, ela havia sido de 86,1%. Mas, quando se consideram todos setores de atuação da Porto Seguro, a sinistralidade total subiu 7,7 pontos percentuais entre o quarto trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021, a 57,2%.

Por volta das 15h18, as ações da Porto Seguro saltavam 4%, cotadas a R$ 20,63.

Inflação no setor automotivo

Por outro lado, segundo a Porto Seguro, houve uma piora na sinistralidade do setor automotivo, o que se deve à inflação de peças e ao forte aumento no preço dos carros por conta da interrupção da cadeia produtiva das montadoras, além da volta da mobilidade aos níveis pré-pandemia.

O pagamento de prêmios subiu de R$ 2,811 bilhões em 2020 para R$ 3,077 bilhões em 2021. 

Na teleconferência desta quarta-feira, Marcelo Picanço, CEO de seguros da Porto Seguro afirmou que esse nível de aumento do preço das peças de reposição não ocorria havia 20 anos, e reconheceu que ele afeta os resultados no curto prazo. Mas argumentou que, no longo prazo, pode ser benéfico para a companhia, já que eleva o preço médio do seguro. 

Em análise, o Safra ponderou que o forte desempenho de receita da Porto Seguro, que avançou 13,6% do quarto trimestre de 2020 ao mesmo período de 2021, a R$ 6,042 bilhões, deve diluir as despesas de sinistros de automóveis nos próximos trimestres, baixando-as a níveis normais. 

O Citi disse que não espera que a alta sinistralidade no setor automotivo se mantenha nos próximos trimestres. E ressaltou que a sinistralidade do setor de seguros de vida e do setor de saúde recuaram e ficaram abaixo de sua expectativa. 

O Bank of America diz que a redução de restrições ligadas à Covid, a alta dos custos de reparo de carros e queda na venda de veículos novos devem continuar a pressionar os resultados no setor automotivo. Também avaliou que a alta de dois dígitos na taxa de juros Selic deve levar a maior concorrência no setor de seguros. 

Mais análises do balanço Porto Seguro (PSSA3)

O banco Safra avaliou que os papéis PSSA3 estão sendo negociados abaixo de seus múltiplos históricos, e manteve recomendação de compra da ação, com preço-alvo de R$ 32, destacando que os setores de bens e acidentes (P&C na sigla em inglês), vida e saúde da Porto Seguro apresentam melhorias em seus índices de sinistralidade. 

O banco ponderou que houve forte alta no setor automotivo, de 48,1% no quarto trimestre de 2020 para 61,6% no mesmo período de 2021.

Na avaliação do Safra, isso pressionou o resultado de subscrição (processo de avaliação de riscos, elaboração de condições contratuais e o impacto final), fazendo com que os resultados da Porto Seguro fossem mistos.

No quarto trimestre de 2021, a empresa teve lucro recorrente de R$ 296,1 milhões, queda de 27,2% frente ao mesmo período do ano anterior. 

O Citi também manteve recomendação de compra para a Porto Seguro, ressaltando que a sinistralidade de 61,6% no setor automotivo ficou acima de sua expectativa de 55%, contribuindo para que a receita líquida normalizada, de R$ 297 milhões, ficasse abaixo de sua estimativa de R$ 307 milhões. 

Já o Bank of America manteve avaliação underperform, citando a queda na receita líquida, 5% abaixo de sua expectativa no quarto trimestre de 2021, também por conta da alta sinistralidade do setor automotivo. 

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